Jornal do Brasil

Emoção marca
velório de Maria Rita

 

Roberto Carlos presta homenagem final à mulher

VASCONCELO QUADROS E ARLETE MENDES

Foto de Divulgação
[Velório de Maria Rita]

SÃO PAULO - Cerca de duas mil pessoas participaram ontem à tarde da despedida de Maria Rita, no Cemitério Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, numa cerimônia marcada pela emoção. Aplaudido pelos fãs durante todo o trajeto, Roberto Carlos já se retirava do cemitério em seu automóvel, quando decidiu retornar ao jazigo para depositar nas mãos da mulher um terço azul claro que havia recebido do Padre Marcelo Rossi, pela manhã, durante o velório no Hospital Albert Einstein. Ele pediu que abrissem novamente a urna, ajoelhou-se, colocou o terço nas mãos de Maria Rita e, chorando, rezou.

"Ele queria ver Maria Rita pela última vez. Estava sofrido e com saudades, mas não havia desespero. Só a saudade de quem foi embora", contou o padre Jorge Luiz Neves, da Igreja Nossa Senhora da Paz, do Rio de Janeiro. Padre Jorjão, como é conhecido, é amigo do cantor e esteve em São Paulo especialmente para a despedida de Maria Rita. Seguranças e amigos, entre os quais o velho parceiro Erasmo Carlos, chegaram a formar uma barreira em frente ao túmulo para que o rei se despedisse da mulher, rezando um Pai Nosso e uma Ave Maria na cerimônia de encomendação do corpo.

Aplausos - O retorno de Roberto Carlos ao jazigo deu trabalho para a polícia, que já havia aberto caminho entre a multidão para que o carro saísse do cemitério, mas agradou os fãs, que receberam o rei com novos aplausos e gritos de incentivo. "Ele driblou a gente, mas não houve problemas", disse o tenente coronel Márcio Silva, da Polícia Militar, responsável pelo aparato de 120 homens destacados para fazer a segurança no cemitério. A Guarda Civil Metropolitana deslocou outros 120 homens e também não teve trabalho. Apenas uma fã exaltada tentou jogar-se para cima do carro em que o cantor se encontrava, mas foi contida pelos guardas e dominada até que o rei deixasse o cemitério.

Maria Rita Simões Braga, de 38 anos, faleceu no domingo às 23 horas, no Hospital Albert Einstein, onde estava internada desde o dia 24 de novembro. Ela sofria de um raro câncer pélvico detectado em setembro do ano passado. O velório foi realizado nas dependências do hospital e contou com a presença de algumas personalidades dos cenários político e artístico. Houve missa de corpo presente na capela do hospital, presidida por Dom Fernando Figueiredo, bispo de Santo Amaro e acompanhada pelos padres Marcelo Rossi, Antônio Maria e Jorjão. A apresentadora de televisão Hebe Camargo também compareceu.

Anjo da guarda - Hebe disse que o momento era muito emocionante, mas que Roberto Carlos permaneceu calmo. "Eu sempre disse a Maria Rita que ela era o anjo da guarda dele e que continuará a ser", revelou.

Segundo a apresentadora, para ficar ao lado da mulher, Roberto Carlos chegou a suspender todos os shows. "Ele queria ficar o maior tempo possível com a mulher que mais amou e que lhe deu tanto amor", disse.

Da turma da Jovem Guarda, compareceram ao velório a cantora Wanderléia, que saiu segurando um terço, o amigo Erasmo Carlos, também parceiro na maioria das músicas de sucesso, e Ronnie Von. Os irmãos Chitãozinho e Xororó também foram prestar solidariedade ao amigo. O prefeito Celso Pitta e o ex-prefeito Paulo Maluf estiveram no Einstein para levar solidariedade ao cantor. O casal Eduardo e Marta Suplicy mandou uma carta. Na madrugada, o empresário Antônio Ermírio de Moraes, também esteve no local.

 

História de amor proibida

Quando conheceu Roberto Carlos, Maria Rita Simões tinha 16 anos e era aluna no Colégio Dante Alighieri, escola tradicional da elite paulistana, onde também estudava a filha de Cleonice Rossi, a Nice, com quem o rei se casou, pela primeira vez, em 1968, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. Separado de Nice, Roberto fazia show num festival em Campos do Jordão (SP). O rei e a estudante se apaixonaram, mas os pais da jovem não consentiram no namoro.

Com Nice, o cantor teve dois filhos: Roberto Carlos Braga Segundo, o Segundinho, em 69, e Luciana, em 71. No começo da década de 80, depois de separar-se de Nice, o cantor se casou com a atriz Myriam Rios. Nice morreu de câncer no seio, em 1990. O segundo casamento de Roberto durou 11 anos.

Em 1991, foi a vez da professora e psicóloga Maria Rita. Amigas garantem que ela não se casara porque esperava Roberto Carlos. Finalmente em 93 o casal assumiu o romance, durante show beneficente no Rio. Maria Rita foi apresentada de mesa em mesa, como namorada de Roberto, pela organizadora do evento.

Em 15 de abril de 96, o Rei e Maria Rita casaram-se em discretíssima cerimônia na Igreja de Nossa Senhora do Brasil, vizinha ao apartamento de Roberto, no bairro carioca da Urca. Foi na presença de poucos amigos que o cantor oficializou perante a legislação brasileira, pela primeira vez, uma união conjugal. Era uma segunda-feira, aniversário de Maria Rita, que, vestida de branco, realizou o sonho da juventude.

Orações - Tão religiosa quanto o marido, Maria Rita pedia proteção a Nossa Senhora todas as terças-feiras, na casa de uma amiga, onde um grupo se reunia para rezar o terço. Quando o papa João Paulo II esteve no Rio, em outubro de 97, Roberto e a mulher foram recebidos pelo pontífice. A pedido do cantor, o papa abençoou dois terços.

Em setembro de 98, começou o drama de Maria Rita. Ao submeter-se a cirurgia para retirada de mioma no útero, os médicos encontraram um grande tumor ma região pélvica da mulher do rei, constatando que o câncer era raro e crescia de maneira anormal. Em outubro, ela foi internada no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Submetida a outras cirurgias e a tratamento quimioterápico e de radioterapia, perdeu peso e os cabelos.

Pessoas que acompanharam a doença de Maria Rita afirmam que nem mesmo nos momentos mais difíceis sua fé foi abalada. Seu quarto no hospital paulistano recebeu crucifixos e imagens de santos, providenciados pelo marido, numa espécie de altar. Durante toda a fase final da doença, correntes de oração pelo restabelecimento de Maria Rita foram realizadas em todo o país. Em agosto, Roberto chegou a acreditar que um milagre tinha curado a mulher, pois uma tomografia não detectara sinais do tumor.


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