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Igreja de Miranda - Matriz de Miranda do Douro

 

Edificada entre os séculos XVI e XVIII, a antiga Sé de Miranda do Douro teve mão de mestres notáveis, casos de Francisco Torralva, Francisco Velásquez e Miguel Arruda.Trata-se de uma arquitectura do tipo maneirista.

A sé apresenta planta cruciforme em três naves separadas por pilares e frontespicio harmónico. Juntamente com as sés de Leiria e Portalegre, constitui um dos três grandes templos mandados construir por D. João III, neles se entrecruzando soluções góticas com elementos renascentistas, mas já de transição para o maneirismo.

Se o exterior lembra mais a Sé de Portalegre que a de Leiria, o interior relaciona-se com ambos, salientando-se o mesmo tipo de pilares e uma comum expressão na decoração das abóbadas. O retábulo-mor, com baixos-relevos em forma de grandes painéis policromados, integra-se na fase seiscentista da talha do renascimento, de grande influência espanhola, sobretudo da Real Escola de Valladolid, de onde veio. O cadeiral, com quadros pintados nos respaldos, é barroco, de estilo nacional.

O edificio tem uma planta composta cruciforme, com o transepto semelhante aos das naves. O alçado principal, em cantaria, mostra duas enormes torres, que acentuam a verticalidade do imóvel. O portal principal é de arco pleno, encimado por janelão moldurado de motivos geométricos. Estes sao ladeados por duas ordens de colunas, existindo no registo superior dois nichos.

A fachada possui ainda quatro janelas, duas em cada registo. Ao alto destaca-se uma balaustrada. Duas torres ladeiam a fachada e dividem-se em três registos. No primeiro, uma janela semelhante As atrás descritas, enquanto no segundo uma ventana para sino. Por cima da cornija foi erigido um campanário.

Um dos aspectos mais emblemáticos do templo reside no facto de albergar a imagem do Menino Jesus da Cartolinha, lá no seu canto do templo que foi sede do antigo bispado mirandês. Aquela imagem retrata a devoção regional. Trata-se de uma estátua que tem as honras e o ordenado de capitão do Exército português.

Uma das caracteristicas curiosas desta imagem é que dispõe do maior guarda-roupa da imaginária portuguesa. Isto apesar de sair sempre com a mesma fatiota do século XVIII, com uma Cartolinha um tanto inesperada, para além de uma condecoração ao peito. Para as tardes mais soalheiras, dispõe mesmo de um palhinhas, para além da inevitável espada, que traz à cintura.

A lenda diz que a arma remonta ao tempo da Guerra da Restauração. Estando Miranda cercada e quase perdida, escasseando os alimentos e nao aparecendo reforços, ali esteve a salvação. E que, às tantas, ouviu-se um grito sobreposto As palavras dos que aconselhavam a rendição. Um grito galvanizador. E entre lanças, espingardas, espadas e enxadas, pás, machados e picaretas, a turba mirandesa abriu as portas, mas não para se render. Caiu, isso sim, sobre os castelhanos, correndo com eles. Quem deu o grito? Quem os comandou? Parece que um menino, que todos diziam estar vestido como o Menino Jesus da Cartolinha.

Promoveram depois o menino a capitão da tropa lusa e no dia de Santa Bárbara ele vai em procissão, saindo da sua redoma de vidro.

In Portugal Eterno

 

 

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