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ACRA UNID (Mural UNID Online) Resistência Mulata |
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Os sociólogos franceses Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant denunciam no artigo "Sur les ruses de la raison impérialiste" (publicado no periódico Actes de la recherche en sciences sociales 121/122, Mars, 1998 - disponível em português aqui) o importante papel que as grandes fundações norte-americanas de filantropia e de pesquisa desempenham na difusão do pensamento "racial (ou racista)" norte-americano na Universidade brasileira e da polêmica "ação afirmativa" na nossa sociedade. Os sociólogos franceses revelam, por exemplo, que Fundação Rockefeller, financia um programa sobre "Raça e Etnicidade" na Universidade Federal do Rio de Janeiro e o Centro de Estudos Afro-Asiáticos da Univesidade Candido Mendes e denunciam que a Fundação Rockefeller "impõe como condição de sua assistência que as equipes de investigação obedeçam ao critério de affirmative action à americana". No artigo "Democracia racial brasileira 1900-1990: um contraponto americano" (publicado pela revista uspiana Estudos Avançados, 30, 1997), o historiador norte-americano George Reid Andrews afirma entusiasmadamente que os financiamentos da Fundação Ford "foram crucialmente importantes no apoio a uma variedade de projetos centrados na problemática da raça: conferências e publicações, criação de arquivos sobre a história dos negros, atividades culturais e comunitárias e viagem de estudiosos, intelectuais e ativistas brasileiros aos Estados Unidos para conhecer e consultar seus pares americanos"e ressalta que outras influências externas e ataques "se combinaram para minar a hegemonia ideológica da democracia racial no Brasil". O jornalista Paulo Moreira Leite mostrou em reportagem (Estado de S. Paulo, 30/4/2006), que a Fundação Ford é uma das grandes financiadoras do movimento negro no planeta. Pierre Bourdieu e Loïc Wacquant não mencionam a Fundação Ford. Cientes, no entanto, das pretensões supremacistas no movimento negro brasileiro e do problema do imperialismo cultural norte-americano, os renomados sociólogos franceses indagam: "O que pensar desses pesquisadores americanos que vão ao Brasil encorajar os lideres do Movimento Negro a adotar as táticas do movimento afro-americano de defesa dos direitos civis e denunciar a categoria pardo (termo intermediário entre branco e preto e que designa as pessoas de aparência física mista) a fim de mobilizar todos os brasileiros de ascendência africana a partir de uma oposição dicotômica entre "afro-brasileiros" e "brancos" exatamente no momento em que, nos Estados Unidos, os indivíduos de origem mista se mobilizam a fim de que o Estado americano (a começar pelo departamento de recenseamento) reconheça oficialmente os americanos "mestiços", deixando de os classificá-los à força sob a etiqueta única de "negro"? |
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Em dois artigos publicados no Jornal do Brasil em abril e maio de 1972, J. O. Meira Pena desmascarou, segundo o sociólogo Thales de Azevedo, "a pretensão oficial de apresentar o Brasil como um país branco e ocidental, observando que "a questão da cor coloca-se indubitavelmente em nosso país. - em grande parte inconsciente, mas nem por isso deixa de existir. Se somos brancos, pretos ou mestiços, ou se o número de mestiços é mesmo, como desejam algumas publicações, 'diminuto' - o fato é que a nossa persona é branca". Nos anos 1980, o deputado e militante negro Abdias do Nascimento também denunciou que a publicação Brazil 1966, editada pelo Ministéio das Relações Exteriores, afirmava que "a maioria da população brasileira é branca, a porcentagem de sangue misto diminuta". Em 1911, o racista (branco) João Batista Lacerda apresentou ao I Congresso Univesal das Raças, realizado em Londres, a comunicação "Sur les métis au Brésil" (Sobre os mestiços no Brasil). Nela, ele defende a seguinte tese (conhecida como "teoria do branqueamento" no mundo acadêmico): "La sélection sexuelle se poursuivant, achève toutefois de subjuguer l'atavisme et purge les descendants des métis de tous les traits caractéristiques du noir.Grâce à ce procédé de réduction ethnique, il est logique de supposer que dans l'espace d'un nouveau siècle les métis auront disparu du Brésil...". Isto é, com a "seleção sexual" - ou seja, o casamento de mestiços (mulatos) com os brancos (sobretudo os imigrantes), que, segundo Batista Lacerda, "purga os descendentes dos mestiços dos traços característicos dos negros" - "é lógico supor que no espaço de um novo século os mestiços terão desaparecido do Brasil". "Nas regiões pouco povoadas", onde se encontram "mestiços de brancos e de índios...à medida que a civilização penetrar", eles "tenderão a desaparecer", conjecturou o renomado ideólogo racista. Quase um século depois em Durban, os militantes negros apresentaram, dissimuladamente no relatório oficial apresentado à III Confêrencia Mundial contra o Racismo, a nova teoria racista vigente no País: "Dados estatísticos e estimativas recentes indicam que a população negra representa 45% [7] da população brasileira...". A nota 7 explica que "para efeito deste relatório, considerou-se a categoria "população negra" como soma das categorias 'pretos' e 'pardos'...". Os mestiços desapareceram oficialmente do Brasil. |
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Alianza política "Ya en su discurso de investidura, el Señor Presidente de la República, Fernando Henrique Cardoso, inició una nueva etapa en el tratamiento dispensado por el Estado brasileño a la problemática racial: por primera vez en la historia, la autoridad máxima del país asumió la existencia y la relevancia del problema racial y reconoció la interlocución del Movimiento Negro..." * Propuestas racistas PNDH ** - I : "Determinar al IBGE la adopción de un criterio que considere a los mulatos, pardos y pretos como integrantes de la población negra." PNDH - II : "Proponer al Instituto Brasileño de Geografía y Estadística (IBGE) la adopción de un criterio abarcador con el fin de considerar a los pretos y pardos como integrantes de la población afrodescendiente." ___________ * Relatório do Comitê Nacional para o Preparação da Participação Brasileira na III Conferêcia Mundial das Nações Unidas contra o Racismo ** Programa Nacional de Direitos Humanos Pardo - En el PNDH (Programa Nacional de Derechos Humanos)- I, un término étnico que designaba otrora al mestizo de origen blanco, indígena y negro (es decir, el mestizo multiétnico); en el PNDH - II, una de las categorías de color del IBGE, sinónimo arcaico de moreno. Preto - Sinómino (hoy peyorativo) de negro. |
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"Coincidindo com o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial", o jornal O Estado de S. Paulo (22/3/2003) assinalou que o presidente Lula inaugurou a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), órgão com status de ministério que "vai combater a discriminação racial". Matilde Ribeiro, militante negra e chefe da SEPPIR, "tem a missão de trabalhar em articulação com os outros ministérios para não repetir iniciativas do governo passado, que, na avaliação de Lula, 'eram ações isoladas ou de caráter propagandístico'". Segundo a Folha de S. Paulo (22/3/2003), "havia cerca de 500 convidados, a maioria ligada ao movimento negro". Entretanto, a Folha destacou o "'esquecimento' dos índios na cerimônia" oficial, que foi "interpretado como 'discriminação' por um dos únicos três representantes indígenas presentes, o vereador Jeremias Xavante (PL), de Campinópolis", que declarou à Folha: "Os índios também deveriam ter sido destacados. Os índios que têm dança poderiam também ter vindo dançar. Ficamos em segundo plano". "Todo mundo pensa que o problema [indígena] é tão insignificante que esquecem dele. Temos muitos dos mesmos problemas que os negros, de acesso à educação, saúde e emprego. Também enfrentamos o racismo", acrescentou o representante Xavante. Segundo a Folha, "Lula disse que o 'foco principal' da secretaria serão os negros". Em novembro de 2003, Lula reproduziu a teoria racista do enegrecimento durante a cerimôia em comemoração ao Dia da Consciêcia Negra, realizada en Alagoas: "Hoje, somos a segunda maior nação negra do planeta, só menor do que a Nigéria". Por outro lado, Lula ressaltou que "um levantamento do IBGE demonstra que apenas 6,5% dos brasileiros se reconhecem negros. Não há sintoma mais dramáico de racismo numa sociedade do que induzir um homem e uma mulher a negarem a sua prória identidade". Não há sintoma mais dramático de racismo num país do que a oficialização do discurso supremacista e da institucionalização de uma secretaria racista, como desmascarou Julia Duailibi, jornalista da revista Veja. Sob o título "Paraíso negro em Brasília" (Veja, 14/12/2005) Julia Duailibi denunciou que a SEPPIR "tem sessenta funcionários, dos quais pelo menos 90% se declaram negros... Só 10% se declararam brancos. Além desses sessenta funcion´rios, também trabalha na secretaria mais de uma dezena de consultores contratados pela Unesco - e maioria deles, naturalmente também é negra. As demais ofertas cromáticas presentes no Brasil - os índios, por exemplo - não aparecem no quadro racial da Secretaria da Igualdade Racial. É um escândalo de discriminação justamente onde a questão racial deveria ser tratada igualitariamente não? Pode parecer, mas não é", afirmou a jornalista. Entrevistada, Maria Inês da Silva Barbosa, diretora da área de políticas de ações afirmativas , explicou: "A direção da secretaria é toda negra. As outras minorias não estão preparadas para esta política. O acúmulo de conhecimento, de informação em torno da causa da igualdade racial está conosco". |
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O mulato, por defini��o, � um mesti�o de negro e branco. Neste fato simples e evidente, t�o �bvio que sobre ele muitos se escusam de meditar, reside, entretanto, nas condi��es peculiares � situa��o racial brasileira, um mundo de contradi��es sociais e psicol�gicas, sobre as quais, para agrav�-las, se tem acumulado grossa camada de opini�es superficiais, sem base na observa��o dos fatos, interpreta��es de t�o f�cil aceita��o quanto pobres de subst�ncia cient�fica. (p. 198) (...) Numa sociedade em que as posi��es de classe e de etnia t�o nitidamente se identificaram, e por tanto tempo, quanto mais branco, ou menos preto, o indiv�duo, maiores as suas oportunidades de transpor as barreiras � ascens�o social, que depende diretamente da cor [e?] de outros �tnicos aparentes. Essa vantagem do mulato sobre o negro como que � compensada pelo fato de, em conseq��ncia dela, o mulato estar sempre mais pr�ximo do que o negro de cruzar a linha social de cor, o que faz com que sobre ele particularmente incidam os estere�tipos que visam definir sua posi��o . Esta defini��o de posi��o � um problema quotidiano, permanente, constante, muitas vezes dram�tico,nem sempre consciente, vivido, entretanto, por todo mulato brasileiro que est� em processo de adquirir um status social diverso daquele em que permanece a maioria esmagadora dos que lhe s�o ernicamente semelhantes e dos quais ele socialmente se distancia. Essa ambival�ncia reflete-se de mil maneiras, inclusive na multiplicidade de modos e palavras existentes para designar os diversos graus de mesti�agem e os diversos estados de maior ou menor receptividade ou hostilidade em rela��o ao mesti�o. Mesti�o, mulato, roxo, "moreno",pardo , escuro, tira-teima etc. etc, em diversos contextos de frases, indicam a procura de express�es que permitam refer�ncia � condi��o �tnica sem ferir a sensibilidade das pessoas a respeito das quais s�o usadas, ou, noutros casos, a inten��o deliberada de ferir. Tais voc�bulos, por outro lado, comportam, quase todos, os respectivos diminutivos, que s�o outras tantas variantes. Esses diminutivos, por sua vez, est�o longe de significar sempre carinho, do�ura ou afetividade, podendo muitas vezes traduzir desprezo e humilha��o. Dita de certa forma a express�o "mulatinho" pode ser t�o pejorativa quanto o voc�bulo "negrinha" (p. 200) para indicar o �ltimo grau de ofensa e agress�o verbal. Embora n�o seja a �nica, a no��o subalterna impl�cita em muitas express�es que designam a mesti�agem � a de um nascimento ileg�timo. Parece-nos haver aqui, no m�nimo, tres grandes linhas no sentido das quais esse processo de defini��o de posi��o tem lugar: a) os mecanismos de defesa e purifica��o racial do grupo branco tendem a p�r em foco o que h� de preto no mulato, para assim reconduzi-lo ao seu lugar . Isto � feito de v�rias formas, a maioria delas de acentuada sutileza, pois trata-se de lograr o efeito sem violentar abertamente a opini�o confessa de que "no Brasil n�o existe preconceito racial"... A necessidade , ou melhor, a conveni�ncia de respeitar o grande slogan resulta em toda uma complexa etiqueta racial, que oferece �s vezes aspectos contradit�rios pois n�o raro a discrimina��o se faz, consciente ou inconscientemente, tratando-se o elemento de cor como se fosse branco, muitas vezes com exageradas amanilidades, liberalidade que em regra provoca ressentimentos, j� que tratar algu�m como se fosse � em certo sentido o mesmo que declarar-lhe claramente que n�o �. (p. 201) (...) De fato, o mulato, porque mesti�o de branco e preto, sofre menos do que este a a��o de certa ordem de preconceitos de marca, ou de cor, em que matiz da epiderme e outros tra�os aparentes da condi��o �tnica representam o crit�rio essencial da discrimina��o: neste caso, ele � ajudado pelo que nele h� de branco nele. Por outro lado, sua mesma condi��o de negro e branco faz com que ele seja encarado por certos setores do grupo branco como uma esp�cie de vanguarda de uma invas�o dos elementos de cor em geral, de todos os matizes, �quelas posi��es sociais em que o mulato mais facilmente do que o negro pode penetrar e que t�m sido, historicamente, em nossa sociedade, monop�lio do branco; neste caso, o que ele tem de negro � o seu grande handicap, pois � precisamente isso o que o estere�tipo focaliza e destaca, como que para compensar a vantagem obtida em conseq��ncia do que nele h� de branco. (p. 203) * Passagens do livro O negro no Rio de Janeiro, publicado pelo soci�logo L.A. Costa Pinto em 1953. |