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Onde o mar dos dias � mais gelado e Onde o a correnteza do tempo nos consome mais voraz, Tamb�m dormem os sonhos, os desejos, as incertezas, os desencontros, os corais... Aqui onde a areia baila �bria e a brisa entoa a melodia triste do existir, ouve-se ainda A marcha f�nebre dos que partiram rumo ao horizonte, fica ent�o o choro-desconsolo de mulheres Que agora rezam, que dia-a-dia , sol � a � sol ainda h�o de esperar. Aqui onde a tarde � sempre cinza, onde paix�es sempre findam, o vento insiste em encher de esperan�a essas velas. Os motores palpitam incessantes, teimosos, por�m os barcos, nos seus �ntimos realmente sabem... J� est�o mortos. in�cio A chuva daqueles dias sempre me vinham com gotas de nostalgia. Ah, as gotas daqueles dias! Dias marrons, cinzentos, dias rom�nticos. Mas como ser rom�ntico quando se estar s�? Dias de beber caf�, de sentir frio, dias bizarros... De banho na rua, de p�ra-brisa ligado, guarda-chuva na m�o, dia dos namorados. in�cio Nossa Senhora desatadora dos n�s, Da�-me a resposta para essa d�vida atroz. Um poema escrever ou uma tela pintar? Mas o poema j� foi pintado e a tela j� escrita. Ser� o poeta que andou pela noite ou o pintor que exagerou na bebida? E agora o que vai lhes restar? Deitar numa rede, esvaziar a garrafa, derrubar algumas cinzas, Simplesmente esperar a noite chegar? in�cio Imenso mar azul de ondas branqu�ssimas, as palavras em teus seios N�o s�o poemas, muito menos poesia. Flutuando sobre ti, palavras Formam esmola, caridade. Mar de incertezas deitado em gaveta suja, praia mansa que n�o tem Brisa, nem coqueiro, barcos, nem vela. H� apenas l�grimas, mulheres Com filhos no colo implorando leite, suplicando um gesto teu. Mas o peixe que vem de ti � podre, espinhento. S� alimenta os que j� est�o fartos, saciados, que agora palitam os dentes E cada vez mais adoram o �n�o�. in�cio Quando chegar a hora de eu partir Para onde sopra o vento Lembra de mim como um amigo E n�o como tormento. Quando os m�sicos da orquestra entoarem os primeiros acordes da inevit�vel alvorada, Lembra que por tua vida um dia passei, Mas que em ti jamais fiz morada. Quando finalmente os �Gritos do Sil�ncio� tocarem Os teus ouvidos, Lembra de mim, n�o com l�grimas nos olhos, Mas com nos l�bios, um largo sorriso. Quando os p�ssaros passarem em revoada e a Nostalgia voc� sentir como em todos os dezembros Lembra de mim como um conforto E n�o como lamento. E quando a chuva chegar arrastando o novo janeiro Saber�s que para mim jamais foi �ltimo, fostes sempre primeiro. Quando ouvires o �ltimo pio da coruja e eu em definitivo Estiver onde vivem os esp�ritos dos girass�is Saibas que j� n�o serei mais eu, e sim serei v�s. in�cio Tudo que agora aqui eu diga � ti n�o ter� nenhum sentido E sei que isso te provoca d� e espanca-te os ouvidos. Sei que me chama de louco, sonhador, revoltado. Queria eu ser um louco consciente da pr�pria loucura, Um sonhador arquiteto dos pr�prios sonhos, Ou ainda um motivo, uma causa da pr�pria revolta. Do alto da minha loucura vos digo: A riqueza das palavras s� tem mesmo valor quando Convertida em atitude. Pouco me importa se � mim trancas os ouvidos, Pois sei que teus olhos cegar�o quando diante �s minhas atitudes. in�cio Deslumbra-me escurid�o radiante e luminosa, Felinos sobre telhas, pestaneiam. F�meas atrativas, perigosas. Deslumbra-me tapas de paix�o, beijos perdoados, Descontentamento m�rbido nas cal�adas, espuma branca embriagada. Deslumbra-me movimentos multiformes, morma�o quente, sombrio. E o sereno que � calm�ssimo, derramou-se e sumiu. Deslumbra-me quando as �rvores j� respiram sonolentas, os c�es j� uivando num angustiante cio, Nessa hora at� o vento sopra frio. Deslumbram-me a serenata das estrelas que nada sofrem se comparadas a mim. Eu que de t�o s�, deslumbro-me por ti. in�cio Da� asas as palavras, pois tua imagina��o j� � um p�ssaro a voar sem pouso certo. Invade o deserto branco e explora-o vorazmente com a gula de flagelo suplicando p�o. Arrebenta a porta do teu peito e liberta o movimento dos teus dedos, deixa-os tecer o fio longo dos versos que aglomeram-se a todo instante. Seguir�s a cantar as paisagens, as angustias, os amores, as diverg�ncias, n�o importa o tom da melodia, mas seguir�s a cantar. Rir�s da dor alheia, brincar� com a pr�pria sorte, mas continuar�s a escrever, pois o elo de tuas letras n�o encontram barreiras. N�o te importar�s com a est�tica liter�ria, n�o imitar�s os autores por ti favoritos,�( Antes de ler o livro que o Guru lhe deu voc� tem que escrever o seu)�. Jamais te importar�s com a rima. Uma vez que teus sentimentos n�o possuem sons, como ir� rima-los? N�o importa quando a guerra dos sexos, das incertezas, das solid�es, das paix�es vierem assombrar-te � alma, sei que n�o fugir�s, pois nesses momentos � que tuas mais te fortalecem. Erguer�s a clava dos sonetos contra a inveja, empunhar�s a espada dos trovadores contra a falsidade humana. E quando o vento vier arrastando com ele o clar�o da aurora que abre as janelas de um novo dia, acordar�s e novamente voltar�s a ser mortal. Mas uma nova noite tamb�m h� de chegar e certamente com ela a poesia contida no teu sono vir� outra vez ver-te voar. in�cio
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