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(7-1-1935) A LUA (dizem os ingleses) É feita de queijo verde. Por mais que pense mil vezes Sempre uma idéia se perde. E era essa, era, era essa, Que haveria de salvar Minha alma da dor da pressa De... não sei se é desejar. Sim, todos os meus reveses São de estar sentir pensando... A Lua (dizem os ingleses) É azul de quando em quando. início AH, QUANTA melancolia! Quanta, quanta solidão! Aquela alma, que vazia, Que sinto inútil e fria Dentro do meu coração! Que angústia desesperada! Que mágoa que sabe a fim! Se a nau foi abandonada, E o cego caiu na estrada - Deixai-os, que é tudo assim. Sem sossego, sem sossego, Nenhum momento de meu Onde for que a alma emprego - Na estrada morreu o cego A nau desapareceu. início Caminho a teu lado mudo Sentes-me, vês-me alheado ... Perguntas: Sim... Não ... Não sei... Tenho saudades de tudo... Até, porque está passado, Do próprio mal que passei. Sim, hoje é um dia feliz. Será, não será, por certo Num princípio não sei que Há um sentido que me diz Que isto - o céu longe e nós perto É só a sombra do que é ... E lembro-me em meia-amargura Do passado, do distante, E tudo me é solidão ... Que fui nessa morte escura? Quem sou neste morto instante? Não perguntes...Tudo é vão. início Dói viver, nada sou que valha ser. Tardo-me porque penso e tudo rui. Tento saber, porque tentar é ser. Longe de isto ser tudo, tudo flui. Mágoa que, indiferente, faz viver. Névoa que, diferente, em tudo influi. O exílio nado do que fui sequer Ilude, fixa, dá, faz ou possui. Assim, noturno, a árias indecisas, O prelúdio perdido traz à mente O que das ilhas mortas foi só brisas, E o que a memória análoga dedica Ao sonho, e onde, lua na corrente, Não passa o sonho e a água inútil fica. início Sabes quem sou? Eu não sei. Outrora, onde o nada foi, Fui o vassalo e o rei. É dupla a dor que me dói. Duas dores eu passei. Fui tudo que pode haver. Ninguém me quis esmolar; E entre o pensar e o ser Senti a vida passar Como um rio sem correr início Tenho escrito muitos versos, muitas cousas a rimar, dadas em ritmos diversos ao mundo e ao se ouvidar. Nada sou, ou fui de tudo. Quanto escrevi ou pensei é como o filho de um mudo- "amanhã eu te direi". É isto só por gesto e esga, feito de nadas em dedos como uma luz ao passar por onde havia arvoredos. como uma luz ao passar por onde havia arvoredos. início Se estou só, quero não estar, (2-7-1931) Se estou só, quero não estar,
Ser feliz é ser aquele.
A gente faz o que quer
Não quero rosas, desde que haja rosas. Quero-as só quando não as possa haver. Que hei-de fazer das coisas Que qualquer mão pode colher? Não quero a noite senão quando a aurora A fez em ouro e azul se diluir. O que a minha alma ignora É isso que quero possuir. Para quê?... Se o soubesse, não faria Versos para dizer que inda o não sei. Tenho a alma pobre e fria... Ah, com que esmola a aquecerei?... início
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