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Vol�pia No divino impudor da mocidade, Nesse �xtase pag�o que vence a sorte, Num fr�mito vibrante de ansiedade, Dou-te o meu corpo prometido � morte! A sombra entre a mentira e a verdade... A n�vem que arrastou o vento norte... --- Meu corpo! Trago nele um vinho forte: Meus beijos de vol�pia e de maldade! Trago d�lias vermelhas no rega�o... S�o os dedos do sol quando te abra�o, Cravados no teu peito como lan�as! E do meu corpo os leves arabescos V�o-te envolvendo em c�rculos dantescos Felinamente, em voluptuosas dan�as... in�cio Se t� viesses ver-me Se tu viesses ver-me hoje � tardinha, A essa hora dos m�gicos cansa�os, Quando a noite de manso se avizinha, E me prendesses toda nos teus bra�os... Quando me lembra: esse sabor que tinha A tua boca... o eco dos teus passos... O teu riso de fonte... os teus abra�os... Os teus beijos... a tua m�o na minha... Se tu viesses quando, linda e louca, Tra�a as linhas dulc�ssimas dum beijo E � de seda vermelha e canta e ri E � como um cravo ao sol a minha boca... Quando os olhos se me cerram de desejo... E os meus bra�os se estendem para ti... in�cio Inconst�ncia Procurei o amor, que me mentiu. Pedi � Vida mais do que ela dava; Eterna sonhadora edificava Meu castelo de luz que me caiu! Tanto clar�o nas trevas refulgiu, E tanto beijo a boca me queimava! E era o sol que os longes deslumbrava Igual a tanto sol que me fugiu! Passei a vida a amar e a esquecer... Atr�s do sol dum dia outro a aquecer As brumas dos atalhos por onde ando... E este amor que assim me vai fugindo �� igual a outro amor que vai surgindo, Que h�-de partir tamb�m... nem eu sei quando... in�cio A nossa Casa A nossa casa, Amor, a nossa casa! Onte est� ela, Amor, que n�o a vejo? Na minha doida fantasia em brasa Costr�i-a, num instante, o meu desejo! Onde est� ela, Amor, a nossa casa, O bem que neste mundo mais invejo? O brando ninho aonde o nosso beijo Ser� mais puro e doce que uma asa? Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos, Andamos de m�os dadas, nos caminhos Duma terra de rosas, num jadim, Num pa�s de ilus�o que nunca vi... E que eu moro - t�o bom! - dentro de ti E tu, � meu Amor, dentro de mim... in�cio Tortura Tirar dentro do peito a Emo��o, A l�cida verdade, o Sentimento! -- E ser, depois de vir do cora��o, Um punhado de cinza esparso ao vento!... Sonhar um verso de alto pensamento, E puro como um ritmo de ora��o! -- E ser, depois de vir do cora��o, O p�, o nada, o sonho dum momento... S�o assim ocos, rudes, os meus versos: Rimas perdidas, vendavais dispersos, Com que eu iludo os outros, com que minto! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! in�cio Amor que Morre O nosso amor morreu... Quem o diria! Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta, Ceguinha de te ver, sem ver a conta Do tempo que passava, que fugia! Bem estava a sentir que ele morria... E outro clar�o, ao longe, j� desponta! Um engano que morre... e logo aponta A luz doutra miragem fugidia... Eu bem sei, meu Amor, que pra viver S�o precisos amores, pra morrer, E s�o precisos sonhos para partir. E bem sei, meu Amor, que era preciso Fazer do amor que parte o claro riso De outro amor imposs�vel que h�-de vir! in�cio Exalta��o Viver!... Beber o vento e o sol!... Erguer Ao C�u os cora��es a palpitar! Deus fez os nossos bra�os pra prender, E a boca fez-se sangue pra beijar! A chama, sempre rubra, ao alto, a arder!... Asas sempre perdidas a pairar, Mais alto para as estrelas desprender!... A gl�ria!... A fama!... O orgulho de criar!... Da vida tenho o mel e tenho os travos No lago dos meus olhos de violetas, Nos meus beijos ext�ticos, pag�os!... Trago na boca o cora��o dos cravos! Bo�mios, vagabundos, e poetas: --- Como eu sou vossa Irm�, � meus Irm�os!... in�cio Charneca em Flor Enche o meu peito, num encanto mago, O fr�mito das coisas dolorosas... Sob as urzes queimadas nascem rosas... Nos meus olhos as l�grimas apago... Anseio! Asas abertas! O que trago Em mim? Eu oi�o bocas silenciosas Murmurar-me as palavras misteriosas Que perturbam meu ser como um afago! E, nesta febre ansiosa que me invade, Dispo a minha mortalha, o meu bruel, E j� n�o sou, Amor, Soror Saudade... Olhos a arder em �xtases de amor, Boca a saber a sol, a fruto, a mel: Sou a charneca rude a abrir em flor! in�cio Teus Olhos Olhos do meu Amor! Infantes loiros Que trazem os meus presos, endoidados! Neles deixei, um dia, os meus tesoiros: Meus an�is, minhas rendas, meus brocados. Neles ficaram meus pal�cios moiros, Meus carros de combate, destro�ados, Os meus diamantes, todos os meus oiros Que trouxe d'Al�m-Mundos ignorados! Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas... Enigm�ticas campas medievais... Jardins de Espanha... catedrais eternas... Ber�o vindo do C�u � minha porta... � meu leito de n�pcias irreais!... Meu sumptuoso t�mulo de morta!... in�cio Saudades Saudades! Sim... talvez... e porque n�o?... Se o nosso sonho foi t�o alto e forte Que bem pensara v�-lo at� � morte Deslumbrar-me de luz o cora��o! Esquecer! Para qu�?... Ah! como � v�o! Que tudo isso, Amor, nos n�o importe. Se ele deixou beleza que conforte Deve-nos ser sagrado como p�o! Quantas vezes, Amor, j� te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar Mais a saudade andasse presa a mim! in�cio Fumo Longe de ti s�o ermos os caminhos, Longe de ti n�o h� luar nem rosas, Longe de ti h� noites silenciosas, H� dias sem calor, beirais sem ninhos! Meus olhos s�o dois velhos pobrezinhos Perdidos pelas noites invernosas... Abertos, sonham m�os cariciosas, Tuas m�os doces, plenas de carinhos! Os dias s�o Outonos: choram... choram... H� cris�ntemos roxos que descoram... H� murm�rios dolentes de segredos... Invoco o nosso sonho! Estendo os bra�os! E ele �, � meu Amor, pelos espa�os, Fumo leve que foge entre os meus dedos!... in�cio Ser Poeta Ser poeta � ser mais alto, � ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! � ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de �quem e de Al�m Dor! � ter de mil desejos o esplendor E n�o saber sequer que se deseja! � ter c� dentro um astro que flameja, � ter garras e asas de condor! � ter fome, � ter sede de Infinito! Por elmo, as manh�s de oiro e de cetim. . � condensar o mundo num s� grito! E � amar-te, assim, perdidamente... � seres alma, e sangue, e vida em mim E diz�-lo cantando a toda a gente! in�cio
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