CENTRAL DE QUADRINHOS BRASILEIROS - OPINIÃO 26
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DEPOIMENTO DE FÃ
(Por Rafael Grasel *)
Quem sou eu? Não importa tanto assim. Afinal, sou só mais um desenhista amador e
aspirante a escritor, dentre tantos outros que pululam por aí.
Mas,
também tenho grandes pretensões. Sair logo do circuito "underground" artístico e
conquistar o mundo com meu traço simples, com minha arte artesanal.
Mas, por que este artista novato ia se meter a desenhar um personagem célebre
num traço diferente do habitual? Não sei. Experimentalismo, imitação ou simples
vontade de inovar. Resolvi simplesmente redesenhar a Velta no meu traço. Só
isso. Talvez para mostrar minha arte ou apenas para expressão minha admiração
por uma personagem tão admirável quanto seu criador.
Velta, originalmente Welta, por razões que o quadrinho explica, é uma
lourona gigante - detetive - que solta raios pelo corpo, e foi criação do
paraibano EMIR RIBEIRO, de 1973 (será que ele não teve problemas com a censura
na época?).
Quem me apresentou Velta, ainda como Welta, foi um
conhecido dele: o poeta e roteirista de quadrinhos Antonio Pereira de Mello, meu
colega dentro do Grupo Quadrinhos S.A - núcleo de quadrinhistas de Santa Maria,
RS. "Seu" Antonio, um senhor que tem muitas histórias para contar, possuía uma
coleção enorme de revistas da Welta. Ele, inclusive, conta que escreveu algumas
aventuras da lourona... e que Emir Ribeiro já desenhou para fora do país.
O nº 12 do selo Graphic Talents (Editor Escala), que eu adquiri recentemente
(refugo de banca), confirmou as afirmações do "Seu" Antonio: Emir Ribeiro
trabalhou nos Estados Unidos, desenhando uma série de cartões de personagens da
Marvel. Mas, sua personagem Velta ainda permanece como "a Musa do quadrinho
brasileiro", ou quiçá, dos quadrinhos independentes.
O mais curioso
em Velta: porque a "Musa do quadrinho nacional" é loira? Ora, porque Velta é uma
heroína construída nos moldes das heroínas norte-americanas, mas na época era
maior a necessidade de um herói nacional (não por falta de candidatos...)
Ah, mas essa não é a única explicação. Mais tarde, Emir explicaria, numa
história, que a identidade heroística da adolescente de cabelos castanhos,
rebelde e geniosa, Kátia Maria Farias Lins é assim porque o biotipo das mulheres
do planeta que domina Grosvi, lar de Snirko, o alienígena que, após ser salvo
por Kátia, lhe deu os poderes que permitem sua transformação em Velta apenas com
um comando mental.
Não
se pode reclamar que Velta não seja totalmente nacional. Ela pode ser loura de
olhos azuis (quando não é Kátia), mas possui um grande bumbum, preferência
indiscutivelmente nacional. Mas, o maior defeito de Emir talvez esteja nos seios
de suas personagens. São menores e desproporcionais às medidas da Velta. Mas,
quem vai reclamar?
A personagem é uma das minha favoritas, e se tornou assim depois de algum tempo de "convivência". Não pela Velta em si, mas porque suas histórias não se limitam à ação: também lançam mão da crítica aos problemas nacionais. São histórias ambientadas no Brasil, enfim, seriam mais nos moldes do Spirit (do gênio Will Eisner) que do Superman, pois Velta, antes de ser heroína, resolve seus casos não apenas com força, mas também com inteligência. E eu sou grande admirador de heroínas que não dependam (totalmente ou quase) dos heróis, que saibam andar por si mesmas (como Velta).
Essa paraibana-mineira merece nossa admiração e os nossos "ós!!" quando passa na rua... e olha que estou aqui, no distante Rio Grande do Sul...
Bom, esta foi a forma que encontrei para demonstrar minha admiração pela obra desta paraibano, de quem nós quadrinhistas e leitores de quadrinhos brasileiro, devemos nos orgulhar, pois ele é um batalhador como nós; em uma época em que o quadrinho nacional anda tão em baixa, que quadrinhos feitos no Brasil, numa banca, é luxo para nós; em que é difícil encontrarmos nosso lugar aos sol, devemos nos orgulhar de Emir Ribeiro e do quão longe ele chegou. Ainda podemos sonhar...
Eis um pequeno
depoimento de um fã de Velta.
Obrigado, "Seu" Antonio, por me apresentar Velta.
Obrigado, Emir Ribeiro, por Velta.
(*)Rafael Grasel é
membro do Núcleo de Quadrinhistas de Santa Maria, RS - Quadrinhos S. A.
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