Em 1964 o ex-policial Gene Rodenberry, produtor de séries de TV, entre elas The Lieutenant, apresentou à sua secretária, Dorothy Fontana o conceito de uma nave, capitaneada por um capitão de nome Robert April, que exploraria o espaço. Para que pudesse atrair a atenção dos executivos da redes de TV, que na época estavam mais interessados no sucesso dos westerns produzidos em massa até então, ele apresentou o conceito da série como "uma caravana do espaço". Seu idéia foi recusada pela CBS, que estava para lançar outra série de ficção científica entitulada, Perdidos no Espaço. Não desistindo de forma alguma, ele prosseguiu adiante e, continuou apresentando seu conceito às outras emissoras de Tv. Mas nem tudo estava perdido. Foi aí então, que um executivo chamado Oscar Katz ,um entre outros que trabalhavam nos estúdios Desilu, de propriedade da comediante Lucille Ball e seu marido Desi Arnaz, acreditou na sua idéia e junto com a NBC, solicitou a produção do piloto.
Foi produzido então, um piloto de nome "The Cage". O capitão mudou de nome para Christopher Pike, interpretado por Jeffrey Hunter, conhecido por ter trabalhado com John Wayne em Rastros de Ódio . Majel Barret , que mais tarde se tornaria esposa de Roddenberry, interpretou a primeira oficial, a Número um. E para o papel de um alienígena estranho, foi escolhido um ator chamado Leonard Nimoy.
Considerado "cerebral demais" para o público norte-americano, devido ao seu enredo profundo e às atitudes de singulares seus personagens , esse piloto foi recusado. Porém, surpreendentemente, um novo piloto foi solicitado, mas agora, com algumas restrições impostas pelos executivos da emissora. As orelhas de Spock foram consideradas assustadoras demais, e, de certa forma encaradas como uma encarnação do demônio. Além disso, uma mulher como primeiro oficial era tido como um escândalo para a época. O elenco todo foi reescalado. Spock pôde ficar, mas com a observação de ser mantido como " pano de fundo " .Majel Barret que interpretara a Primeira Oficial neste piloto, se manteve na produção, e mais tarde se transformaria na enfermeira Chapel, passando a fazer parte do elenco regular ao longo da série.
Vinte e um anos mais tarde, ela interpretaria a mãe de Deanna Troi na nova série de tv de Jornada nas Estrelas: A Nova Geração e além deste papel, ela também seria "dona" da voz do computador da Enterprise D .O novo piloto foi produzido, e se chamou " Where no Man has Gone Before " (Aonde Nenhum Homem Jamais Esteve - no Brasil). James Doohan ( o engenheiro Scotty) e George Takei ( o piloto Sulu) já estavam presentes nesta segunda produção.
Pensando estar produzindo simples aventuras no espaço, a NBC aprovou a série. Logo em seguida, Nichelle Nichols (Tenente Uhura) e DeForest Kelley (Dr. McCoy) foram contratados e se juntaram ao elenco fixo.
" Com Jornada nas Estrelas no ar, começamos a infiltrar nossas idéias ", explicava Rodenberry . Disfarçados numa roupagem de ficção científica, assuntos como as guerra de nossa história, (em especial a do Vietnã, que era o conflito presente daquela época), superpopulação, racismo e outros tantos conflitos de gerações eram abordados.Além de Roddenberry havia outro grande responsável pelo incrível sucesso de Jornada nas Estrelas. Uma das figuras de destaque na história criativa foi Gene L. Coon, responsável por ótimos roteiros que deram origem a alguns episódios de sucesso, de forma que o sucesso da série passou a ser creditado aos seus dois "bons Genes". Escritor e produtor, Coon foi responsável por muito da personalidade da série, e autor de alguns bons episódios como " Devil in the Dark " e " A Taste of Armageddon ".
Chegando ao final do primeiro ano, a atriz Nichelle Nichols insatisfeita com o papel, pensava em deixar a série, pois achava que ele não acrescentava nada à sua carreira. Foi então que o Pastor ativista Martin Luther King, em uma visita surpresa à sua casa, durante uma festa particular, pediu a ela que ficasse no programa, pois ela tinha um papel significativo representando todos os negros americanos.Todo o seu idealismo e o sucesso inicial não conseguiram no entanto, evitar que a série fosse mal sucedida no que realmente importa numa produção de TV: a audiência. Era um série cara, custando em torno de 200 mil dólares por episódio . Os efeitos especiais, que hoje são tão criticados , na verdade eram o melhor trabalho possível que poderia ser realizado na época. Mas não valia a pena se não desse lucro. Vendo que poderia ser um bom investimento a compra da Desilu, a Paramount resolveu apostar no estúdio. Embora isso não ajudasse muito. O estúdio maior tinha uma visão diferente e menos familiar do assunto. Cortes nos custos foram feitos a partir do segundo ano, de maneira que finalmente a série foi cancelada, mas ainda sem um anúncio oficial para o público.
Foi então que o fenômeno surgiu . Liderados por escritores como Harlan Ellison, grupos de estudantes, e Bjo Trimble e seu marido; fãs cercaram a Paramount , colando adesivos nos carros dos executivos e inundaram a empresa com 16000 cartas , além de milhares de assinaturas e abaixo assinados. Um pronunciamento oficial teve de ser feito junto ao público para que as cartas parassem de chegar. Vendo este movimento como um reflexo do sucesso que a série estampou, os executivos decidiram apostar novamente na série e autorizar mais uma temporada de produção.
O terceiro ano da produção havia começado. No entanto, não era o que se esperava. Ele chegara com novos cortes nos custos de produção e uma troca de horário considerado impossível para um sucesso: Sexta Feira, 10 da noite. Enfurecido com os rumos que seu "filho" estava tomando, Rodenberry jurou que não iria participar mais como produtor executivo, prometendo apenas voltar à produção se lhe dessem um horário durante a semana, como lhe fora prometido anteriormente. Isso não ocorreu, e ele saiu. Reduzida ao orçamento de um "programa de rádio " , segundo o comentário do produtor Bob Justman, responsável agora pelas rédeas da produção, a série foi perdendo em qualidade de roteiros, produção e, até mesmo em fãs. Até que finalmente foi anunciado o cancelamento definitivo, desta vez em 1969 .
Deveria ser o fim. Na mesma época, muitas séries foram tiradas do ar. Muitas cartas de ódio foram escritas. Os próprios atores achavam que, algum tempo depois, tudo estaria esquecido. Mas eles não imaginavam o que estaria por vir. As cartas continuaram chegando, e surgia um novo fenômeno que estourou em todo o país : as convenções.
Em uma delas, na cidade de Nova York, no ano de 1972, esperava-se a presença de 1500 pessoas; 3000 compareceram. A NBC considera a possibilidade de retornar com Star Trek para a televisão, mas o projeto de pré-produção, não dá frutos.
Em1973 uma versão animada de Star Trek vai ao ar pela NBC, produzida pela Filmation Associates. Gene e D.C. Fontana trabalham juntos ativamente na produção da série, chegando apenas a um total de 23 episódios produzidos. Os atores da série original participaram da dublagem e ganharam o Emmy Award.
Com o passar do tempo, séries dramáticas com assuntos cotidianos ou policiais problemáticos se tornaram produtos mais consumidos pelo público americano. Não havia muito espaço para a ficção científica.Foi então que em 1977, George Lucas, um jovem produtor e diretor, lançava nos cinemas, uma idéia que iria impulsionar a carreira de Jornada nas Estrelas: a saga Guerra nas Estrelas, que se transformou em um dos maiores fenômenos de bilheteria da história do cinema em todo o país. Vários estúdios voltaram a apostar neste segmento, reativando assim, novos e velhos projetos de ficção.
Com o sinal verde da Paramount, que adquiria os direitos de Jornada nas Estrelas da antiga produtora Desilu
( pertencente a Lucille Ball e Desi Arnaz), Gene Roddenberry tinha carta branca para produzir o primeiro filme, reunindo nas telas dos cinemas toda a tripulação original da Enterprise.
Com sua experiência, ele resolveu se cercar de profissionais importantes e de renome, como o diretor Robert Wise, que em seu currículo havia dirigido filmes como O Dia em Que a Terra Parou e O Enigma de Andrômeda . Além dele, Gene chamou dois craques em efeitos visuais: Douglas Trumbull e John Dykstra, que haviam feito " 2001 – Uma Odisséia no Espaço", um marco na história do cinema. O sucesso do filme foi imediato, conquistando ainda mais fãs, e possibilitando aumentar o cacife de Roddenberry junto à Paramount, fazendo com que alavancasse sua criação a um nível muito mais alto.
Nos dez anos seguintes, (1982-1991), seriam produzidas 5 sequências, todas com o elenco original, em novas viagens da Enterprise.1982 - Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan
1984 - Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock
1986 - Jornada nas Estrelas IV - A Volta para Casa
1989 - Jornada nas Estrelas V - A Última Fronteira
1991 - Jornada nas Estrelas VI - A Terra DesconhecidaJá em 1991, completando 25 anos de criação, o estúdio decidiu encerrar a série com chave de ouro, comemorando seu aniversário com o lançamento de um último longa-metragem, aposentando o elenco original.
O ponto alto na história desse filme, é o estudo do acordo de paz entre a Federação e os Klingons. Os Klingons que após um enorme acidente ecológico em seu planeta, vêem-se à mercê de seu próprio dano, e por circunstâncias irreversíveis, não podem mais se reestabelecer. Vendo que não tem recursos para se recuperarem do acidente, ou para se manterem, pois gastam mais da metade de seus recursos na manutenção do seu poderio bélico, eles iniciam um possível acordo de paz com a Federação, proposto e mediado pelo Capitão Spock e o Embaixador Gorkon do Império Klingon. Mas não vai ser fácil. Não se remove cicatrizes de décadas de conflitos com conversas diplomáticas. Pelo menos é assim que muitos de ambos os lados, pensam.
E é nesse contexto que a sua última aventura vai se desenrolar. Numa história com diálogos marcantes, personagens singulares e um roteiro espetacular, onde todos nós nos despedimos do Capitão Kirk e de sua tripulação.
No final, nos despedimos com muita tristeza e com o sentimento de saudade batendo, ao ver nossos eternos heróis partindo rumo à aposentadoria.
Mas em Jornada nas Estrelas, as viagens são contínuas, sempre em busca de novas formas de vida e novas civilizações e como o capitão Kirk mesmo disse, " Esta nave e sua tripulação terão outros tripulantes, a eles e à sua posteridade, confiaremos nosso futuro. Eles prosseguirão com as viagens que iniciamos, por todas as terras desconhecidas. Indo aonde nenhum homem, aonde ninguém, jamais esteve. "