Acionar

Por: Pereira de Almeida

"Diário pessoal, data estelar 49325.9 , Capitão Sidnei Almeida relatando. Estou a caminho da USS Excell, para a qual fui comissionado após 3 anos como primeiro oficial na USS Excalibur; é para mim uma honra servir à segunda nave da classe Intrepid construída pela Federação. Pela janela da nave auxiliar, vejo a Terra, meu planeta natal o qual nasci a 25 anos atrás e  amo de paixão. Só que meu verdadeiro amor, está nas estrelas, o amor que tenho pelo espaço, a fronteira final. Hoje me torno responsável por 120 vidas, inclusive a minha, e hoje, sentirei na carne o que é ser Capitão."

A nave auxiliar do Capitão aproxima-se da Excell que orbita o planeta Terra, já preparada para partir. Outras naves parecem entrar e sair da Excell, estas trazem, tripulantes, mantimentos, equipamentos e etc. O capitão observa pela janelinha sua nave, a mais nova nave da Federação, uma nave que havia sido abolida por causa do fracasso da Voyager, que passou a ser tratada como o Titanic dos anos modernos, porém, isso não chega a passar pela cabeça de seu Capitão que está orgulhoso de seu novo posto.

O Capitão desembarca finalmente, o hangar é pequeno, a Excell é uma nave pequena, só é possível 2 naves atracarem por vez na Excell, porém, orgulhoso de seu posto, Sidnei se dirige à sua cabine ligada diretamente à ponte de comando. Caminhando pelos corredores da Excell, Sidnei observa técnicos e engenheiros trabalhando incansavelmente sobre os painéis da nave, soldando, testando, fazendo os últimos preparativos para a partida. Logo Sidnei entra no Turbo Elevador: "Ponte"ele diz com uma voz firme, logo a porta se abre e ele pode ver a ponte de comando. Uma visão glamorosa do que seria sua casa, pelo menos por um bom tempo, o oficial de operações anuncia: "Capitão na ponte"e todos parecem fazer posição de sentido, logo Sidnei responde: "À vontade senhores". Logo um homem forte de cor branca se aproxima e diz: "Senhor, meu nome é Anderson Macedo, serei seu oficial de operações, bem vindo à bordo senhor." O Capitão responde: "É um prazer também Tenente. Agora se me permite, irei para meu alojamento." O capitão, desce uma pequena escada e logo entra em seu aposento. Ele desfaz suas malas e se senta na cama onde permanece por alguns instantes observando as estrelas.

Logo, na porta um som, parece avisar que tem alguém na porta, Sidnei diz: "Entre". Um homem negro adentra a sala, com olhos em tom amarelado, ele logo se identifica: "Sou Cláudio senhor, seu primeiro oficial." Sidnei o olha de cima abaixo com ar de orgulho, e pergunta: "É seu primeiro trabalho comandante ?", Cláudio responde: "Não senhor, fui navegador da Melbourn." Sidnei completa: "Então sabe que o 1º oficial não pode ficar se atrasando a torto e à direita, espero mais pontualidade. Cheguei à nave e você não estava na ponte." Cláudio responde: "Vou tomar mais cuidado no futuro senhor." Sidnei termina: "Dispensado Comandante, verifique os preparativos da nossa partida, se dará em breve." Cláudio viras as costas e sai pela porta com passos firmes.

Um novo som surge na cabine, algo como um comunicador, Sidnei olha sobre a mesa e lê que seu computador exibe a mensagem: "Mensagem da Frota", logo aperta um botão e a mensagem escrita é recebida, a mensagem lhe passa uma missão, sua primeira missão, ela pede para que a Excell parta para Vulcano no intuito de resolver um problema local, o mesmo será passado durante a viagem. Sidnei se levanta e vai para ponte de comando, onde vê uma betazóide, de cabelos encaracolados se aproximar, ele logo à cumprimenta: "Bem vindo à bordo conselheira, pensei que não fosse aparecer pelo meu convite." A conselheira responde: "Sempre será um prazer servir na nave em que você serve Capitão, não é assim que devemos chamá-lo agora Capitão. Sinto muito orgulho." O Capitão responde: "Obrigado." A Conselheira completa: "Muito orgulho dentro do senhor. Capitão." Um som que parte do painel de comunicações interrompe a conversa, logo, o oficial de comunicações passa o recado: "Senhor, a enfermaria está com problemas, parece que os medicamentos estão dois dias atrasados." O Capitão responde tocando em seu comunicador no peito: "Sidnei para enfermaria", a enfermaria responde: "Sim Capitão", Sidnei Pergunta: "Qual a situação atual ?", logo o homem responde: "O senhor poderia vir aqui por favor." Sidnei logo entra no elevador e diz: "Conselheira, depois temos muito a conversar. Enfermaria." E as portas do turbo elevador se fecham.

A enfermaria é grande, possui uns 10 leitos, para uma nave com 120 tripulantes é algo inovador, porém seu médico chefe é alguém muito familiar ao capitão, seu primo Eduardo, três anos mais velho e três vezes mais afobado e irresponsável, um verdadeiro garanhão e boêmio, logo que o Capitão entra Eduardo diz: "Alou Capitão, acha que me colocar numa nave com 120 tripulantes vai me impedir de fazer algo louco e impensado. Minha mãe acha que sim, eu acho que não, afinal nesta nave possui, pelo menos, 30 mulheres, e isto já é o suficiente, pelo menos para este mês." Sidnei o olha com uma cara de descontração: "Cara, eu não vim aqui para saber de você ou de sua opinião sobre a tripulação feminina da nave, mas saber o que está acontecendo sobre este tal de atraso." Eduardo responde: "Os estimulantes ainda não foram entregues, gostaria de saber, se serão entregues porra." Logo a porta se abre e uma caixa é colocada no canto da sala sem nenhuma satisfação do alferes entregador, que sai pela porta à fora sem nem sequer olhar para dentro da sala. Eduardo agride: "Pô, obrigado alferes. Bem Capitão estou pronto para partir." O comunicador do Capitão recebe um chamado: "Engenharia para Capitão", o Capitão responde: "Sidnei na escuta", o engenheiro responde: "Véio ó só, meu nome é Celso Lara sou seu engenheiro chefe, muito prazer, porém tô com um pequeno problema aqui, poderia me fazer o obséquio de me visitar meu querido." Sidnei responde saindo da enfermaria: "Sim Celso, estou à caminho... e... Dudu, pega leve com as minhas tripulantes." A porta se fecha e Dudu dá uma risadinha.

Logo na engenharia o reator de matéria e anti-matéria já trabalha em fase final de testes, enquanto um homem gordo e branco discute com outro moreno de rabo de cavalo: "Eu já disse, quem manda nesta porra aqui sou eu"diz o moreno, já o gordo responde: "Eu fui designado para este posto, não você." Sidnei se aproxima e repreende: "Senhores, quero informá-los que quem manda... nesta... PORRA aqui sou eu. E agora o que ocorre ?" O gordo começa a explicar: "Este cidadão aqui presente véio, tá dizendo que foi designado para o posto de engenheiro chefe quando eu fui designado para este posto." Um momento de silêncio surge, logo o Capitão responde: "Muito fácil resolver está icógnita", batendo no seu comunicador no peito: "Sidnei para ponte", "Ponte na escuta Capitão", "Anderson, quem é meu engenheiro chefe ?" Ouve-se um mórbido silêncio no comunicador, e logo vem a resposta: "Senhor, existem dois nomes para o cargo !" Sidnei respirando fundo responde calmamente: "Tudo bem Anderson, Sidnei desliga. Senhores, faremos o seguinte: seus nomes e enquanto um ficar aqui embaixo outro ficará lá em cima comigo, preciso de um conselho técnico de vez enquanto ao vivo, assim ninguém briga e o que estiver aqui embaixo ficará como responsável. Fechado." Ambos se olham, apertam as mãos e o gordo responde: "Véio, meu nome é Celso e este é Charles", o Capitão responde: "Prazer. Charles, suba comigo para a ponte. Celso, está no comando aqui embaixo por enquanto".

Caminhando pelos corredores em direção à ponte, um homem intercepta-os, este é loiro, possui uma postura meio que curvada e um estrabismo discreto, seu cabelo espetado parece entrar em contraste com seu posto, ciências, ele diz: "Capitão, tenente comandante Thalhofer se apresentando senhor." O Capitão responde: "Muito prazer, tenente, venha comigo para ponte, temos uma nave à comandar."

No caminho em curso, a ordem parece já ter se estabelecido, não há mais ninguém mexendo em painéis da nave, parece que os ajustes foram feitos, parece que tudo está pronto para a partida. Os três entram no turbo elevador, Thalhofer fala: "Ponte", e as portas se fecham e com uma incrível velocidade o elevador sobe em direção à ponte ou seja, Deck 1.

Logo chegando à ponte, o Capitão se dirige à sua cadeira no centro, assim como Charles e Thalhofer que se dirigem aos seus postos na ponte e iniciam seus painéis. Um homem meio careca chega à ponte, ele é de estatura baixa, logo que Thalhofer o vê o cumprimenta: "Primo !", Sidnei olha para traz e vê o seu oficial de seguranças, este diz: "Fabrício Lopes se apresentando senhor." Sidnei o olha comum leve sorriso e logo retribui: "Bem vindo a bordo tenente, tome seu posto."

Um outro homem chega logo atrás. Baixo, com pernas grossas e tronco magro, com uma sobrancelha interligada levemente, ele se dirige rapidamente ao posto de pilotagem e navegação e sentando-se ao lado do Anderson, diz baixinho: "Bom dia, tenente, estou atrasado." O Capitão o indaga: "Alferes, qual o seu nome ?", "Leonardo senhor", o capitão para por algum tempo e logo responde: "Bem vindo à bordo Leo." O capitão se levante e se aproxima do oficial de comunicações que parece em seu painel estar atento à tudo, ele diz: "Alferes...", o homem responde: "Milcer senhor", Sidnei prossegue: "Prazer Milcer, solicite permissão para nossa partida", "Sim Capitão". Milcer faz contato com a Frota e a mesma autoriza a partida. De pé, atrás do Leo, Sidnei, ordena partida: "Alferes, traçar curso 000 marco 251, um quarto de impulso à frente. Acionar.

Nos olhos de Sidnei o brilho do orgulho de ser Capitão de uma nave estrelar, na cabeça de supersticiosos a martelada do talvez não retorno por ser uma nave da classe Intrepid e já ser amaldiçoada, pelo acidente da Voyager. Mas o destino realmente guardava muitas surpresas para a vida destes 120 tripulantes.

 

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