Laços de Família
| "Diário de bordo, data estrelar 49332.2. Apesar do incidente com a Nave Alienígena, a inexperiente tripulação da Excell continua seu trabalho sem interrupções e não parece estar abalada. A família do alferes morto, foi contatada e pediram para que quando retornássemos à Terra, realizássemos seu enterro pois não desejam um ritual no espaço. Para realaxar neste fim de nossa viagem para Vulcano, resolvi ir ao Holodeck com Fabrício, para que possamos colocar em prática nosso Kung Fu, arte marcial milenar da Terra, cuja qual fomos colegas de treino durante nossa juventude." |
| No Holodeck, o programa que roda é um Dojô, similar ao do Japão Feudal. A iluminação se dá por uma grande janela que permite vizualizar o mar quebrando em uma praia deserta. O sol está a brilhar no que se converte à uma tarde de verão no Japão. Vestidos com a veste tradicional de Kung Fu, Sidnei e Fabrício preparam-se para uma grande luta após uma série de aquecimento. |
| - Bem, Fabrício, acho que já é o bastante - diz Sidnei se levantando após alongar. |
| - Pô cara, estas banhas aqui é que atrapalham pacas fazer esta merda de alongamento - Diz fabrício, apontando para a região das costelas enquanto sentado faz alongamento. |
| - Vamos nessa Fabrício, ponha as luvas. |
| - Tá certo tá certo, vamos lá... |
| Os dois colocam suas luvas, as luvas são as mesmas utilizadas no Karatê, espumadas na parte superior da mão e no punho, no entanto livre de espuma na palma. Ambos tomam posições de combate próximo à uma demarcação no chão de madeira corrida e então iniciam uma troca de golpes rápidos: |
| Sidnei desfere uma série de socos que é facilmente aparada por Fabrício que aproveita o avanço da investida para desferir um chute barreira na altura da canela de Sidnei, que sente a pancada. Fabrício, investe com um soco direto, seguido de uma finta, que faz com que os braços de Sidnei fiquem presos, logo, Fabrício desfere facilmente um soco ao rosto de Sidnei, que recua desequilibrado. |
| - Aí tu tá enferrujadão... assim vai ser muito fácil, quer que eu amarre uma de minhas mãos - comenta Fabrício. |
| - Cara, tô realmente muito tempo sem treinar, mas tua vantagem, é ser muito rápido. Você já é baixinho, se tu fosse oriental eu diria que tu é a reencarnação de Bruce Lee. |
| - Eu também num treino a muito tempo ô pela saco... |
| Repentinamente um som é ouvido vindo do teto do Dojô, é o comunicador do Holodeck, a voz do Comandante Cláudio pode ser ouvida: - Ponte para Capitão... |
| - Aqui é o Capitão, pode falar Comandante. |
| - Estamos assumindo órbita padrão de Vulcano. |
| - Entendido, estou a caminho. Sidnei desliga. |
| - Toda vez que nós reservamos um tempo para treinar, somos interrompidos ! - Exclama Fabrício. |
| - O dever nos chama, o treino continua depois... Computador... Gravar programa. |
| - Programa Gravado - responde o computador. |
| - Computador... arco - solicita o Capitão, e uma porta surge em meio ao Dojô e ambos saem do holodeck por esta porta. |
| Fabrício se dirige ao seu alojamento para tomar uma ducha sônica e colocar seu uniforme, já Sidnei se dirige direto à ponte e assim que chega solicita o relatório de seu primeiro oficial: |
| - Imediato... relatório. |
| - Estamos assumindo órbita padrão de Vulcano. Sensores detectam duas naves vulcanas entrando no Sistema e vindo em direção ao planeta, leituras de transponder indicam serem naves de carga. Já fomos contatados pelos Vulcanos, o embaixador Sturek, aguarda seu contato. |
| - Sturek ! Fui instruído à encontrar o embaixador Spock ! |
| - Poderá esclarecer tudo isto com uma conversa com Sturek - afirma Cláudio. |
| Sidnei, se dirige ao seu alojamento, parece meio cansado. Em sua escrivaninha fotos de sua época de academia e fotos dele com Christiane em Guapimirim na Terra. Ele se dirige ao replicador de alimentos e solicita uma vitamina de beterraba, esta surge no replicador como que em um passe de mágica já dentro de um copo de vidro, Sidnei toma a vitamina enquanto observa as fotos e se lembra do planeta o qual está orbitando. Aqui os sentimentos são retraídos ao extremo para prevalecer a lógica. Pois uma vez, um grupo de vulcanos foi expulso deste planeta por não concordarem com a lógica, estes vulcanos, sem nacionalidade, são conhecidos atualmente como romulanos. Enquanto a dobra espacial fez dos romulanos um Império, a lógica, fez dos vulcanos simplesmente uma raça próspera. |
| Sidnei, toma um banho e logo se apresenta à Ponte de Comando. Nela, Comandante Cláudio, acrescenta novas informações: |
| - Capitão, o embaixador Sturek está a bordo lhe aguardando na Sala de Reuniões. |
| - Ele disse porque está a frente conosco ao invés do Embaixador Spock ? |
| - Não senhor - responde Claudio - ele disse que apenas está autorizado a dialogar com o senhor. |
| - Então, estarei na sala de reuniões com ele, me informe de qualquer problema - Sidnei, se vira e entra na sala de reuniões do outro lado da Ponte. |
| De pé, observando o epaço pela janela, vestindo uma tunica nas cores: vermelho e cinza, está o conhecido embaixador Sturek, um vulcano que, como o emaixador Spock, já foi um oficial da Frota Estrelar, o Capitão adentra a sala, e Sturek se volta para cumprimentá-lo: |
| - Embaixador, saudações. Capitão Sidnei aos seus serviços. |
| - Vida longa e próspera Capitão - diz estas palavras levantando sua mão e fazendo o sinal de cumprimento vulcano. |
| - Por favor, sente-se. |
| Sturek se senta em uma cadeira próxima e permanece em posição ereta com as mãos sobre a mesa, seu rosto, permanece em um tom sério e seu comportamento, como não poderia deixar de ser, deprovido de qualquer sentimento e dotado de lógica. |
| - Desculpe-me embaixador, a Federação havia me informado que encontraria o embaixador Spock aqui. Aconteceu algo ? |
| - Negativo Capitão. Jamais houve nenhum problema, simplesmente, eu sou a opção mais lógica de contato com o senhor. |
| - E por que ? - Pergunta Sidnei, sentando em sua cadeira na cabeceira da mesa. |
| - Porque estou diretamente responsável pela segurança do evento. Tenho a missão de inibir qualquer atividade que possa vir a comprometer a reunião de reunificação. |
| - E quando será esta reunião ? |
| - Na embaixada da Federação em Vulcano. É o local mais lógico que encontramos para realização do evento. |
| - No que exatamente serei necessário senhor embaixador ? |
| - Como o senhor deve ter sido informado pelo seu superior na Frota, estamos com provas lógicas que nos trazem a crer que existe uma conspiração com intuito de impedir o processo de reunifação e até mesmo, consequentemente uma maior atrocidade, iniciar uma guerra dos romulanos com a Federação. |
| - Isso eu já disse, francamente, não acredito que qualquer ato feito pelos romulanos, ou mesmo por membros vulcanos sejam motivos ou pretestos para uma guerra. Ambos os lados possuem partes interessadas na reunificação, no entanto, ambos os lados reconhecem que são minoria. |
| - Obviamente. No entanto, não acreditamos que os romulanos possam diretamente realizar algo aqui em Vulcano. Muito menos, que nós vulcanos possamos realizar algo lógico e não violento que ocasione num fracasso da reunificação. Capitão, os vulcanos são uma raça pacífica. |
| - Sim embaixador, eu entendo, no entanto os romulanos não são exatamente pacíficos. E acredite, muitos romulanos jamais aceitarão em vida a reunificação, poderão até morrer lutando por uma guerra civil contra seu governo, mas jamais aceitarão. |
| - Concordo Capitão. Nesta parte o senhor tem razão, no entanto, se a guerra for em Romulus, será problema da administração romulana, o que não podemos conceber é uma guerra entre a Federação e o Império Romulano. Não preciso dizer ao senhor que a Federação jamais sobreviveria à esta guerra. As chances para uma vitória da federação são de 1 para 1237. |
| - Então quem estaria conspirando contra a reunificação ? |
| - Os romulanos... |
| - Mas você acabou de dizer que os romulanos não são um probema. |
| - No ponto de vista Império Romulano, certamente, não são um problema. No entanto, problema são este indivíduos que criariam a guerra civil. Estes indivíduos aliados a membros de ambos os lados políticos da reunificação. Independentes de suas raças. Baseados apenas em princípios e idéias fixas, que acreditam jamais poderem ser mudadas. |
| - O senhor está dizendo então que membros da Federação poderiam estar envolvidos neste processo. |
| - Acreditamos nisso logicamente. A Federação é composta de muitos membros conservadores. Quando houve o tratado de paz com os Klingons para que eles se refugiassem em nosso território devido a explosão de sua lua Praxis, houve revolta e uma conspiração entre Oficiais da Frota e Klingons que preferiam a guerra ao invés do tratado. |
| - No entanto, graças ao Capitão Kirk, o tratado foi um sucesso e os conspiradores desmascarados. |
| - E lhe pergunto Capitão, quem foi a opção lógica da Federação para acompanhar este tratado ? |
| - O na época, Capitão Spock ! |
| - Por isto, ele agora, 90 anos depois, é a opção lógica para administrar o processo de reunificação, pela sua experiência do pasado. Capitão Kirk está morto, você, sua nave e sua tripulação, foram a escolha mais lógica, por serem novos e não possuírem ainda vícios ou metodologia conservadora que venha a atrapalhar em seu julgamento ou uma tomada de decisão. |
| - E nossa missão é policiar a Embaixada, para prevenir qualquer problema. Estou certo ? |
| - Errado. A Frota já providenciou o policiamento da Embaixada, ninguém entra ou sai da Embaixada sem ser revistado. Inibidores de transporte foram colocados para impedir o transporte para dentro da Embaixada ou para fora. A segurança da Embaixada eu já providenciei da forma mais logica possível. |
| - Então qual seria a minha parte ? |
| - Uma nave, comandanda pelo Capitão Rafael Lourenço, a USS Labarri, está vindo do espaço romulano com os membros romulanos da conferência, sua missão é escoltá-lo da Fronteira da Zona Neutra até Vulcano e providenciar que nenhuma nave ataque a Labarri, para evitar um incidente, sua nave é a única autorizada a esta rota, a nave da Frota mais próxima da rota é a Enterprise, em missão e também, sem autorização de entrar na sua rota. |
| - Partirei imediatamente embaixador para o ponto de encontro, no entanto, terei que solicitar esta manobra ao Comando da Frota... |
| - Será perda de tempo Capitão. Seguir para o ponto de encontro com a Labarri é opção mais lógica a ser tomada. |
| - Sim, mas ainda sou subordinado. Agora com sua licença Embaixador, temos um tratado de reunificação para proteger. |
| Sidnei se levanta, cumprimenta Sturek como de costume vulcano e se dirige à ponte onde ordena: |
| - Anderson, acompanhe nosso convidado até a sala de transporte 1. Milcer, faça contato com o Almirante Victor da Frota, e passe para minha sala de leitura. |
| Anderson se levanta de seu posto e com educação conduz o Embaixador até o turbo elevador e em conseguinte à sala de transporte. |
| Já Sidnei, em sua sala de leitura, inicia sua comunicação com Almirante Victor: |
| - Sim Capitão. Qual o problema ? |
| - Almirante, o senhor havia me passado a informação que nós fariamos contato com o Embaixador Spock. No entanto, o Embaixador Sturek foi quem nos recebeu. Agora, ele ordena para que interceptemos a USS Labarri na fronteira da zona neutra e a escolte até Vulcano. O que na verdade devemos fazer ? |
| - Sidnei, faça exatamente o que o Sr. Embaixador ordenar, sem mudar em nada suas determinações. Eu mesmo estou partindo da Terra para o evento, e encontrarei contigo em breve. Quero todos os registros referentes ao encontro com o alienígena e quero sua total cooperação ao Embaixador. Fui claro ? |
| - Sim, foi. Mas insisto, porque você não me informou sobre Sturek ? |
| - Capitão. No que se trata deste assunto de reunificação. Nenhum oficial veterano da frota é confiável para os membros da conferência, e isto inclui a mim. Tanto que o Capitão Rafael da USS Labarri, também está em sua primeira missão. Na verdade eu não omiti informação eu simplesmente não tinha conhecimento disso. |
| - E quanto ao alienígena ? |
| - Isso foi classificado pela Federação como evento sigiloso; e toda informação adquirida deverá ser passada a Federação e classificada como acesso de prioridade alta, somente para Almirantes da Frota Estrelar. |
| - Certo Almirante, farei conforme instruído. Boa viagem até Vulcano. |
| - Um grande abraço meu amigo, e boa sorte. Victor desliga. |
| Sidnei, caminha até a ponte de comando, e voltando-se para o Leonardo ordena: |
| - Alferes, marque curso para Zona Neutra Romulana, dobra 8. |
| - Curso marcado, implementando agora... |
| - Acionar. |
| À noite, os Oficiais titulares, se encontram na sala de reunião, onde entra em debate a missão em execução. O Capitão, explica os detalhes passados por Sturek e Alm. Victor; logo a tripulação começa a debater: |
| - Porra cara isso é incoerente ao extremo - afirma Anderson - mandar duas tripulações, é, é, é... inexperientes, numa missão de extrema importãncia como essa, isso é loucura cara. |
| - Véio, cara, vai dar merda heim !!! - afirma Celso. |
| - Não, não, não... eu já entendi o que eles querem... - afirmava Thalhofer quando interrompido por Fabrício: |
| - Eles querem é fuder conosco isso sim. Só tem babaca naquela porra de planeta Vulcano. Agora tu vê... |
| - Não primo, não, eu já entendi - Thalhofer interrompe Fabrício - eles acham que assim não iremos chamar a atenção, e se mandarem alguém, vão mandar alguém mais fraco para nos interceptar, aí, a Frota manda os reforços e pega os agitadores rebeldes. |
| - Só tem um detalhe Thalhofer. |
| - Qual Capitão ? |
| - Nós e a USS Labarri, são as únicas naves autorizadas neste setor. Isto quer dizer que realmente estamos sozinhos. |
| - Xíiii, babou. - Exclama Charles. |
| - Tô falando cara, este tal de Sturek, só quer fuder logicamente com a gente - afirma Fabrício. |
| - Bem, senhores - Interrompe o Capitão - Vamos fazer conforme manda o figurino, deveria ser uma nave de veteranos, no entanto, veteranos são inconfiáveis pelos vulcanos; sendo assim, faremos nosso trabalho bem feito, e juntos venceremos qualquer obstáculo. Estamos a bordo da USS Excell, uma nave da classe Intrepid, sendo considerada a nave mais poderosa da Frota depois da Voyager, vamos acreditar em nossa nave, em nossa capacidade e terminar esta missão com sucesso, e sem baixas. Dispensados. |
| Fabrício, Thalhofer, Celso e Charles vão para o refeitório; Anderson, Christiane e Eduardo devolta a seus postos e Sidnei, vai para sua cabine, onde pretende descansar. |
| No refeitório: Fabrício, Thalhofer, Celso e Charles, encontram Leonardo, enquanto tocava em seu violão um pagode básico e dois outros alferes batucavam na fuzelagem da nave. Leonardo, quando avista o Charles diz logo: |
| - Aê Lee Brown, se junta à gente ? |
| - Demorô Leo aê. |
| Fabrício, inconformado com a situação, puxa Charles pelo braço: |
| - Cara, tá falando sério que tu vai se juntar à este unicelha com esta porra de pagode ? Que tá fazendo esta nave parecer uma favela ? |
| - Pô bicho, aê, sou que nem puta da música, toco pra quem tá querendo é pagar melhor. |
| - É, mas o que esta porra deste moleque unicelha pode te dar em troca ? |
| - Diversão bicho, pura diversão no espaço. |
| Thalhofer puxa o Fabrício pelo braço e o arrasta para o replicador, onde Celso está fazendo seu pedido: |
| - Um bife com batatas fritas carregadas na maionese - E um prato com o pedido surge no replicador quase que instantaneamente. Celso, pega seu prato a vai para uma mesa ao lado inverso do Leonardo e seus pagodeiros. |
| - Pô cara, não dá pra comer nada aqui com essa barulheira dos infernos. Acho que vou chamar a segurança e confinar este cara na detenção o resto da viagem cara - exclama Fabrício, irritado com o pagode. |
| - Ô primo, deixa pra lá cara, faz como eu, vou pedir e ir comer na sala dos oficiais, pelo menos lá não tem barulho. |
| - Esse moleque vai se foder comigo cara, tu vai ver só; Olha só cara, que coisa ridícula mané ! porra de som escroto... pena que não tenho um phaser aqui comigo agora mané ! - Exclama novamente Fabricio, enquanto soa o pagode no refeitório. |