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Maio/Julho 2000 - 1ª v
Corpo, sangue, nervos,
A que julgamos vivo,
[ como se vive aqui ? ]
entretanto morremos
mais um pouco todos os momentos
[mágicos não somos]
a vida não chega a ninguém
punição
[resta o que não fomos]
repousam já as linhas
ruínas quietas
[logo ali]
Maio/Julho 2000 - 1ª v
Como hei-de prometer-te o mar
E a onda, qual seria ?
E na praia, cada grão contaria ...
Como hei-de dar-te uma estrela,
Nenhuma é minha, cada lua ?
Só o vácuo, onde a minha solidão, não há-de ser tua
Maio/Julho 2000 - 1ª v
Deus criou o Homem e a Mulher,
isso bastava
Já antes do Caos, a Natureza,
Já sobrava
Porquê pois a consciência ?
Nem Ele a tragava
- Livro 18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
É com palavras não ditas que devemos falar
Das coisas errantes, sem lugar
Das cores do infinito, de cada mudar
Porque de nós, aqui estamos, sem amar ?
Maio/Julho 2000 - 1ª v
Cada manhã, separando-me - ficando e partindo.
Dia longo, infindo, cada longo minuto,
Até voltar, breves instantes,
Manhã outro dia, mesmo antes,
E a noite correu, correu, o caminho mais curto,
Como o bom é breve, sentir fugindo.
Maio/Julho 2000 - 1ª v
Não cuidarei das florestas que deveria plantar
Nenhum sábio saberá o que sei
E não é agora que vos minto
Prisioneiros por gosto.
Eu desço.
Coragem fatigada
Insólita certeza
Coisas simples de mais.
Não.
Grandes esperanças variantes da tristeza
Porque os destinos não são geométricos.
Que me querem se me crêem ?
Há muito que em nada creio.
Falem mais de contentamento
Com que amor podemos nós.
Que fazer ao certo ?
No olhar as linhas da vida, não nas mãos.
Exigências fizestes
Desejos, angústias.
Que respostas quereis ?
Projectos de fuga.
Neve dia de sol ardente
Correr devagar.
Ideias fabricadas ?
Fogo na água.
Afinal, a vida é uma festa onde nada é improvisado.
Comi-lhe as sementes ...
Livro 18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
Deixo a lógica para os lógicos
Famintos
Procuro a confusão entre os confusos
Exaustos
Alguém se perde de vez em quando
Rumo para outros
Que se hão-de encontrar
- Livro 18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
Ai que secam as líquidas fontes,
Tarde cedo, se as lágrimas não correm,
Mares desertos, ribeiras morrem,
Se apenas felicidade jorra aos montes
2000-06-04
Maio/Julho 2000 - 1ª v
O silêncio dispensa as palavras
A sombra chega
Na falta do mais
Não saber o caminho
Evita destinos
Amar é complicado
Pretexto para encontrar.
Como gostamos de falar,
Esconder o sentimento
Tem que ser
Horas, longos anos
Repetindo o que calar
Procurar o mais simples
Conter a dor
18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
Que venham as lágrimas,
Cantem epopeias não escritas,
Que venham as lágrimas,
Calem ilusões prescritas
Venham lágrimas,
Cortem futuras desditas
Venham lágrimas,
Riam tristezas bonitas,
Que venham
E sejam barragens inauditas
Que venham
E lancem pontes infinitas
Podem vir
E voltar sempre,
lágrimas benditas
- Maio/Julho 2000 - 1ª v
Não é difícil seres poeta,
Não precisas penar, sofrer,
Tudo isso é grande treta,
Quando mais nada há a dizer.
Assunto, qualquer se arranja,
O teu mundo, a só multidão,
As palavras soltam-se, vês como é canja,
E que importa a confusão ?
Qualquer olhar, mesmo cego,
Qualquer grito, mesmo mudo,
Sente a poesia, fecha o ego,
E se queres mais, abre-te a tudo.
E ainda o mais difícil é, se por aí fores,
Mesmo muito tramado, já te digo,
É embrulhar tanto em tão poucas linhas
E inventar o caos numa rima,
Maio/Julho 2000 - 1ª v
Porra, que também sou corpo,
Que queres, também nele me sinto,
Em vão o sufoco, o acorrento,
Mas para quê , se o sou, minto ?
18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
És mar, marés e vagas a cumprir
És serra, vales e montes a galgar,
És mundo, estrelas e universos a sonhar,
És tu, alma e pensamento a fugir.
Porque foges ?
18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
Abre-te devagar, folha a folha, livro por ler,
Esconde as pétalas, estende os espinhos, queiras viver,
Não confies na armadura, cavaleira, brande a espada,
Nada de sorrisos, deixa as fábulas, princesa encantada.
Dos jograis pé atrás, a ti mesma, me escrevia,
Atesta o orgulho, mas de ti mesma fingia,
Mendiga o impossível apenas, será que consegues ?
Dir-te-ia que sim, por mais que o negues.
Olha ao lado ! A sombra é tua.
Que te siga, deu-ta a lua.
Acorda-te baixinho, que o coração tudo escuta,
E vais-te merecer assim, , dá-te luta.
Árduo descanso
Campas no futuro
A ouvir o silêncio
Em tranquila fúria
Barbárie útil
Necessidade supérflua
Conhecer a incógnita
A entrada e a saída
Singular repetido
Realidade mágica
Fraude verdadeira
Ontem e amanhã
Que multidão eu só !
1.6.2000
Pardos silêncios, brados escarlates,
Hórridas alegrias, alarmes ligados,
Sentires intácteis, enigmas trocados,
Sinceros olhares, tantos disparates.
1.6.2000
- Livro 18 - Maio/Julho 2000 - 1ª v
Como gostaria de te fotografar
Cada incêndio nos teus olhos, de mil chamas,
A tua voz, tanto calas, queria acordar,
O que és, o que [não] amas.
Altar votivo
Não sei
Por algum motivo
As minhas máquinas dei
- Maio/Julho 2000 - 1ª v
50 x 60 tela: em branco
Luminosos pensamentos bem concretos do que vai ser
Tantas Esperanças, teu nome – ,
Reflexos, consciência
O que está por trás
Madrugada de Abril
Memória do amanhã
Verde, lilás
Que escrever pintando ?
Visão de um sonho
Não satisfaz
Corpo perdido
Improvisado
Sinceridade provocada
Azul, pouco cinzento
Enigma resolvido
Ninguém dentro
Chuva - e as núvens ?
Coisas iguais
Obra única
Confronto
Vermelho
50 x 60 tela: Nem sinais negros de mim
12.5.2000
Não me queiras mostrar a luz, já vejo demais,
Ilude-me antes, torna-me cego,
Não me deixes sentir-te, foge-me do ego,
Que doa, que a dor aguento mais
2000-06-04
Becos de quase nulas saídas evita,
Segue os sinais, não construas velhos caminhos,
Vê o que pisas, atenção aos ninhos,
Olha em frente, ao lado a verdade limita
2000-06-04
- Maio/Julho 2000 - 1ª v
Como é difícil ser poeta,
Ficar-me abandonado
Vens e dás-me a mão,
Sentas-te a meu lado
Como é difícil ser poeta,
Prender-me enclausurado
Na gaiola que não fizeste
No infinito ao quadrado
Como é difícil ser poeta,
Esconder-me na escuridão
Tornar-te minha lua negra
Tendo-te no coração
Como é difícil ser poeta,
Assumir-me derrotado
A assaltar o teu castelo
De alicerce nem esboçado
Como é difícil ser poeta,
Original encartado
Quando sempre me surpreende
Teu olhar não programado
Como é difícil ser poeta,
Cumprir o fado
Penso-te ...
E puuff, acabou-se em mim o coitado !
2000-05-05
Faço-te mal, nada dizes,
Sádica, não deslizes
Para o pantanal dos infelizes
Aí mando eu, nos eternos aprendizes
26.5.2000
Logo, logo virão os alquimistas misturar água e azeite
E da luminosa noite que quis, cinzento farão o dia
Que assim seja, não discuto, que se aceite,
Se todos dançam, que me componham a melodia
Profissões de fé não faço
Inconstante, não de aço
Em nada acredito, tudo aceito
E porque hei-de querer mais, se não me queixo ?
2000-06-03