Minha Mãe, 

        Pensavas que eu ia esquecer, hem? Como poderia? 

       Se pudesse, hoje eu estaria pessoalmente junto de ti, te abraçando, te beijando aconchegado em teus braços! 

       Hoje, porque hoje? Porque o ontem já acabou e o amanhã talvez não virá! Hoje sinto uma dor que dói dentro de meu peito, dor que angustia e me faz sofrer. Dói tão constante como as ondas do mar, que vão e vêem sem parar nem um instante. 

      Quero dar um basta, mas sinto que tenho que passar por tudo isto, mesmo nesta idade, para amadurecer... E você, querida mãe, é o único recurso que tenho para aliviar este fardo, essa dor que insiste em doer. 

       As pessoas são como as ondas, elas vêem e vão. Eu sou como a areia da praia, só, a espera das ondas que me acariciam e voltam para o mar. Não quero ser onda, nem a areia. Quero ser mar, quero ser gaivota, para voar, posar na areia e beijar o mar. Quero ser flor, quero ser vida, quero ser sorriso... Quero e não sou. 

        Não... Não, mãe, não me culpe pôr somente escrever-te tristezas. É isto o que vai-me à alma. Deixe-me chorar em teus braços. Deixe-me sentir-te e contar contigo nas horas de angústias e solidão. Deixe-me, mas não me deixe! Ainda que o amanhã chegue e as coisas mudem e o tempo passe, pois ele passa... E passa tão rápido que quando sentimos, já passou. 

        Não passe mãe, fique, dure, quero estar ao teu lado e a quero do meu também. Muitos já se foram e continuam indo, mas eu fiquei, fiquei só. Fique comigo. preciso de você! 

De seu filho...

 

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