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Poesias:

Mulheres de Cera

Cala Coração!

Chove, porém


MULHERES DE CERA

 

Busquei avidamente

O calor das tuas mãos

Em minhas mãos,

Mas elas estavam frias

E pendiam do corpo

Como de um manequim morto;

 

O quê se passava em teu coração,

Para que elas estivessem assim?

Dirigi os meus olhos

Aos teus olhos

Cheio de amor e esperança

Pensando que fosses como eu,

Uma simples criança;

Mas o teu olhar estava

Desatento,

Reprimindo um sentimento

Para que não brotasse

E crescesse

e burlasse o teu interesse;

 

Estavam apagados, omissos,

Como um televisor desligado,

Vem viço;

Teus olhos tão grandes e azuis

Que poderiam conter tanta

Emoção

Agora estavam frios

E distantes

Como as montanhas geladas

Do horizonte ianque;

 

Tentei aproximar o meu corpo

do teu corpo

Mas ele estava rígido

Como o corpo de um morto,

Como um saco vazio,

sem alento,

Levado pelo vento;

E, no entanto,

O meu coração que por ti

Vibrou tanto!

Que pena não ter jeito,

e o sentimento que ficou

em meu peito?

A sensação de impotência

Diante de tal renitência

Trouxe-me à lembrança

Outras belas mulheres

Mas que não tinham coração;

De mulheres de cera,

Que partiram pra bem longe,

E cuja beleza o tempo derreteu;

 

São reminiscências frias,

Que fazem tremer toda a

Minh'alma

E todo o meu corpo arrepia!

                                                                  (VOLTAR AO TOPO)


Cala coração!

 

Cala, coração,

Por quê insistes em amar,

Por quê ainda queres tentar,

E naufragar n'outro não?

 

Cala, coração,

Não vês que é impossível,

Teu desejo é inexeqüível,

Só trará desilusão?

 

Cala, coração,

Pra quê sofrer outra vez,

Se teu destino é viver só,

Nesta pobre solidão?

 

Cala, coração,

Por quê pensar que ela existe,

E viver assim tão triste,

A esperá-la em vão?

 

Descansa, coração,

Se ela existe, ainda virá,

Em teu seio se abrigará

E ouvirá tua canção!

 

Dorme, coração,

Pois talvez nesta noite,

Num doce sonho ela chegue,

Pra matar tua paixão!

 (VOLTAR AO TOPO)


Chove, porém

 

Chove, porém,

tarde fria e escura

silêncio quebrado,

teto pingado

molhada solidão;

 

tempo que escoa

relógio parado

rua encharcada,

rio cheio

molhada solidão;

 

clima sufocado,

ar parado, sem

respiração

telefone mudo,

acho que estou ficando surdo

molhada solidão;

 

silêncio pingado

vidro embaçado

coração quebrado,

molhada solidão.

                                                                  (VOLTAR AO TOPO)

 

                            Este site foi atualizado pela última vez em 23/05/2008 pelo autor e webmaster [email protected]

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