|
|
|
|
MULHERES DE CERA
Busquei avidamente O calor das tuas mãos Em minhas mãos, Mas elas estavam frias E pendiam do corpo Como de um manequim morto;
O quê se passava em teu coração, Para que elas estivessem assim? Dirigi os meus olhos Aos teus olhos Cheio de amor e esperança Pensando que fosses como eu, Uma simples criança; Mas o teu olhar estava Desatento, Reprimindo um sentimento Para que não brotasse E crescesse e burlasse o teu interesse;
Estavam apagados, omissos, Como um televisor desligado, Vem viço; Teus olhos tão grandes e azuis Que poderiam conter tanta Emoção Agora estavam frios E distantes Como as montanhas geladas Do horizonte ianque;
Tentei aproximar o meu corpo do teu corpo Mas ele estava rígido Como o corpo de um morto, Como um saco vazio, sem alento, Levado pelo vento; E, no entanto, O meu coração que por ti Vibrou tanto! Que pena não ter jeito, e o sentimento que ficou em meu peito? A sensação de impotência Diante de tal renitência Trouxe-me à lembrança Outras belas mulheres Mas que não tinham coração; De mulheres de cera,Que partiram pra bem longe, E cuja beleza o tempo derreteu;
São reminiscências frias, Que fazem tremer toda a Minh'alma E todo o meu corpo arrepia!
Cala, coração, Por quê insistes em amar, Por quê ainda queres tentar, E naufragar n'outro não?
Cala, coração, Não vês que é impossível, Teu desejo é inexeqüível, Só trará desilusão?
Cala, coração, Pra quê sofrer outra vez, Se teu destino é viver só, Nesta pobre solidão?
Cala, coração, Por quê pensar que ela existe, E viver assim tão triste, A esperá-la em vão?
Descansa, coração, Se ela existe, ainda virá, Em teu seio se abrigará E ouvirá tua canção!
Dorme, coração, Pois talvez nesta noite, Num doce sonho ela chegue, Pra matar tua paixão! Chove, porém
Chove, porém, tarde fria e escura silêncio quebrado, teto pingado molhada solidão;
tempo que escoa relógio parado rua encharcada, rio cheio molhada solidão;
clima sufocado, ar parado, sem respiração telefone mudo, acho que estou ficando surdo molhada solidão;
silêncio pingado vidro embaçado coração quebrado, molhada solidão.
|
|
Este site foi atualizado pela última vez em 23/05/2008 pelo autor e webmaster
[email protected]
Aguardem o lançamento editorial de "Raízes Nobres do Brasil - Genealogia Histórica da Paulicéia Bandeirante" |