* * R A D I O D I F U S Ã O * *




AS DÚVIDAS E AS CERTEZAS SOBRE A TV DIGITAL NO BRASIL

Por José Weis

           Vem aí um Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). No ar, há mais do que aviões de carreira e sinais de transmissão, existem dúvidas e disputas em torno de um tema importante para a democratização da comunicação ainda pouco discutido no país.

           Em breve, o Brasil vai entrar na Era da Televisão Digital, e há muita expectativa e ansiedade no ar para se conectar com esta nova onda. Mas, por enquanto, a grande atração em cartaz é o impasse sobre as decisões mais capitais em relação à implantação do Sistema de Digitalização da Radiodifusão no país. Os prazos atropelam propostas, estudos, e a informação ainda é muito difusa. Do governo às entidades civis, da comunidade acadêmica a setores da indústria de eletroeletrônicos, sem falar nas teles (fixa e móvel), todos estão envolvidos na discussão que está longe de qualquer consenso.

           O Sistema Brasileiro de TV Digital foi testado pela primeira vez no dia 12 de maio. Neste dia, os pesquisadores brasileiros integraram todas as partes desenvolvidas pelos consórcios orientados pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). O sucesso do teste experimental comprovou a viabilidade da solução nacional para a implantação da TV Digital no Brasil. O mérito torna-se ainda maior se considerarmos que esse resultado foi obtido com menos de 15 meses de trabalho dos pesquisadores e um orçamento relativamente pequeno se comparado aos gastos realizados por EUA, Europa e Japão no desenvolvimento de seus padrões.

           A Câmara dos Deputados promoveu no dia 16 de maio o seminário "TV Digital: Futuro e Cidadania". A primeira demonstração pública do funcionamento do Sistema Brasileiro de TV Digital estava marcada para a ocasião, mas não pôde ser realizada devido à não-autorização por parte do Ministério das Comunicações. O ministério alegou que os testes só poderiam ser realizados com a presença de todos os padrões, enquanto apenas o SBTVD e o DVB (europeu) estavam preparados.

           A tecnologia brasileira sofreu todo tipo de boicote ao longo dos últimos meses por parte dos empresários que controlam a comunicação no país e do próprio governo. Primeiro, a contenção de verbas e a pressa em definir o modelo, a fim de dizer que os pesquisadores brasileiros não foram capazes de consolidar o padrão nacional a tempo. Depois, as discussões na grande mídia, que pautaram sempre a escolha entre um dos padrões estrangeiros (japonês, europeu e norte-americano).

           Criada no princípio de abril, a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital, formada por mais de 50 entidades da sociedade civil, aproveitou o seminário da Câmara para entregar aos parlamentares uma carta aberta. No documento, a Frente questiona o processo de escolha do padrão de TV digital por parte do governo. Para as entidades, as discussões não estão sendo feitas de modo transparente, com a participação da sociedade.


Colaboração de Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR
e-mail: [email protected]  



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Publicado em 04 de novembro de 2006
Atualizado em 04 de novembro de 2006

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