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Trajetória do rádio brasileiro venceu barreiras políticas e tecnológicas. Até junho de 2002 o Brasil contava com 3,6 mil emissoras comerciais de rádio licenciadas, de acordo com o Ministério das Comunicações, sendo 1.802 FMs, 1.665 AMs, 70 OTs e 63 OCs. O Estado de São Paulo concentra a maior parte, com 314 FMs e 269 AMs, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Rio de Janeiro (ver tabela). Para chegar a esses números, o rádio brasileiro superou barreiras políticas como a censura durante a ditadura militar e tecnológicas, como a sedimentação da TV e a atual disputa pelos investimentos em propaganda. Em 2001, de acordo com o Projeto Inter-Meios, o rádio abocanhou 4,8% dos R$ 12,8 bilhões movimentados pelo mercado publicitário. A gênese desse mar de ondas radiofônicas data de 7 de setembro de 1922, quando as comemorações do centenário da Independência serviram de cenário para que um discurso do então presidente Epitácio Pessoa ecoasse em apenas 80 aparelhos de rádio. A transmissão acabou juntamente com os festejos e o Brasil só foi ouvir falar de rádio um ano mais tarde com a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, fundada pelo antropólogo Roquette Pinto e por Henry Morize. Com programas educativos, a emissora incentivou e influenciou várias rádios amadoras da década de 20, como a Rádio Clube Paranaense, em Curitiba. Na época, todas foram instituídas como clubes ou sociedades e, como a legislação proibia a publicidade, eram sustentadas pelos associados. Nos anos 30 surgem as primeiras emissoras comerciais como a Rádio Record, em São Paulo (1931), a Rádio Nacional, do Rio de Janeiro (1936), reconhecida como a primeira grande emissora do País, e a Rádio Tupi (1937), de São Paulo. É nesse período que o rádio se despe do perfil educativo e elitista para se firmar como meio popular de comunicação. A linguagem tornou-se mais direta e de fácil entendimento e a programação passa a ser mais diversificada e mais bem organizada. Surgem então os programas de música popular e os ídolos como Carmem Miranda e Orlando Silva. Também começam as novelas, sendo a primeira Em busca da Felicidade, transmitida em 1941 pela Rádio Nacional. No mesmo ano é lançado o Repórter Esso, ícone do radiojornalismo brasileiro. A era de ouro do rádio chega ao fim com a popularização da televisão no final da década de 50. As emissoras são obrigadas a rever as programações e se dedicam mais ao jornalismo e à prestação de serviços à comunidade. A primeira rádio a divulgar notícia na programação foi a Bandeirantes. Em 1968 surgem as primeiras FMs e seu auge se dá nos anos 70. A CBN, primeira rádio FM só de notícias, foi criada em 1996.
Colaboração de Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR
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Publicado em 05 de janeiro de 2005
Atualizado em 02 de setembro de 2005