Porque um radioamador de Viena, daqueles bem fanáticos, se dedicava mais ao seu hobby que a satisfazer as necessidades conjugais de sua jovem esposa, o matrimônio foi legalmente dissolvido, tendo como motivo o "desmoronamento psíquico" do dito.
Quando, há um ano e meio atrás, a bela Hildegard B., de 27 anos de idade, casou com seu príncipe encantado teve, já na noite de núpcias, uma surpresa incomum: o recém-casado Siegfried, de 31 anos, começou nesta primeira noite com a montagem de uma aparelhagem que emitia estranhos ruídos ao redor do leito nupcial.
A princípio a noivinha ansiosa ainda acreditava tratar-se de algum refinamento exótico na técnica conjugal... logo, porém, ela teve sua expectativa frustrada quando o maridinho deu vazão a sua paixão estabelecendo contatos com seus colegas pelo mundo afora. De nada adiantaram suas súplicas.
O marido estava concentrado na sua aparelhagem e tudo o que sobrou para a noiva, foram algumas palavras entre um e outro QSO... e já um colega de Nairobi queria saber como estava o tempo em Viena...
Nas semanas e meses que se seguiram, Hildegard fez uso de todos os encantos femininos para atrair a atenção do marido para outro comprimento de onda. Todo amor e carinho foram em vão.
O radioamador era mesmo um fracasso na polarização em 2 metros. Entretanto sua mania radiofônica se estendeu a outras faixas.
Quando a propagação fechava, corujava a rádio-patrulha e, sempre que ouvia um chamado importante, vestia-se rapidamente e, altas madrugadas, corria a presenciar a intervenção policial.
Noite após noite a frustrada esposa era obrigada a ouvir essas conversas do marido. Este, não só não dava conta do recado, mas roubava o sono da coitada.
Seu empenho em manter, madrugada a dentro, os colegas do exterior informados sobre os acontecimentos em Viena, levaram a esposa ao desespero. Não teve outra alternativa, senão abandonar o leito conjugal.
Finalmente emitiu o SOS que estava a seu alcance: entrou com uma ação em juízo pedindo que se fizesse um QRT em seu matrimônio, que não era.
Em conseqüência, o casamento, que devido à freqüência diferente do marido ficara estéril, foi, por culpa exclusiva do dito, dissolvido.
(Publicado em CQ-DL 4/77 - Tradução livre de PP5DZ - Cortesia de PY3IDR - IVAN)Colaboração de Ivan Dorneles Rodrigues - PY3IDR
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Publicado em 22 de junho de 2006
Atualizado em 22 de junho de 2006