| (putaria.) |
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; edição cabaço
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<-------------tenha senso estético: use fonte de largura fixa---------------->
<----------------e depois arrume a janela nesta largura, ó------------------->
=-#0-----------------------------------------------putaria@bruce-lee.com-----=
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__________________________________(putaria.)__________________________________
__________________um e-jornal a serviço da bitch djeneration__________________
___________________________edição cabaço - 03 março 1999______________________
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| +CONTÍUDO+ 011101010101010010|
| 001010111001100101|
| (editorial.) DA HIMENOLATRIA 111001010101000011|
| daniel pellizzari 001010101001110101|
| 110101010110011010|
| (conto.) AVALOKITESHVARA E O BAR DO ALFREDO 011010101000011100|
| julio lemos 110101010011100110|
| 011010101100110001|
| (poesia.) TRILOGIA DAS VIRGENS 011011011000011101|
| mariana messias 101010010101011010|
| 010101101100110110|
| (crônica.) SEM TÍTULO 111110111011000110|
| mariana diehl bandarra 100110011011011010|
| 001001100111001110|
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a PUTARIA putaria PUTA* (editorial.) *putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA| DA HIMENOLATRIA |putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA* daniel pellizzari *putaria PUTARIA putari
"Somos himenólatras" -- Prof. Hélio Gomes
Mesmo não tendo expectativa alguma, é difícil para alguém se livrar da
ansiedade de primeira vez. Motivos, todos sabem: ela é especial, é sagrada,
principalmente por ser irreversível, uma só. Pelo menos é o que se espera
dentro da sacrossanta paz doméstica (menina doce de seios duros, maneira
característica de andar, inconfundível modo de emitir a cascata de urina/ouro
- indício da aproximação e coaptação dos grandes lábios - e sinais morais e
psíquicos não passíveis de simulação, virgem, nunca usada, inocente, não me
toque: zero redondo).
"Mulher virgem é a que nunca copulou" -- Prof. Hélio Gomes
Com sabedoria de loção adstringente vaginal, um número 0 serve justamente para
isso: atentado violento ao pudor antes do casamento. Conhecer sem conjunção
carnal, Mistério da Fé, intocada Rosa Mística. Arremedo de cópula em regiões
estranhas ao sexo dos nubentes: coxas, a dobra das pernas, entre os seios,
boca adentro, na bunda, coisa suja, ato doloroso e repugnante, mas como podem
fazer isso por onde se faz cocô? Ainda assim virgem: número 0. A integridade
da membrana anula a possibilidade de coito pregresso.
"Uma rapariga pode ser ao mesmo tempo virgem e não casta, casta e não virgem,
casta e virgem, nem virgem nem casta" -- Prof. Silva Ferrão
Pois assim somos. Bons dias; chegamos.
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a PUTARIA putaria PUTA* (conto.) *putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA| AVALOKITESHVARA E O BAR DO |putaria PUTARIA putari
TARIA putaria PUTARIA | ALFREDO |ARIA putaria PUTARIA p
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA* julio lemos *putaria PUTARIA putari
afinal eu fazia apenas outra ação óbvia me embriagando no meu boteco
preferido, lembrando às vezes que não estava desacompanhado em outros dias e
que ei seu viado senta aqui eu vou te contar como organizei minha coleção
hoje cedo como eu sempre quis mas veio um puta vento e meu quarto ficou
uma zona e eu vou contar que antes as coisas tavam melhores e eu não tinha
de me preocupar em arranjar amigos embora eu agora teja em paz com meu mundo
estático de. Às vezes me pergunto por que não sou um homem de ação e por que
tenho de ser sempre. Mais uma cerveja, seu safado. Eu quase chutei um bêbado
na bunda ontem, eu sempre soube que só não têm mais o que fazer. O Helmut se
aproximou de mim sorrindo e me pediu pra pagar uma cerveja e enquanto eu fiz
tipo de superior eu pensei sobre a posição do céu. Uma beleza. O telhado
atrapalhava um pouco, mas sabe como é - conspiração, gatos, eu sou um
muçulmano, olhem aquelas coxas, hsplim-splash, eu odeio literatura, já leu
Trainspotting?, escocês safado, vêm cá dopadinha, yes sire, take me home, eu
sou um gênio e cago como todo mundo - o céu não se perde sempre, é uma beleza
incomum, e nós arti-pseudo-stas, afinal eles são um mito. Um mito é uma
transposição de um, ei Helmut, eu só te pago uma e amanhã tu me deve mais
duas e eu vou ser abstêmio por um bom tempo: é foda não seguir padrões e
gemer na hora errada e rir de todo mundo e um dia se ver dopado como um
junkie, the pleasures of the flesh, mundane as hell, coloca um pink floyd
antigo aí. Ei Helmut, sabe a Priscila? Então, ela passou aqui e perguntou por
vc, ela tava bem safada, podia até me dar um beijo se eu quisesse. Eu sou
muçulmano. Na verdade, estudamos muitas doutrinas orientais até que vem um
desgraçado e diz que os indianos já estão felizes com as maravilhas
americanas: os americanos são ótimos. Um abalo. Eu queria ser fodão como o
Brad Pitt. Ei Helmut, como estão as coisas? "Pois é, Karate Kid, eu lembro que
vc tava atrás da Priscila, huahuahua, perdeu tempo". Poxa, tou com saudade dos
amigos legais. Eu sempre fui tão bom que iria me tornar um Avalokiteshvara e
ficar sentado em lótus o dia inteiro criando um monte de braços. Um abalo. Vai
ser difícil chamar aquele cara, ele só atende os boys. Isso me faz lembrar
umas suites para cello que me fizeram chorar por ordinárias e achar que estava
sendo santo e que o mundo superior da arte me levaria longe e que alguém me
disse tão singelo que sofrimento era ascese que ótimo eu sou dos bons só me
resta cortar os pulsos, ei seu merda para de fazer besteira, mas eu não avisei
ninguém, fazia só por mim, depois eu ia tar morto mesmo, e eu me calei. O
viado devia ter razão (prefiro confiar em mim, mas muitas vezes eu sei que
os outros são eu), seu ególatra desgraçado. Parem de xingar. Eu fiquei
conversando com o Helmut, para de pedir cerva que depois vc vai ter de pagar
tudo e eu não tenho nada a ver com isso. Tem sim. Ah, eu sempre vou puxar
pro lado dos escritores, vou trazer a cultura estúpida deles pra vcs. Um
abalo. Av. St James, bem longe, n.o 777, b ate na porta e sai de lá um europeu
alto e franzino, olha a zona sul, tem gente no chão pedindo queijo, eu
prefiro beber um do porto a pedir queijo no chão, vc não é aquele Herr
Stockhausen, olha só, me dá um autógrafo, seja bonzinho, ein gutes Mädchen, ja
ja bitte bitte küsse und küsse und Scheiden mit schöne Schamhaar, c´mon
german baby, porque diabos vc tem duas? Me dá uma? Bradenburg. A italianas são
melhores. Vamos ler Lautréamont juntos e vc vai ver onde vai o meu indicador.
"O que ce tá pensando?" Eu só tou pensando no que vou fazer pra entrar em
casa; acho que perdi a casa. Ops, a chave. "Vc sempre troca palavras
quanto tá alcoolizado, nossa, falei difícil". Pois é, eu troco. Cadê o troco?
Já quer ir embora? Eu já falei, vc já me falou em ir embora umas 23 vezes. Que
porra. Olha só, que gostosinha! Chama ela aqui... não pô, eu não tenho as
manha. Pede pra colocarem um pink floyd antigo logo, tou louco pra
ouvir. Fui até o banheiro, naquela hora a tonteira já tava subindo, e eu tive
a impressão de que passaram a mão em mim, mas não vi quem foi, seria a Pri?
Nossa, isso tá fedido hoje. Vou ser muçulmano. O vento sempre estraga tudo,
mesmo quando eu tou em casa, Chopin na vitrola, a janela aberta, quase
chorando como sempre, uns cães no fundo latindo, aparecendo um pedaço do céu
no canto, ah, isso é foda mesmo. Mijei bem, esvaziei. 1997 Anno Domini, sem
amar ninguém, odeio essa palavra e seus derivados, engraçado até. Tentei
seguir uma vida complicada, sem pensar muito, acima de tudo, sem abalos, e
cheguei até a mesa onde o Helmut tava com a Priscila. Bonitinha, saudável,
esquálida, clavículas (imagem que sempre me acompanhou), meio burrinha (que
ótimo, eu queria ser assim), se fosse um traveco seria assim (seria assim
sim), olá Pri, o que manda? Oie, JC, tou bebendo da sua aqui, tá bom? Beleza.
Não use meu nome em frases, parece coisa de livro. Ok, obrigado. Esse cara
não vem atender a gente não? Scheide. Coisa linda... vire de costas, mostre
essa sua visão traseira almost sem bunda, que beleza, e esses bracinhos? Umas
feridinhas, bem sexy. Nem se atreva a mostrar tuas clavículas, queridinha. Sou
muçulmano, novamente as doutrinas orientais. E também sou devoto de São
Francisco de Assis nas horas vagas, e até perco meu tempo com teologia,
apesar de ser uma negação em conhecimentos. Não sei nada, não é? (perguntei
pro Helmut) O caralho, eu é que não sei de nada; que conversa mais de bêbado
(ele foi gentil). A Priscila me olhou e sorriu, queria ser amigo dela, dar uns
abraços de vez em quando, ensinar pra ela como se deve viver fora da sociedade
(que óbvio, cale-se), mostrar pra ela que essa gentalha só serve pra copiar os
bons homens, e não me esquecer de que devo nunca, devo nunca falar sobre
inversões de valores (tema constante nos tolos repetitivos) e sobre cometer
crimes sem se arrepender (falo de salvar um cachorro atropelado e depois tomar
umas cervas sem pagar e talvez bater num besta aí com tijolos e fazer o favor
de dar bem dado até ele morrer), e sobre a compaixão para com todos os seres
(se vc matou um escaravelho ontem, um quiróptero ou seja lá que nome de
bichinho for, não custa dar cabo de um homem, é a mesma cagada). Ah, menina,
vc nunca vai me entender. Meu mundo é mais foda que o seu. Nunca percebeu que
eu mereço mais? Vão me mandar calar a boca se eu disser sempre o que penso. 24
horas por dia. Um abalo. Só que eu não me abalo, o Helmut subiu a escada, não
sei porque diabos deixou a Pri aqui sozinha comigo, diabos, aí vem o Sílvio,
como eu vou dispensar esse chato? Ei seu nerd, não me enche o saco. É, vamos
indo... tamos só tomando umas. Não te convido a sentar porque não tem mais
cadeiras. Chato né? (como vc, seu vagabundo de merda). Vamos rezar que ele
vai; putz, que vergonha, eu querendo rezar por impermanências (desculpem-me,
divindades, eu amo vcs). Ele não foi. Já tava caindo em cima dela quando eu
disse, eu vou dar uma andanda, deixar vcs sozinhos ok? Não, não não não, não
não, não por favor please (eles sendo gentis). Tá, o cara é puta feio e
idiota, vou fazer um favor pra ela e deixar de ser sem-auto-estima um pouco,
tavasendoumabostaquerida, vai ser pior. Eu fico. Ai que ótimo, e ele saiu, mas
o silêncio foi outro chato que chegou e sentou. Eu chutei a bunda do silêncio
(bêbado dos infernos). Vamos pra São Paulo? Eu não aguento mais Campinas nem o
Paraná. Vamos mandar tudo pros infernos. Vou te dar uma lição, tou com tesão
mas sou um cara bonzinho, repito, Avalokiteshvara, respeito máximo, um pouco
de concertos pra violão (odeio concertos e acho o Vivaldi um viadinho do mal).
Não sou homofóbico, a Priscila adorando, os caras são legais e até eu me sinto
um pouco feminino como sempre, não, homem sensível, não me venha com essa! Eu
sou macho. Mas vou ser óbvio (mor legal ser óbvio, bem vanguarda): cada um na
sua. Individualidade já. Pensa que é fácil escrever? Eu não tenho dons pra
nada, mas meu mundo interno é o que há de interessante, toda mulher ia querer
dar pra mim se eu fosse mais descolado e menos gentil. Pare, mulher vem em
décimo lugar. Antes colecionar insetos na agulha, com os nomes deles em baixo,
isso impressiona. O céu tava bonito mesmo, né Priscila? Ela não liga pro céu.
O que é beatnik? (ela me perguntou assustada). É que tem um amigo meu que lê
muito, sabe, e ele me indicou esses caras dessa onda. Que onda o que. Seria
legal se tivéssemos um mar aqui: brilhando inconformado; um delírio; eu não
uso drogas, isso é coisa pra gente que só faz uma coisa ou duas na vida. Tu é
bonita, sabia?, hoje tá mais que nunca, essa roupa te caiu bem. Pede mais uma
cerva, eu pago. Arrumei uns trocos com uma bandinha de jazz safada; toquei
contrabaixo, e mal, mas eu quis fuder tudo; queria que o pianista usasse mais
clusters e que a gente fosse mais free, mas acontece que esse negócio de
chutar o pau da harmonia tradicional, não, mas vc não sabe, tem música atonal
hoje, e isso ainda é coisa do passado (inclusive música atonal); vamos ser
free, eles engolem; mas não, saía só lá menor, dó maior, coisas lindas que
aquele pianista tirava, mas tudo composição de outros (falta competência no
jardim da casa dele, e o banheiro dele é como os outros), coisas do Miles
Davis, do Garbarek até, e principalmente do Monk, e até pude escolher um
Mingus que ficou um tesão, só que eu me perdia nas semifusas quando o
baterista puxava pra 70 bpm, eu não sou muito ruim não mas queriam demais e eu
cortava tudo, fazia o andamento de 4/4 virar um abalo em 6/8 e alternava uns
compassos compostos que eles não entediam, que porra para com isso, eu não
faço clusters, vai contratar um ganso como saxofonista, é pizzaria! não é a
casa da sogra pós-moderna cacete! e eu parei de ser budista e descobri que eu
tinha mais compaixão que o Dachshund da minha vizinha alemã. Assim eu podia
pagar mais 13 cevas hoje, e ainda sobrava mais 7 por dia nos próximos três
meses. Eu tava rico! Mas a Pri não dava bola. Deu mais bola pro mano que veio
vender cocada pra ela. Argh, odeio esse pó; uma merda. Ela também não comprou
nada, que ótimo. O Helmut não ia demorar muito, portanto eu banquei o
ultraromântico e já ameaçava chorar quando ela desviou os olhos da minha mão.
Observamos umas pessoas estranhas e descoladas que entravam no bar; as
propagandas de cerva (fabricação própria, coisa de germânico) e batidinhas do
Alfredo, que tavam dando certo afinal. Uma amiga bizarra dela (putz, ela
parece uma daquelas moças estranhas dos desenhos do Aubrey Beardsley) veio e
já catou uma cadeira (que estavam usando, mas ela tem sex-appeal), e sentou
entre eu e a Priscila. Deu um beijo nela, olhou pra mim e acenou gostoso,
estava bem chapadinha. Fim de mundo esse bar, só drogados. Odeio isso (mas é
interessante, compraria uma turma dessas pra rir lá em casa enquanto eu
assistisse um recital de cravo no video). Ficou meio abraçada com ela e
ria sem parar, e eu pensava em como seria fácil pegar no queixo dela e dar
uma mordida naquelas duas bordas bem vermelhas. Fiquei tentando chutar minha
timidez enquanto compunha uma balada com uma melodia o mais estranha possível
(esquecia do círculo de quintas, mas não tava nem aí, apesar de não gostar de
música aleatória, olha a série harmônica esperto) eu ia chegar em casa, ligar
pro Beto e combinar um ensaio amanhã. Minhas costas doíam enquanto eu tentava
ficar reto, lembrei do ortopedista de quando eu era adolescente, odiei cada
palavra dele. Ele cuspia enquanto falava, e eu preferia estar tratando dos
meus pequenos crocodilos em casa, deitado com a bunda na varanda fria (adoro
azulejos verdes) do que ouvir recomendações sobre minha coluna. Dóia pra
cacete, e eu fui pra. Splish-splash. RRRRRR. Só ouvi as duas falando baixo (eu
não podia ouvir nada, era a intenção delas). Isso era bem ruim, porque eu
sempre tentei manter ordem apesar do caos que fazia strip-tease pra mim. Eu ia
virar minha latinha no colo dela se ela não parasse de me deixar de lado. Eu
quero, quero agora. Sou muçulmano, só esqueci o Al Qur´an em casa fedendo
mofo. Eu ia cantar algo em árabe que tinha aprendido, mas acho que o álcool
não me deixou lembrar. Ah, whatever. O barulho me incomodava pra cacete,
esvaziei a lata e pedi outra; mas minha voz tímida não chegou até o garçom que
me ignorava talvez, ou não ouvia, acho que ignorava, ou não (os tímidos também
vivem em constante dúvida de tudo, até em ações sem importância). Enfim eu
gritei, saiu bem ruim, e ele veio e foi me trazer outra latinha. Quase
esfreguei ela na cara da guria que só sabia rir, mas fiquei com dó; preferia
passar a mão nas coxas dela; que lindo, o desejo sexual é mais santo que uma
catedral gótica em portugal, vcs sabem onde elas ficam, tem uma bem bonita na.
Ah, esse que é o JC... bem meigo ele; me dá um gole? (ela me pediu cerveja, na
cara dura?). Sim, pode tomar, mas deixa um pouco pra mim. A conversa tá boa?
Tolinho, é coisa de mulher, ela tá menstruadinha hoje. Não parece... ela não
vai parar de tomar minha cerva? Deixa ela, tadinha, ela precisa. Ela é
simpática. Este é o Sr. Meigo, e essa é a Srta. Menstruada, prazer, prazer,
devolve minha cerva. Obrigado. Putz, que gato feio! Tira esse bicho daqui...
ele fede e só quer sugar comida (a dopada falou isso depois que me devolveu a
lata). Vou pedir uma porção de fritas pro gatinho, gostei dele (admitam
meninas, essa foi de gênio). Então eu esperei o garçom me ouvir e esperei e
esperei e enquanto isso elas trocavam palavras sobre menstruação que lindo
gostei 777 passei três anos pra entender minha prima de 2-5 anos e agora tenho
duas serpentes do sexo (sexo sexo sexo) feminino na minha frente que custam
uns 50 reis cada não posso pagar nada além de uma porção de fritas pro gatinho
faminto ei bichano espera que já vem já vem sabia que eu sou vegetariano ah é
os humanos não costumam comer gatos nesse país mas olha só eu não como animais
dê a patinha e. Chegou a porção depois que eu contei até 198 em frações de
mais de um segundo ou sabe-se lá. As meninas estranharam que eu não estivesse
brincando; não era uma história Zen. Eu realmente pedi batatinhas pro gato, e
peguei ele no colo, as duas estavam se chupando putaqueopariu, não esperava, e
o gatinho comeu rapidão dando uns arrotos engraçados (mais engraçados que
minha idéia surreal e o beijo das duas). Olha, eu não curto lésbica (pra
salvar meu gosto incomum, porque todo homem curte lésbica e teria uma ereção
numa situação dessas). Eu não me excitei. Que porra, eu só fiquei de lado,
caralho. Para de xingar. Come bem gatinho, e se quiser pode lamber, eu
deixo. Gato come fritura? Sei lá. No meio do beijo elas notaram que eu
realmente tinha pedido a comida pro gatinho só, e nem coloquei sal pra não
sacanear. O Boddhisattva da compaixão, eu amo ele. Fazendo uma homenagem, sem
saber francês. A Europa é mesmo uma droga quando se trata de certos assuntos.
Ouvi dizer que o líder iraquiano de bigode tem 20 sósias espalhados pela terra
santa (lógico que não é Europa). Um abalo. Os americanos são ótimos cobaias, e
têm uma cultura pop que me dá inveja. Melhor que estudar os hábitos dos índios
mexicanos (ah, Teonanacatl) só uma batida ou dizer que o Warhol é um merda (e
achar o máximo) e passar 5 dias seguidos vendo só um Tarantino ou um Hitchcock
ou um filme escroto dos anos 80 com jovens americanos estúpidos. A vida tem
tanta coisa foda. Essas duas, por exemplo: já se beijaram 108 vezes e ninguém
se ligou, e eu dando comida prum gato sarnento com caxumba e um tumor no rabo
(sem exagerar). Pra me recuperar, lembrei de uma tela do Millais, a Ophelia,
ai que coisa mais linda, uhhh, eu morria pra ficar ali do lado daquela menina
doida morta. Bem, chega, nada de ticas mortas por aqui; só tenho duas trocando
mãos e pés e bocas loucamente ali, um bastardo olhando, dois, três, ah, é
normal e eu vou ficar olhando também fixamente, aquilo é o mundo (é tudo, um
panteísmo bem sexy), deixei minha visão turvar, o Helmut passou rindo
"huahuahuahua se fudemos", isso vai embora invejoso, compaixão, seja mântrico
e terá das suas, OH PRISCILA EU TE AMO PUTA MERDA. - E eu não ganho um beijo?!
Cheguei perto, schlept, etc, língua áspera, dentes tlec-tlec, sim eu beijo
bem, schlept, olha o que ganhei por ter sido atrevido, Orion, Matilda,
Scheisse. Não foi a Priscila, lógico, foi a dopadinha; vi que ela tinha fumado
uns. A Priscila nos deixou a sós. Que merda. Giletei a cara da maconheira e
vazei. Dormi fora de casa tinha perdido a casa não a chave seu idiota o Helmut
comeu a Priscila porcaria Alah seja louvado
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a PUTARIA putaria PUTA* (poesia.) *putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA| TRILOGIA DAS VIRGENS |putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA* mariana messias *putaria PUTARIA putari
Virgem maria do descampado
Calo estes coices uterinos
e anuncio desde já:
A vida é coito interrompido
Mais sofre quem chafurda
Em seu muco tóxico
Deleite para os animais de rua
Que são a visao gratificante
Dos turistas acidentais
Das calçadas descoloridas
Da contemporânea
Porto Alegre,
Onde abriguei meu caos
Contra pingos lascivos de chuva
(os bueiros entupidos!)
as sarjetas evitam
pés na cara
mais sofre quem chafurda
lama tóxica descampado
no planalto central
cultivo o céu turvo,
digno de quem espera porra no olho
(infeliz de quem chafurda!)
imagem sacra de uma
Virgem Maria Desequilibrada
Que adormece Cristo
Em seu ventre e
O mata três vezes
antes do galo cantar.
Suco àcido (àxido?)
Me corre as veias
Línguas àsperas (àxido?)
Me corroem o corpo
Manhãs ventrílocas
Desvairadas
Corro os dedos
por meus cabelos melados
(mais sofre quem chafurda!)
soro de piedade
(piegases)
muda forte e rápido
a fronte para a notícia
a virgem morre enforcada
sem seu descampado
cristãos enterrados vivos
para meu bem
(flores?)
limpo a tóxica lembrança
outrora chafurdei
(pobre alma minha!)
virgem muda
enterrada virgem
desconjuntura cerebral
mais sofre Midas que chafurda
em busca do orgasmo filosofal
ele não vem, já disse
ficou retido na alfândega
zona franca de Manaus não mente
a virgem louca
o cristo infernal
golpes de foice sacra
(des)aterro matinal
Virgem olhos
Virgem
Eu cansei dos teus olhos virgens
Vago planador
Que não me diz nada
E sente que me perdeu
Sábio venero
Sabe de encruzilhadas
E metáforas
Sabe de vida?
Se poupa para a proa?
Quer a carranca mais feia
A vênus mais opulenta?
Sofre teu ardor, virgem
Pisca teus olhos inquietos
E condena tudo o que vê
viu, virgem
sobe fome
ARANGANDELA
Cerca e açoita
Mata de trepar esta cadela
Virgem de ânus roxo.
Sonolenta
Crê em deus,
Faz tua cerca
Eu cri, ou quase
É apalpei meus bens
Eles tomam forma sorrateira
De benificinas
De fodedeiras inveteradas
Eu não sei se te côo
As lágrimas ou o desdém
Virgem surda
Coroa tuas rosas com suor
Cora tuas esferas para mim
Virgem solitária
Calhambeque ordinário
Faz tua obra de magnificência
Se ousares calar
Furo-te os olhos com lanças
Cego-te os ouvidos por onde planas
Calço-te o pensar doidivanas
Quero te fuder,
Virgem
Se o amor não fosse tao insípido
Gosto de tabaco e calmante
Diluído em saliva
E assim por longos dias
Lamberei teus pelos virgens
Só rasteja quem penetra
Comerei-te
Carne
Ossos
Suor
Sangue
Virgem imaculada
Desperta o verde
Opodrealmavalemusgorocha
Morre calada
Afogada em porventuras
Grunhidos de prazer ou dor
Virgem aborta cristo
Nosso cristo
Assim ela quis
Que assim seja
Mundo CaOs
A espera daquele que não vem
O final do império virginal
(a imagem do lodo)
só as mãos são virgens
mães vivas no lodo dos
nossos olhinhos culpados
virgens que fodem
perdem o encanto.
mesmo que eu pene,
pelos cantos,
por uma virgem melhor
é só seu ato de chupar
que nos infla o encéfalo
e soterra o cerebelo com memórias.
corro meus olhos
pelas virgens da redondeza,
nada me atrai.
singeleza feminina
virgens mudas de pau na mão
só as mães morrem virgens
o resto delas redescobre o mundo
ao abrir as pernas.
virgens afogando minhas ilusões
em seu lodo menstrual
bolas de coágulo na boca,
pronta para outra.
.
esta virgem é mais virgem
que as outras
tão virgem, que minhas palavras
são dedos grossos
perfurando seu hímen complacente
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a PUTARIA putaria PUTA* (crônica) *putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA| SEM TÍTULO |putaria PUTARIA putari
RIA putaria PUTARIA * + ------------------------------ + *PUTARIA putaria PUTA
a PUTARIA putaria PUTA* mariana diehl bandarra *putaria PUTARIA putari
Observando cautelosamente a janela que com desrespeito se move em círculos
pelas mesmas ruas de sempre, macerando pensamentos vãos em tornos de viadutos
que implodem no infinito. "Ah, Porto Alegre!", as mocinhas vociferam às
janelas das escolas. As roupas úmidas de começo de semestre pelo suor
sanguinário dos professores famintos. O asfalto expelindo seu magma humano
no núcleo do que o jornal de amanhã irá declarar como uma grande tragédia.
Anônimos ao redor de uma poça de sangue quente. Fervendo no asfalto molhado. A
morte. Um ônibus corta a multidão, as mães apertam suas crias contra si para
protegê-las da fumaça. Hoje em dia, nunca se sabe. "Cada dia eles inventam
uma doença nova, por isso mesmo lá em casa não entra mais velho. Não tem bicho
pior que velho. Depois que a minha sogra saiu lá de casa o cachorro nunca teve
mais vermes" ... O ônibus lentamente se arrastando. As mães e as crias e
dezenas de rostos esfumaçados e liquefeitos se espremendo contra os vidros. As
janelas desacelerando em ritmo de festa. Um grito. O motorista resmunga algo
que parece ser um palavrão mas pode ser uma ave-maria. Não dá para passar. Uma
senhora no banco dos idosos começa a chorar. "Meu filho! Meu filhinho! Ai,
acode meu menino Jesus!". "Mas minha senhora, era uma moça, seu filho era uma
moça?". A velha se volta com ódio nos olhos para defender a honra do fruto de
seu ventre amém. "Meu filho nunca foi moça coisa nenhuma. O senhor conhece o
meu Vitinho, por acaso? É um moço direito, com tudo nos seus conformes, deixa
só ele arrumar um emprego" ... A velha chora cobrindo o rosto com as mãos. A
mocinha da escola cospe pela janela. Buzina. Beeeeeeeeeeep. Viaduto. Sirene.
Poça de sangue. Cheiro de pobre. Asfalto. Tudo pulsando, queimando, numa
grande caçarola de ruas translaçadas em nó cego. Agonizando na fumaça de canos
de escape. Toda a vida escapando pelos canos. Rostos sem nome, rastros sem
planos. Ardendo nos ônibus e nas escolas. Tudo. ACABA. Consumido por ínfimas
partículas de oxigênio, cumprindo pena em uma qualquer dessas celas úmidas que
sequer fedem a pobre e sim a nada. O ser urbano em incessante luta para ser
humano ainda que primata. O ônibus arranca. A multidão se comove. O viaduto
oscila com o peso do ônibus. No último banco do último ônibus, um rapaz com
uma pastinha de alça no colo dormita com fones de ouvido a assoprar crenças em
sua cabeça dolorida. O boy não tinha nada a ver com a história (boys nunca têm
nada a ver com a história), mas o que tem tudo haver? O viaduto balança mais e
mais violentamente, as carcaças se amontoando, todas as personagens do mundo.
Calor. Calor. E fim.
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___________________________edição cabaço - 03 março 1999______________________
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