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Ativistas de
movimentos sociais de todo o mundo advertem que o foco do Fórum
Mundial será o comércio internacional e tencionam organizar
manifestações como as de Seatlle e Genova.
Prisão de ativistas na
África do Sul, às vésperas do Fórum Mundial de Desenvolvimento
Sustentável
por Mônica Martins
No dia 21 de agosto último, cerca de 3.000 trabalhadores sem-terra
reuniram-se em Gauteng, África do Sul, para entregar um manifesto ao
governador Mbazima Shilowa, pedindo o fim das remoções forçadas dos
ocupantes de terras da província. Em resposta, o governo prendeu 72 dos
manifestantes dentre eles, dirigentes do Movimento dos Sem Terra
sul-africano (LPM) e do Comitê Nacional por Terra (NLC). Estas organizações
planejam realizar uma marcha popular durante o Fórum Mundial de
Desenvolvimento Sustentável ("Rio+10"), em Joanesburgo, para
reinvindicar a reforma agrária. Evidentemente, tal campanha ameaça as
pretensões do governo sul-africano, desejoso de mostrar aos mais de cem
chefes de Estado com presença confirmada no evento que não existe
pobreza nem sem-terras no país.
No entanto, os contínuos abusos contra os pobres, nas áreas urbanas e
rurais, indicam que, em relação à distribuição de terra, o regime
do "apartheid" continua vigorando e foi acrescido de
dispositivos legais baseados nos valores de mercado. O governo nem
cumpriu as resoluções da Conferencia Nacional da Terra, em novembro de
2001, nem concretizou as recentes promessas de discutir os obstáculos a
um processo efetivo de reforma agrária. Apesar do Presidente Thabo
Mbeki ter reiterado que o FMDS deverá refletir as preocupações
"do povo e das autoridades", não há indícios de que as
questões fundiárias venham a ser tratadas.
Para "ajudar" as nações africanas a promover programas de saúde,
educação, água, energia e reflorestamento, o governo dos Estados
Unidos anunciou, em Washington, a liberação de 4,5 bilhões de dólares,
durante o FMDS, que terá a presença do General Colin Powell
representando o presidente norte-americano. Em Paris, o comissário de
comércio europeu, Pascal Lamy, considerou um engano debater questões
ambientais e de desenvolvimento, ignorando o papel fundamental do
mercado. Ativistas de movimentos sociais de todo o mundo advertem que o
foco do Fórum Mundial será o comércio internacional e tencionam
organizar manifestações como as de Seatlle e Genova.
Em pleno Fórum, que vai de 26 de agosto a 4 de setembro, os
desentendimentos se multiplicam. Para tentar resolvê-los,
representantes de 27 países que assessoram o governo sul-africano na
organização do evento irão se encontrar, como de costume, a portas
fechadas. Resta saber se conseguirão.
Favor enviar mensagens de solidariedade aos camponeses e em defesa do
direito de manifestação para:
1. Embaixada da África do Sul em Washington:
E-mail: safrica@southafrica.net
2. Cópias para o Comitê Nacional por Terra (National Land Committee):
nhussein@worldonline.co.za
Mônica Martins é pesquisadora da Rede Social de Justiça e Direitos
Humanos e professora da Universidade Federal do Ceará.
www.carosamigos.com.br
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