O BRASIL:

 

Segundo Roberto Marinho


 

Complacente com a Ditadura

Um novo movimento sindicalista surgiu entre os metalúrgicos de São Paulo no final da década de 70, durante uma greve.
 

Os militares tentaram dominar o sindicato, e prenderam Lula – o líder sindical daquela categoria – com base na Legislação de Segurança Nacional. O escritório central da Globo permitiu que uma equipe de repórteres fizesse um documentário sobre os tumultos e os novos sindicatos. 

Quando o trabalho terminou não houve nem a preocupação de submetê-lo à censura. Era um ótimo documentário, muito forte. E é claro que nunca foi sequer apresentado. Foi censurado no nível da chefia de jornalismo. Foi um momento em que a intervenção do governo foi desnecessária... 

   Lula (líder sindical à época): 

   “Achavam que nós não deveríamos falar para a Globo. A Globo só mentia a respeito da greve. Ela não dava as informações corretas, não dava o número de participantes correto, não dava as nossas deliberações corretas, não dava o número total de pessoas paralisadas, ela só informava sobre interesses patronais. Por exemplo: um dia a Globo entrevista o Lula falando em nome dos trabalhadores, e o Mário Garnero, falando em nome dos empresários. No dia da entrevista só aparece o Mário Garnero. Não aparece o Lula.”


   Armando Nogueira (chefe de Jornalismo da Globo 1967/1989):

   “A recomendação que a gente tinha, a instrução que a gente tinha da parte da ditadura, era de fazer uma cobertura soft, sem som ambiente, ou seja, sem trilha sonora e sem que se pudesse ouvir os líderes sindicais, só se podia ouvir os líderes patronais.” 

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