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Brasil:
Líder do Novo Eixo do Mal
Brasil poderá
liderar milhares de terroristas contra os Estados Unidos, ameaçando
Bush com mísseis balísticos nucleares, se Lula vencer - afirma
The Washington Times.
O jornal The
Washington Times publicou artigo absurdo, escrito por ex-membro do
Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, que acusa o
"novo presidente radical eleito" (???) do Brasil de levar o
país a liderar um novo "eixo do mal", com capacidade de um
ataque nuclear e alinhado com os
"inimigos dos Estados Unidos".
por Aldo Novak
editor do Relatório Alfa
"Uma nova ameaça terrorista e nuclear com mísseis balísticos
pode muito bem incluir Cuba, de Fidel Castro, o regime de Chaves, na
Venezuela e o novo e radical presidente eleito do Brasil, com ligações
com o Iraque, Irã e China", afirma Constantine C. Menges na edição
do jornal The Washington
Times do dia 7 de agosto. Menges foi membro do Conselho de Segurança
Nacional dos Estados Unidos e atualmente é 'Senior Fellow' do Hudson
Institute, um instituto controlado pela extrema direita americana.
Em seu artigo para o The Washington Times, ela afirma categoricamente
que o Brasil passará para o "eixo do mal" caso Luis Inácio
Lula da Silva seja eleito o novo presidente do país. Longe de ser uma
análise fria, o artigo é repleto de absurdos, mas mostra que há um
movimento articulado para
influenciar as eleições brasileiras. Alguns chamariam de conspiração,
já que tendo sido do Conselho de Segurança Nacional ela,
naturalmente, sabe que suas afirmações são falsas.
Em seu artigo, Constantine Menges usa uma frase de Fidel Castro, dita
a Hugo Chaves, segundo a qual o "Irã e Cuba poderiam colocar os
Estados Unidos de joelhos"', citando também Hugo Chaves, que
expressou "sua admiração" por
Saddan Hussen, quando visitou o Iraque. Embora isso seja verdadeiro, a
autora naturalmente usou de afirmações claramente voltadas ao
marketing interno de cada um dos presidentes como se fossem a expressão
da verdade.
Mas ela vai mais longe, ao afirmar que "o eixo (do mal) ainda
pode ser evitado, mas se o candidato pró-castro (Lula) for eleito
presidente do Brasil, os resultados poderiam incluir um regime radical
no país, o restabelecimento dos programas de mísseis balísticos
nucleares" - outro
erro grosseiro da analista - e uma ligação direta com os
patrocinadores do terrorismo, tais como Cuba, Irã e Iraque,
participando assim da desestabilização das frágeis democracias
vizinhas". A autora se esquece que o Brasil nunca teve um
programa de armas nucleares aberto, somente um
programa secreto que nunca funcionou e que foi patrocinado e dirigido
pelo governo militar, de direita, do país - programa, a propósito,
sabotado diversas vezes por ações da CIA no Brasil. O Programa
Espacial Brasileiro e o VLS (Veículo Lançador de Satélites) até
hoje sofrem as conseqüências da neurose do Conselho de Segurança
Nacional dos Estados Unidos. Diga-se de passagem, neurose válida, na
época.
IMPORTANTE: Que fique claro que o Relatório Alfa é frontalmente
contrário ao estabelecimento de qualquer programa nuclear militar no
país, esteja que governo estiver no comando da Nação.
Segundo a análise da suposta especialista, o Brasil poderia liderar
300 milhões de pessoas em seis países diferentes para controlar
regimes anti-Estados Unidos e "possivelmente milhares de novos
terroristas doutrinados para atacar os Estados Unidos a partir da América
Latina".
Ela afirma, ainda, que o "líder nas pesquisas eleitorais, se
eleito, tem extensas ligações com o terrorismo internacional. Seu
nome é Luis Inácio da Silva, do Partido dos Trabalhadores".
Constantine C. Menges afirma, em seu artigo, que Lula fundou "o Fórum
S. Paulo em 1990, um encontro anual de comunistas e outros terroristas
e organizações políticas radicais da América Latina, Europa e
Oriente Médio" . Com um discurso que parece ter sido extraído
dos anos 50, a extremista de
direita afirma que as reuniões são usadas para "planejar e
coordenar atividades terroristas em todo o mundo e nos Estados
Unidos". Em seu texto repleto de disparates, Menges tenta fazer
com que o Brasil apareça como um país perto de ser tomado por uma
horda de terroristas que implantarão
uma guerra contra os americanos.
A enviada da Casa Branca para assustar a comunidade internacional faz
algumas declarações corretas, como o tamanho do Brasil e o estágio
em que estava o programa nuclear militar, felizmente encerrado quando
os militares
deixaram de controlar o Brasil. O curioso é que ela afirma que o
programa nuclear brasileiro ainda continua a existir e é financiado
pelo Iraque, que ficou com o principal grupo de cientistas brasileiros
que trabalhavam para o governo militar. Ela afirma que Lula (que ela
chama de 'da Silva')
poderia apoiar o movimento terrorista das FARC, além de outros grupos
anti-democráticos e de narcotraficantes.
Depois de atacar a administração Clinton por ter sido muito benévola,
a autora pede que Bush "faça alguma coisa", dizendo quase
em tom desesperado: "por que a administração Bush não faz
alguma coisa antes que 20 anos de vitórias democráticas na América
Latina sejam revertidos? Por que alguma coisa não poderia ser feita
antes que um vasto e novo flanco seja
aberto para uma nova ameaça terrorista e nossa nação ameaçada por
mais um regime radical anti-americano (Brasil) com intenções de
adquirir armas nucleares e mísseis balísticos?".
Ela termina o artigo pedindo uma "ação decisiva e imediata para
evitar este desastre para a segurança nacional americana e para o
povo da América Latina". Entusiasmada com o poder de Bush,
Constantine Menges diz que a solução seria os Estados Unidos
"encorajarem os partidos pró-democracia no Brasil para se unirem
em prol de um candidato honesto, capaz de liderança
política e que possa representar as esperanças da maioria dos
brasileiros para um democracia genuína".
OPINIÃO DO EDITOR:
Em todos os meus anos de jornalista, nunca pensei em ler um artigo tão
claramente manipulador e conspiracionista contra o Brasil, quanto o
publicado pelo The Whasington Times. A autora faz parecer que o Brasil
é uma republiqueta na qual o presidente rasga a constituição para
atacar os Estados Unidos.
Sim, o Brasil tem problemas. Sim, Lula é de esquerda. Sim, ele não
é exatamente amigo de Bush, para dizer o mínimo - mas qualquer
pessoa com meio neurônio sabe que Bush não merece amigos. Bush não
respeita leis internacionais, destrói o meio-ambiente, está
envolvido em escândalos financeiros e joga com as vidas de civis como
se jogasse xadrez. Isso
para não levantar o fato dele ter assumido o governo da nação mais
poderosa e importante do planeta mesmo tendo MENOS votos que seu
oponente. E por um voto de diferença, na Suprema Corte.
O texto feito por Constantine C. Menges não merece o papel no qual
foi escrito.
E quanto ao fato dela sugerir que Bush "garanta a vontade da
maioria"... engraçado, pensei que os votos da maioria
representassem a vontade da maioria. Pensando bem, a maioria não
votou em Bush, mas ele levou a presidência. Acho que ela está com
medo que o Brasil mude também os resultados das urnas. Só pode ser
isso.
Não sou eleitor de Lula e NÃO pretendo vou votar nele. Mas os
perigos citados pela ex-funcionária do Conselho de Segurança
Nacional dos Estados Unidos têm o gosto amargo dos anos em que os
americanos achavam que os russos comiam criancinhas no jantar. É bom
ficarmos alertas, ou os telejornais americanos podem começar a dizer
que o pior e mais perigoso país da Terra... é o Brazil... uai.
Contato com o autor: aldonovak@relatorioalfa.com.br
Para saber mais:
Leia o artigo completo, em inglês, aqui.
http://www.washtimes.com/commentary/20020807-85262452.htm
www.relatorioalfa.com.br
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