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Narcolepsia
(Texto
baseado em: “O Buraco do espelho” (Arnaldo Antunes))
Todas
as alvoradas,
Milhares
de olhos se abrem,
E
talvez em poucos minutos,
Quando
nada houver para ser dito
Pensaremos
em tudo que costumamos acreditar, pelo menos
em
alguns momentos.
Tudo
que segue massacrado pela sociedade,
Que
asfixia e ressurge como a fênix.
Conscientes
da importância e dos clichês,
Nos
preocupamos sem saber o porque.
Para
não fugir a regra,
A
miséria que assola o país,
No
voto de confiança que depositamos nos carrascos,
Que
nos guia, dia após dia.
Desmemorálvel
realidade maldita,
Perdida
na razão da insanidade do dinheiro,
Atrás
das paredes brancas dos depósitos de loucura.
Sortes
daqueles apoiados pelo belo berço familiar,
Sorte,
porque podem ser mais dignos.
Azar
daqueles que a pobreza enlouqueceu,
Por
ver passar fome seus filhos.
Azar
dos abandonados pela vida.
Azar
dos filhos de pais politicamente corretos,
Que
culpam as drogas, justificando suas podridões.
Azar
dos choques por mau comportamento,
Dos
pensamentos por conseqüência desordenados.
Nada
que o tempo não possa piorar,
E
enobrecer o medico responsável.
Nada
que as verbas governamentais
Possam
fazer além de enriquecer a loucura,
O
graduado doutor loucura
Que
durante anos a fio,
Aprendeu
a matar o que à vida pertence:
A
alma.
Devolvam
o espelho para o limite do penhasco da razão!
Devolvam
aos sábios a ambigüidade do narciso!
Marina
( Stacy)
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