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Plutônio (Ao Deus mitológico do Inferno) 

Silencioso grito, silencie de uma vez!
Apague a forma do corpo infantil,
esqueça o limite do desejo fraternal.
Ninguém perceberá a forma que feriu.
Sete ou cinco, esqueça, é uma ordem!
E toda aquela raiva, aquela mágoa querida?
Ou será inveja, ciúmes, criança?
Posso entender como todos podem.
Sempre competindo, meus filhos, a mim, a fortaleza.
Não foi esta educação que dei aos dois.
As "palmadas" não ensinaram a me respeitar?
Certas coisas têm de se silenciar, é o papel da mulher minha filha,
não deixe que destrua a nossa família!
Ele é doentio, entende, precisa da atenção especial!
Deve desculpar-se, ele não ficou satisfeito.
Vítima, incoerente, coitado.
Vulgar, promíscua, desequilibrada.
Você burlou a regra, culpada!
Como? Dói? Mas você tem tudo!
Nem pense em me culpar, às cegas me sinto bem, estava trabalhando,
o que mais poderia fazer?
Deus me livre, como iria perceber?
Se todos os dias são incontrariáveis,
lembra-la o quanto você deve ama-lo,
inconcebível não o fazer.
Se ainda pode acordar,
veja como eu cuido de você,
mal agradecida!
Quero ser, todos nós queremos, ser seu grande exemplo,
só tem que aprender.
Os livros nada me disseram sobre isso, entenda!
Não lute, minha filha, por que não quer perceber?
Vai se cansar e perder...
Tenho apenas que te manter funcional. Sorria e não me decepcione.
Não posso perder tempo, para ver em seus olhos a vida crescer;
Você tem esta tendência, em certa hora insiste em morrer.
Não tenho a obrigação de notar o que a minha ausência te causou;
e o quanto minha presença agora te incomoda.
Mesmo achando-te mesquinha,
por ter sucumbido por sentimentos discretos,
Não tem o por que se preocupar,
temos nosso silêncio secreto.
Eu posso ver o quanto me ama,
e armar-me contra você, para salvar meu menino.
O mundo não é injusto, filha, tudo que tive por muito tempo doeu;
mas você sabe, não foi igual.
Por isso não posso aceitar que foi além de mim, e resistiu.
No silêncio que eu lhe condenei através da culpa.
Não posso admitir que foi mais de uma vez, rasgada, manipulada, violentada, mais de uma, minha filha,
que tipo de homem vai lhe querer além do seu rostinho?
Silencio seus gritos sem som, com os meus;
não os ouço, mas está no seu olhar, no que diz e escreve, e isso me incomoda...
Quem pensa que é?
Vagabunda? Vagabunda.
Não culpe meu filho!
Seja como eu e cale-se,
não se lamente desta vez!
Não posso crer que pari um monstro...
Afinal qual dos dois....

... qual de vocês? 

Marina

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