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A
que se resume nossa vida privada hoje, sob o ponto de vista histórico.
O
que se pode chamar vida quotidiana? Seria aquilo que vivemos fora de nossas
atividades especializadas, ou seja nosso trabalho, aquilo que vai além de
nossas atividades no meio social.
Vivemos
em uma sociedade que gira em torno de uma economia de mercado...'O Homem é o
que produz ' assim,vivendo como escravos, a girar a grande roda do capitalismo.
Deste modo o homem se torna produto daquilo que é capaz de produzir, dos bens
que é capaz de gerar. Isso resume sua vida quotidiana, sua vida privada, á
algo deveras banal, algo fútil e sem importância. O homem atual faz uma história
sobre a qual não tem o menor controle.
Vivendo
para trabalhar, quando se trata de
sua vida privada, cada indivíduo não passa de um consumidor isolado,
aumentando, deste modo, o crescimento do mercado.
Se
isola em utopias, se anestesia com os meios de mídia (TV, rádio, novelas,
filmes, periódicos de grande tiragem), ou então investindo seus limitados
recursos em bens de consumo por vezes inúteis e pelos quais muitas vezes não
pode pagar.
Deste
modo conclui-se que historicamente, para o homem atual, a vida quotidiana não
apresenta importância estando organizada dentro dos limites de uma pobreza
escandalosa. E, sobretudo, porque essa pobreza da vida quotidiana não tem nada
de acidental: é uma pobreza imposta em cada instante pela força e a violência
de uma sociedade dividida em classes; uma pobreza historicamente organizada de
acordo com as necessidades históricas da exploração. O uso da vida
quotidiana, no sentido de um consumo do tempo vivido está condenado pelo reino
da carência de tempo livre; e carência dos possíveis usos deste tempo livre.
A
pobreza extrema da organização consciente, da criatividade das pessoas na vida
quotidiana, traduz a necessidade fundamental da inconsciência e da mistificação
em uma sociedade exploradora, em uma sociedade de alienação e consumo.
À
escala da economia mundial se comprovou que o subdesenvolvimento e a colonização
são dois fatores em mútua interação.Ou seja, países colonizados para fins
de exploração, tornaram-se os países
terceiro- mundistas subdesenvolvidos atuais
no Logo,quando pensamos em termos de sua
formação econômico-social, vem a acontecer o mesmo.
Portanto
países subdesenvolvidos onde a educação condiciona e escraviza a população
ao mercado capitalista. Através de sua produção industrial, esta sociedade
usurpou todo sentido dos gestos do trabalho-obrigação, uma sociedade onde
trabalho e satisfação pessoal são coisas distintas, incompatíveis. E não
existe nenhum modelo de conduta humana que conservou uma verdadeira atualidade
no quotidiano. O trabalho escraviza, martiriza, jamais dignifica.
A
propaganda e as formas do espetáculo dominante, admitem francamente que o tempo
perdido é o tempo de trabalho, que já unicamente se justifica pelos diversos
graus de lucro que procura, o qual permite comprar o repouso, o consumo, o tempo
de ócio - ou seja, uma passividade quotidiana fabricada e controlada pelo
capitalismo.Ou seja, trabalha-se para comprar o repouso. Um ciclo vicioso que
alimenta o sistema de mercado.
Chega-se
até mesmo a conclusões onde a vida privada estaria mesmo privada da própria
vida, a vida está cruelmente ausente. As pessoas estão privada de comunicação
até os limites do possível; e principalmente de realização de si mesmo.
Pode-se dizer que as pessoas são privadas de fazer pessoalmente a sua
história. Privadas de atuarem dentro da história como indivíduos que
compõe uma sociedade e a fazem funcionar. Pois quem faz de fato a atual
sociedade funcionar é o mercado, fazendo com que tudo e todos girem em torno
dele.
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