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.::Colunistas\Lígia Ribeiro::.

A que se resume nossa vida privada hoje, sob o ponto de vista histórico. 

O que se pode chamar vida quotidiana? Seria aquilo que vivemos fora de nossas atividades especializadas, ou seja nosso trabalho, aquilo que vai além de nossas atividades no meio social.  

Vivemos em uma sociedade que gira em torno de uma economia de mercado...'O Homem é o que produz ' assim,vivendo como escravos, a girar a grande roda do capitalismo. Deste modo o homem se torna produto daquilo que é capaz de produzir, dos bens que é capaz de gerar. Isso resume sua vida quotidiana, sua vida privada, á algo deveras banal, algo fútil e sem importância. O homem atual faz uma história sobre a qual não tem o menor controle. 

Vivendo para trabalhar,  quando se trata de sua vida privada, cada indivíduo não passa de um consumidor isolado, aumentando, deste modo, o crescimento do mercado. 

Se isola em utopias, se anestesia com os meios de mídia (TV, rádio, novelas, filmes, periódicos de grande tiragem), ou então investindo seus limitados recursos em bens de consumo por vezes inúteis e pelos quais muitas vezes não pode pagar.

Deste modo conclui-se que historicamente, para o homem atual, a vida quotidiana não apresenta importância estando organizada dentro dos limites de uma pobreza escandalosa. E, sobretudo, porque essa pobreza da vida quotidiana não tem nada de acidental: é uma pobreza imposta em cada instante pela força e a violência de uma sociedade dividida em classes; uma pobreza historicamente organizada de acordo com as necessidades históricas da exploração. O uso da vida quotidiana, no sentido de um consumo do tempo vivido está condenado pelo reino da carência de tempo livre; e carência dos possíveis usos deste tempo livre.  

A pobreza extrema da organização consciente, da criatividade das pessoas na vida quotidiana, traduz a necessidade fundamental da inconsciência e da mistificação em uma sociedade exploradora, em uma sociedade de alienação e consumo.

À escala da economia mundial se comprovou que o subdesenvolvimento e a colonização são dois fatores em mútua interação.Ou seja, países colonizados para fins de exploração,  tornaram-se os países terceiro- mundistas subdesenvolvidos atuais  no Logo,quando pensamos em termos de sua  formação econômico-social, vem a acontecer o mesmo. 

Portanto países subdesenvolvidos onde a educação condiciona e escraviza a população ao mercado capitalista. Através de sua produção industrial, esta sociedade usurpou todo sentido dos gestos do trabalho-obrigação, uma sociedade onde trabalho e satisfação pessoal são coisas distintas, incompatíveis. E não existe nenhum modelo de conduta humana que conservou uma verdadeira atualidade no quotidiano. O trabalho escraviza, martiriza, jamais dignifica. 

A propaganda e as formas do espetáculo dominante, admitem francamente que o tempo perdido é o tempo de trabalho, que já unicamente se justifica pelos diversos graus de lucro que procura, o qual permite comprar o repouso, o consumo, o tempo de ócio - ou seja, uma passividade quotidiana fabricada e controlada pelo capitalismo.Ou seja, trabalha-se para comprar o repouso. Um ciclo vicioso que alimenta o sistema de mercado.

Chega-se até mesmo a conclusões onde a vida privada estaria mesmo privada da própria vida, a vida está cruelmente ausente. As pessoas estão privada de comunicação até os limites do possível; e principalmente de realização de si mesmo. Pode-se dizer que as pessoas são privadas de fazer pessoalmente a sua  história. Privadas de atuarem dentro da história como indivíduos que compõe uma sociedade e a fazem funcionar. Pois quem faz de fato a atual sociedade funcionar é o mercado, fazendo com que tudo e todos girem em torno dele.

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