Nascido em Moscou e pertencendo a uma nobre e tradicional
família, os Príncipes Smolensk, descendentes de Rurik, o
Grande Príncipe de Kiev, na Idade Média, Kropotkin ainda
menino atraiu a atenção do czar Nicolao e passou a o seleto
Corpo de Pagens. Já oficial, servindo na Sibéria, seus interesses
científicos levaram-no a realizar explorações de grande
importância para a geografia da região. Suas experiências
na Sibéria aguçaram uma tendência já existente para a rebelião.
Desligou-se do exército, tornou-se geógrafo e mais tarde
abandonaria a ciência para tornar-se anarquista.
Ingressou na Internacional
em 1872 na Suíça e voltou a Rússia para realizar um trabalho
clandestino de propaganda. Aprisionado, conseguiu escapar
espetacularmente para a Europa Ocidental, onde fundou e
editou um jornal, Lé Revolté, até ser novamente preso na
França em 1882. Em 1885 seria libertado, depois de um amplo
movimento de protesto apoiado por escritores, cientistas
e acadêmicos.
Passou os próximos 30 anos
na Inglaterra, onde escreveu suas obras mais importantes:
A conquista do pão, Ajuda mútua, Memórias de um Revolucionário
e Campos, fábricas e oficinas. Voltou a Rússia durante a
Revolução de 17, mas, desiludido com a ditadura dos bolcheviques
e sem qualquer influência sobre os acontecimentos, passou
seus últimos anos dedicado a escrever mais um livro, Ética,
que deixou inacabado ao morrer. Escreveu também muitos panfletos,
e embora tivesse abandonado a pesquisa científica, seu espírito
transparece em todos os seus trabalhos.