São exatamente 19:30 e
Krishna nesse instante repousa e aguarda. Por que ás 23:00 de
hoje ela irá surgir com toda sua força e travará uma batalha
severa comigo. Sinto que Krishna observa todos meus passos,
e de quando em quando ela finca sua lança afiada em meu peito
tentando perfurar meu músculo pulsante, o coração. Ela ainda
não o perfurou a ponto de pará-lo, mas chegou perto e ele ainda
está ferido. Minha defesa natural encontrou algumas falhas em
Krishna e com isso consegue agora esquivar ou resistir a seus
ataques, porém alguns sempre passam.
Krishna, por incrível
que isso possa parecer é a amiga número um de minha consciência
e a maior inimiga de meu coração. Ela não quer matar-me, suas
intenções são até boas, mas ela quer diminuir as batidas de
meu coração efusivamente para que ele pare de vez e comece a
bater de uma forma nova e ingênua, com outra função, com outro
objetivo.
Meu coração não quer parar
e tampouco mudar suas batidas, ele quer bater cada vez mais
forte pelo motivo de hoje e parar de sangrar, quer sorrir e
fazer sorrir, ele simplesmente quer bater livremente.
Quando Krishna chegou
ela traiu meu coração, se fez de amiga, fazendo com que meus
inimigos se tornassem meus amigos e meus amigos inimigos, mas
falhou e fez com que a minha consciência devesse uma admiração,
pelo fato de ocasionar a percepção de que alguns de meus inimigos
foram amigos uns dia e vice-versa. A consciência deu o lar a
Krishna e desde então ela vive dentro de mim e não paga aluguel.
Sei que um dia Krishna
irá, por bem ou por mal, mas quando isso acontecer, cicatrizes
que jamais se apagarão, irão ficar em meu coração. Porém as
feridas irão se fechar e quem sabe irão doer sem prévio aviso
ou data marcada, só irão doer e irei lembrar-me de Krishna e
sangrar de ferimentos fechados que poderão ser aberto a todo
momento.
Krishna tem dois lados,
mas só revela o maligno, que apesar de ser bem menor e ocupar
menos espaço em sua áurea é mais forte e perceptível.
A angústia é o veneno
da lança de Krishna e ele penetra fazendo todo meu corpo tremer
e meus olhos se fecharem para meu coração não adormecer, mas
sofrer e gritar um grito surdo que ninguém pode ouvir além da
consciência que chora sem sentir e sente por chorar.
Krishna sabe que pode
ser derrotada, sabe que não sou assim tão fácil de ser dominado,
porém ela conhece agora minhas fraquezas, muito mais que meu
coração, pois é amiga íntima de minha nobre e inigualável consciência.
Porém Krishna adora desafios e a cada falha eu recordo de algo
em si, que me faz lembrar ou descobrir algo que posso usar para
derrotá-la.
É o principal sobre Krishna,
mas ela tem muito mais a revelar do que isso, assim como meu
coração e minha consciência, porém irei descobrir após a grande
batalha, que pode ser a primeira de muitas que travarei com
ela, ou a final e mortal. Lembrando que Krishna é imortal, mas
morre a cada derrota e nasce a cada vitória.
No fundo eu admiro Krishna,
mas não a aceito dentro de mim e tampouco de quem amo ou gosto,
mesmo assim ela sabe jogar e quase sempre consegue o que quer,
porque é persistente e astuta.
Krishna, estou lhe aguardando
ansiosamente, não irei fugir, e se você fizer, irei até o inferno
atrás de você essa noite.