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Glória ao sorriso.

"Outra escrita que se vai...
Para onde foi o tempo que me levou para onde jamais sonhei estar?
Mais uma noite em que, sentado, olhando para uma máquina fria e sombria que jamais responde o sentimento que imponho a cada vez que toco o teclado, mas ainda posso tocar-lhe..."
(Uma breve introdução.)
"Outra escrita que se vai...
Para onde foi o tempo que me levou para onde jamais sonhei estar?
Mais uma noite em que, sentado, olhando para uma máquina fria e sombria que jamais responde o sentimento que imponho a cada vez que toco o teclado, mas ainda posso tocar-lhe..."
(Uma breve introdução.)
 
Ardência solitária de uma chama que se apaga. Trague-me, minha pele, esbelta, vulnerável e parda como a carne de um salmão.
Doce lábio que libera a névoa que minhas narinas absorvem para consolar minhas entranhas. A dezenas de centenas de milhas que cultivam o lacrimejo de meus olhos. As lágrimas que para nada servem, limpam o vazio e umedecem o frio. Não pode vê-las, não pode ouvi-las, não pode senti-las, então para que as tenho se não posso lhe mostrar?
(Sobre o desejo, a emoção e a dor. Trague de tragar. Chore sempre quando estiver acompanhado.)
 
Um abutre que se faz passar por uma Arara que encontrou uma parceira, ou um gato vadio que se pinta para assemelhar-se a um jaguar. A identidade...
(Para que continuar?)
 
As chances são poucas, os erros são muitos, a vida é uma só, e a morte, tenho pena da última, pois só é mais um complemento da vida e não um adversário de igual tamanho.
(Eu quero viver.)
 
Um arco-íris demoníaco reflete em um girassol da cor do seu cabelo. De onde veio? Talvez surgiu da poluição das almas solitárias e nostálgicas.
(Não repare a bagunça.)
 
Mundo moderno, comercializam a fé e alugam a loucura, sou alguém se posso comprar, mesmo que um incenso, sou ninguém se espero um telefonema, mesmo que o seu.
(Se Deus existe ele é um só, se não acreditas no mesmo, acredita na esperança, e se sacrifica. Com 1 real você é alguém que pode comprar uma água porque está com sede, sem 1 real você tem que esperar a boa vontade do próximo. Mas não concordo que devam vender água.)
 
A manhã caiu, mas ainda está escuro, vejo meus olhos, e eles estão fechados esperando um sinal das dezenas de centenas de milhas. Que não vem, que não veio e talvez não virá, então por que esperar?
(Estar longe é muito mais do que estar distante.)
 
Sua pele salmão, ingênua e delicada perante meu ódio era facilmente transformada em um ser que triplica minha altura, ergue seus dois pares de braços e mascara-se em trajes indianos. Continua linda, porém mais sensual e irresistível.
(Som doce de flautas e citaras ao fundo, complementa o aroma de incensos e especiarias, ela é linda e sabe disso.)
 
Parabéns para você, esquecerei de seu aniversário no dia em que Shivas desce e carrega o pouco de alegria que colhi até você aparecer.
(Uma cobrança antecipada de um dia difícil e traumático.)
 
Dali veio o nosso senhor Salvador sublime. 
(Parece, mas não é.)
 
Meu sangue não é negro como petróleo, porém é verde como a selva e sou tão ameaçado quanto os que se diferem de mim, mas não corro, grito.
Nunca perdi um pai em uma guerra, mas adoraria vê-lo dormir em um berço decorado por flores e rosas. Talvez porque sempre precisei e nunca soube do que.
(Os noticiários estão aí. A família, eu ainda não sei.)

Glória a floresta, aos esquilos, ao vermelho do barro e ao mal cheiro da lama escura que está sob a sola de meu sapato. Quando o ouro se transforma em gelo, ele derrete e evapora.
(Se a dor fosse um gelo e o amor diamante não precisaríamos de glórias.)

Devo meu amor a pequena Krishna, que entende-me sem me conhecer, que domina-me sem eu lhe procurar, que pede para eu pedir, que faz o que desejo, que deseja o que faço, completa o incompleto, faz da fantasia algo concreto, eu sou um inseto.  
(Quando ela existir não será mais decreto ser um objeto pior que um dejeto. Mulheres, não entendem que sãomilhares.)

Álvaro Henrique
1º de abril, 2003

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