O
Autor
Hoje enfrento mais um dia da batalha que travei comigo mesmo,
e parece que não vai acabar mais. Mas hoje, quero ser claro nesse
texto e tentar não usar metáforas.
Estou preso em um mundinho
pequeno, esse mundo é a conseqüência do capitalismo mau sucedido
em minha família. Não existe nestes dias e neste exato momento
nenhuma tarefa, no qual agrade-me e possa praticar. Minhas Nobres
companheiras de jornadas depressivas, minhas bikes, estão todas
desmembradas, (olhem, estão tocando Sympatic Devils), meu violão
que minha revolta quebrou suas cordas doces foi levado embora
e não tem previsão de voltar, a mídia comprada, tv à cabo não
mais existe, telefone já não é mais barulhento como antes e se
torna um empecilho sem linha, o computador já saturou, sem rede
não há expressão e lazer, nem mesmo posso falar com quem mais
amo, isso é bem mal. Os livros foram todos lidos, os discos foram
todos escutados, os amigos "verdadeiros" estão incomunicáveis,
os falsos eu bani, não tenho irmãos e minha família está constantemente
em guerra.
Nestes dias, a incerteza
do amanhã causa pânico e a depressão inevitável, a solidão é maleável
e a dor é sentida como lâmina ma carne. A verdade é que nunca
fui claro em textos, hoje estou sendo, talvez para decretar uma
futura despedida, ou sei lá o que, creio que este não é um bom
sinal, sinto um estágio terminal.
Adolescentes falam
demais em depressão, se queixam demais da vida, mas nem ao menos
sabem se limpar das bostas que fazem, pois é, eu tenho ainda 19
anos, estou no fim da adolescência e a vida "bostérica"
está inutilizada.
Você tem na família,
uma pessoa com 2 faculdades e não consegue empregar-se ou suceder-se
em suas atividades, daí pergunto: Qual a minha perspectiva? Fico
horas na frente de um pc, estudando cada cantinho, desmontando
peça por peça, isso quando não me prezo a intelectual e devoro
1 dezena de livros por semana, pra que isso? Para entender como
a vida funciona, como o capitalismo manipula, como a ferida aumenta?
No ensino médio, sinto-me
inteligente demais, na vida real sinto-me um asno, que só tem
teoria, e na prática é um fracasso.
Ainda sinto-me bem
quando escrevo, faz o tempo passar, adia o possível suicídio,
isso mesmo, estou sendo claro ao usar esta palavra, sempre disse
que é a alternativa dos fracos, dos perdedores, mas porra, eu
sou um fraco que perdeu tudo!
Quando usava metáforas, ela somente dava-me a entender que a morte
voluntária seria adiada, sendo claro, não descarto essa possibilidade,
isso é doloroso, algumas pessoas vão sofrer, outras vão sorrir,
mas todas vão lembrar-se..., está se tornando despedida, vou mudar
a temática, ou não vou salvar o texto, e vou morrer sem ficar
famoso. Foi uma piada que ninguém riu.
Agora um detalhe importante
sobre minha escrita. Nos meus textos são encontrados inúmeros
erros ortográficos e de concordância e discordância também. O
motivo desse, é que se eu releio o que escrevi eu o deleto todo,
porque o acho uma porcaria, então ao acabar de escrever, simplesmente
salvo e nunca mais leio. Mas hoje será diferente, pois estou com
as "Memórias de um Fracassado" no chão. Isso é um livro
que escrevi quando cursava pela 4ª vez a sexta-série e me encantei
por uma garota que de encantada não tinha nada. Bem, escrevi 240
páginas, nas quais ela leu todas e só entendeu 2. Tá, minha letra
é bem feia, mas ela não compreendia minhas metáforas e por esse
motivo nunca ganhei seu beijo, pensando bem até que foi bom, carne
batida demais é de segunda.
Hoje sinto uma vontade
de foliar estas páginas, mas somente em abrir o livro o atirei
no chão, é de fato eu sou paranóico, mas meu passado causa-me
terror. Realmente, é estranho certas atitudes dos seres humanos.
Veja, que você dorme
cedo, para acordar cedo, ontem fiz isso e acordei tarde, está
um tempo estranho em São Paulo, o tempo aqui sempre é estranho,
hoje senti vontade de ligar o som, deitar no solo frio do quintal
de casa e esperar a morte chegar, é resolvi entregar-me. Que coisa
estranha, quando senti fome eu fui almoçar, mas voltei, porque
eu sabia que a morte iria chegar. Passaram-se 1 hora e nada de
chover, eu achava que deitado no quintal em um temporal eu poderia
afogar-me, é sério, seu corpo estremece e você quer nadar. A chuva
demorou, mas veio, em um ato de desafio aos pingos da natureza
eu a provocava e ela aumentava sua fúria, até que fiquei molhado,
levantei e fui tomar banho quente. Ao sair do banho, o sol apareceu
lá no alto e abriu uma luz enorme, talvez fosse os dentes dele
que brilhavam por estar rindo da minha cara, confesso que fiquei
muito zangado.
Na verdade esse era
pra ser um texto bem depressivo, mas estou me divertindo com esse
novo tipo de escrita que padronizei hoje, a sátira de si mesmo.
É tão grave esse conflito psicológico que as vezes penso em ser
um escritor, acredito que sou bom em escrever e que um monte de
otário como você vai ler. Francamente eu não sei onde estou com
a cabeça.
Recomendo vocês a escutarem
a música Cruzader do Saxon.
A minha maior inspiração
é a música, pois ela mexe com seu inconsciente e faz com que sua
mente transmita transparentemente suas mensagens e as convertam
em psicodelias.
Tenho uma vontade enorme
de sair correndo pelo bairro da maneira que estou aqui, empunhando
a bandeira do Ernesto e gritando Revolução, mas sei que irei a
um hospício se o fizer, o mesmo dará se as pessoas do meu bairro
lerem o que escrevo. Eles me acham estranho e tem uma ligeira
impressão que sou maluco, acertaram. Não é todo dia que um robô
passeia de bicicleta.
Seus amigos, que não
são tão amigos assim, lhe procuram quando precisam fazer "trabalhinhos",
quando não tem o que fazer em casa e procuram distração. Há sempre
um idiota como eu de braços abertos e quando precisa dos mesmos
lhe ignoram ou fingem não ver sua situação, quero dizer a este
inútil, que é um imbecil e se conhece quem conhece, se tem uma
perspectiva profissional traçada é porque o trouxa aqui atravessou
seu caminho, ou você estaria até hoje preso na Paciência.
Com a notória impressão
de que não me despedirei mais e que a "despedida-suicida"
foi somente Marketing para a boa reputação funerária de um neurótico.
E agora, o texto acabou.
Álvaro
Veríssimo