Um
fantasma desaparecido procura um amor perdido.
-Quanto
tempo você ainda tem?
Acordo
bem cedo para ir a escola. Animado para encontrá-la.
Sentada
no mesmo lugar de sempre, vestindo seu uniforme particular.
Ah,
como é bom estudar!
Hoje
ela passou por mim e eu tinha em mãos um violão, eu não sei
tocar!!!
Todos
estão a lhe olhar até que alguém começa a falar:
-Como é lindo o seu uniforme!!!
Eu
ia falar isso, mas não tem problemas, como é bom estudar!
O
suco de goiaba, o gelo, a refrescância, nada se compara aquele
perfume exalado por seu uniforme particular.
Puta
merda, como é bom estudar.
E
os homens continuavam a rodea-la, aqui tem muito homem, tinha
crioulo, loirinho, baixinho, alemão e vermelho. Felicidades
que eram felizes, mas não eram homens de verdade, não se
prezavam, não tinham respeito, e não tinham atitude, onde estão
as suas virtudes?
Ela
se perguntou:
-Onde estão os homens de verdade?
Eu
dizia que tinha muitos, em Salvador, Bangladesh e Madagascar.
Meu
Deus, como é bom estudar!
-Papa
Chango!
Com
esta pena que me condena, encontro o fantasma desaparecido e
digo a ele que a minha vida tem um amor perdido.
Era
um fantasma da cidade...
...correr
era seu destino.
Seu
brilho fazia-me esquecer aquele uniforme perfumado e lembrava-me
de como eu gostava de estudar.
Ele
me dizia:
-Com
o seu vestido longo repleto de bolas azuis você prostava-se
a reverecenciá-lo, com as luzes daquele lugar você o
ensinou dançar.
Nada
de interessante aconteceu, pois você não sabia lhe abraçar
e perdeu o passo, o compasso.
Você bebeu demais e morreu engasgada com um osso de frango.
-Perante
a guerra, eu lhe salvei dos tiros alemães, coloquei-me na sua
frente e o que recebi foi somente arranhões e você nem ao mesmo
estava ali para me socorrer.
Você recebeu a medalha em meu lugar teve um infarto fulminante.
-Eu
fui o primeiro animal a entrar em órbita, de lá de cima olhava
para a terra e sabia que iria morrer, mas a minha missão era
mais importante que lhe ver.
Você saiu de sua casa atrasado para a base militar e bateu violentamente
seu automóvel em um caminhão de combustível.
-Quando
Alexandre invadiu minha terra eu fui o primeiro a brandar, pois
sabia que não adiantaria lutar, mas pedia pra você não chorar.
Você escondido atrás do feno, achando que ali estava seguro,
esqueceu da técnica de cerco e foi atingido por uma catapulta.
-Quando
o presidente foi morto, eu fui culpado e preso, e pressionado,
tive que suicidar-me, pois eu sabia que não aguentaria viver
em uma cela sem a certeza de que estaria bem, aceitei então
lhe ver de um lugar em que não poderia lhe ter.
Você não assumiu a culpa do atentado e perdeu sua vida ao bater
com a cabeça no meio fio.
Apesar
de não ter deixado de lhe amar eu sei que você necessita voltar.
-Mas
alguém com o projeto maior que o meu e o ego assustadoramente
grande, mas não maior entrou para me substituir.
Agora
resta saber se a pessoa que me fez morrer em todas essas eras
é a mesma que quer matar-me hoje.
E
o fantasma se foi...
Mas
eu sei, eu juro que sei que ele está lá em cima como um homem-astro
a brilhar com esse jogo e a se divertir com minhas dúvidas.
Astros
de um céu em que brilham as estrelas e resplandece a escuridão.
Ele só era o caminho para outros que virão, o mais curto talvez,
o mais dolorido provavelmente.
Liberte-se
fantasma, do que tem medo, se está morto por que tem medo de
morrer?
...
...
...
...
Eu
encontrei!
Álvaro
Henrique 07/12/02
"As almas, pois a elas não
existe morte,
dor ou vingança, somente esperança"