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.::Colunistas\Álvaro Henrique::.

Glória ao Sorriso

  Do entorpecimento deixo a simpatia, de valores gratifico a recordação de um sorriso único e raro. Único pela intensidade e raro por ser alegre.  

  Quando a dor me surge e calo-me, nada sei o que fazer, porque de tanto medo que tive da dor eu nunca a encarei. Faço de meu silêncio minha cura e encontro no seu sorriso o refúgio para meu grito.
  Minhas palavras não têm vida, minha auto-estima se contraí e expresso o medo em forma de reflexão. Penso no que fazer e faço o que não pensei, choro porque lembrei o que deveria esquecer.

  Hoje estive na cidade, preso na minha cela, libertado perante um sorriso de um passageiro que somente pode observar e não participar. Observou um leãozinho filho meu, moldado por quem ficou, deixado por quem se foi, eu digo que quis voltar e não pude.

  A cada nova canção uma velha lembrança. Lembrança alegre e ofuscante de alguém que não mais poderá me dar uma nova lembrança que a faz automaticamente torna-se triste e opaca. Mas danço a cada canção.

  De volta a selva, procuro quem não quer me encontrar e choro por ainda acreditar, mas hoje senti um sorriso contagiante que me fez novamente ter vontade de sonhar. Não sei se posso possuir tamanho sorriso ou até mesmo fazer com que ele seja sempre o mesmo, mas enquanto ele existir quero estar vivo para admira-lo e ser contagiado.
  Desesperadamente eu procuro, nada mais do que uma simples compreensão e uma companhia para todas as noites de dor em que tento esquecer um velho amor.
  Não sou culto, mas estou oculto, gritando na madrugada, clamando somente incertezas de um ser que eu procuro. Ser que se não pode fazer com que eu pare de chorar, chore comigo, pois sei que uma hora iremos parar e perguntar o porque das lágrimas se temos um ao outro. Não haverá mais dúvidas.
  Não quero dinheiro, não quero fama, não quero. Quero novamente o combustível em meu peito que faz se acender a chamada do amor.
  Estou em milhares de partículas, perdido ao admirar seu olhar, esperando que a menina solitária que ele possuí revele o caminho para chegar ao seu sorriso.
  Troco todas minhas conquistas materiais por um amigo real e leal, que tenha o sexto sentido e fique ao meu lado antes do cair da tarde ou o derramar das lágrimas.
  Não faço poemas, tampouco poesias, odeio pieguices comerciais, mas hoje sinto-me melancólico e com o intuito de escrever exatamente isso que estou escrevendo e lhe entregar em uma nova oportunidade. Escrevi muitas coisas nesses 21 anos de Álvaro Henrique. Grande parte eu escrevi para as pessoas que amo ou tenho uma ligação afetiva forte. Mesmo sabendo que grande maioria leu por ler ou abandonou na gaveta do armário eu ainda continuo insistindo em escrever, pois acredito que irei encontrar alguém que leia e ao invés de reescrever agradecendo-me, abrace-me.

  Hoje o dia não poderia ser melhor, mas amanhã pode...

O texto é só uma gratidão por seu sorriso ter mantido-me vivo.
Álvaro Henrique
01/05/03

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