A
Torre
Aos que habitam
os palácios e tem um mundo confortável. A guerra não chegou nos
muros desse lar, onde todos festejam a cada dia que amanhece sempre
azul e claro.
Aos coelhos
que correm num xadrez composto de cores negras e brancas, que
se transforma na escada desse palácio e termina em uma torre alta,
em que tudo se pode ver e tudo se pode ser.
Ele
abriu os braços...
Acordou
com um choro e fez de sua companhia o ser mais precioso e sentiu-se
de grande valor, espiritual, jovial, carnal, mental, ele era o
ser supremo, que embalava aquele choro. Mas só o silêncio que
vinha daquela torre podia acordar qualquer ser, com os braços
abertos ele olha para os dois seres que são um só e se recorda
que este ser era a si mesmo.
Sentiu
que de seus braços tornaram-se asas...
Ele olhou
daquele ponto e viu todas as muralhas que circundavam o palácio,
viu que eram compostas de robustos tijolos cinzas, sentiu-se um
tijolo, mas percebeu que o muro era sim feito de tijolos, mas
nenhum poderiam ser retirados sem causar um desastre.
Seu dorso partiu-se e ao invés de sangue, surgiram penas...
Sua prisão
era insignificante, a festa a continuar no palácio e ele preso
naquela torre durante anos e agora percebe que a torre lhe fornece
a visão do todo, do tudo, e além, uma forma diferente dos
que estão abaixo se deliciando com o sangue e a carne humana em
uma festa sádica e restrita.
Seus
membros inferiores reduziram-se e ficaram escamosos...
O maior
professor foi ele mesmo, pois um dia o sábio eu disse: "O
maior aprendizado é de si próprio". Um coral de angústia
invadiu seu peito e todas as suas dores agora não tinha mais sentido,
ele já não era mais preso, já não se sentia só.
Seus
5 dedos atrofiaram-se ligeiramente e deram lugar a três garras...
Suas lágrimas
já não mais umedecia sua face, olhou mais adiante e viu que um
dia foi um sol, que aqueceu quem sentiu frio, que tudo que queria
era também ser aquecido, e foi, eu juro que foi. Eles ouviam sons,
eles choravam, eles confessavam mudos, mas só queriam ser aquecidos
e dormir sem que ninguém os atormentassem. Ele nunca sentirá tamanha
força, tamanha energia, tamanha felicidade e isto pareceu nunca
terminar. Sua mãe era somente uma mulher, porque agora ele era
um sol que tinha a lua como companhia. Tudo que ele queria era
parar de chorar, mas ao mesmo tempo era bom, lavava sua alma,
lhe rejuvenescia, lhe davas forças para continuar a sentir todas
as dores que estão além dos muros do palácio.
Mas é só uma
torre.
Ele
se jogou da torre...
Descia
como uma pluma, lembrara-se de todos e tudo, sua vida era tão
pequena, que passava por sua mente em questão de segundos, ele
aprendeu muita coisa, amava ainda, mas não temia a queda, seu
coração era uma pedra, seus pulmões eram sacos aéreos, seus rins
pedras, seu fígado se dissolvera. Ele ainda sentia que chorava,
porém agora só, o chão se aproximava, lembrou-se que não sabia
voar, que tinha asas, que tinha penas, que se tornou uma ave de
rapina, mas não lhe ensinaram a voar.
Não era de sua
natureza.
Ele
caiu...
Álvaro
Henrique (Au)
(As noites, pessoas e lugares que nunca mais voltarão)
08/10/02
IFOPIC
Iguanas Fosforescentes Portadoras de Insubordinação Cultural
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"Seguei-vos os gazes que seu irmão expele e encontrarás a
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Saldos 21:14
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gritando
desesperadamente como os quarenta passageiros do ônibus que ele
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