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.::Colunistas\Álvaro Henrique::.

Heróis ao Relento
 
  Aos heróis que dormem ao relento, protegem-se do frio com as embalagens que jogamos no lixo. Ninho de humanos sob cobertores cinza de um albergue.
 
  Dividem seu lar com seus animais, que são leais e lhe dão a proteção dos seres noturnos que lhe espancam e lhe atiam fogo por simples diversão.

  São nossos heróis ao relento, que possuem uma pele rugosa, suja e sebenta, cabelos fétidos e mente desorienteda. São nossos irmãos, que possuem um coração da mesma forma que o personagem da mídia de estética agradável.
 
  Mas os heróis ao relento, que lhe imploram uma moeda são pessoas que não valem nada, são pessoas que nada possuem, seres que perderam a humanidade perante a sociedade, perderam a fé, perderam as esperanças, mas não perderam a alma, não perderam a sua dignidade.

  São as pessoas que não dizem nada, mas sentem tudo. Suas palavras que nada dizem, tudo explicam. Suas dores, seus gritos, suas loucuras.
  Seus olhos se afastam dessas vidas, mas se você olhar fixamente seu globo ocular irá se incendiar. Você prefere não olhar e jamais desejar isso pra si mesmo ou para um ente querido, porque aqueles heróis ao relento são pessoas que não valem nada.

  As vidas dessas pessoas não tem mais sentido, suas dúvidas são maiores que o sofrimento, irão morrer sem existir.

  Se prostituem por algumas gramas de cola, para afugentarem da dor que a fome causa. Mas passam fome, se drogam, se vendem, choram, gritam, imploram, rastejam, porque são pessoas que não valem nada.
 
  Aos seres humanos que não tem o mesmo direito de se alimentar 3 vezes ao dia, as pessoas que são chutadas de locais públicos por pedirem e implorem seu sustendo do hoje.
 
  Vocês fecham os olhos para o mundo, como se isso não fosse real, mas aquelas vidas estão ali, pois são heróis ao relento que não valem nada e irão morrer sem existir.
Álvaro Henrique
"Dedicado aos moradores de rua que sonham ser alguém e ter um teto" 
06/10/02

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