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.::Colunistas\Álvaro Henrique::.

Junquilho

...mas as medalhas pareciam tão reais.”

    Enclausurado neste lugar relembro-me como era bom ter o que necessita, mesmo que a longo prazo, porém o orgulho de não tolerar contravenções e desaforos foi maior e decidi não ter mais o que necessito.

  Hoje criei duas imaginações, a que diz sempre não e a que nega tudo, resta-me saber qual é a pessimista.

  Perplexo neste nojento 4 de julho peço que uma simples indagação surja neste dia e que minha força seja maio do que anteontem.

  Quando se está sendo consumido por suas angústias, quando a incerteza começa surgir em algo no qual era a estrutura de sua vida, surge inúmeras incógnitas. Será mesmo que devo ir?

Será que tenho o que você diz, será que você é para mim o que sou para você.

  Incendiei seu caminho e tracei uma rota, não consigo mais segui-la, tampouco sei onde ela está. Para ter o que é banal para você preciso humilhar-me, algumas vezes a invejei. Algumas vezes tentei formular uma saída pra essa vida, dupla e incerta.

  Hoje quero retomar o tempo que não tive e que você gozou aos montes antes da minha existência, talvez tenha que passar por cima de ti, talvez não mais a tenha. Começo a perceber que se não fizer não terei mais a mim mesmo e meus desejos.

  Sim, eu olhei para o lado, mas não enxerguei.

  As luzes: que surgem quando as trevas se vão e que se vão quando as trevas surgem.

  Luzes que piscam, que brilham e que dependem de outras luzes para ser o que é.

  A essas luzes que afastam a escuridão e trazem esperança.

  Pergunto porque as luzes se vão?

  Pergunto porque tenho que ficar sem luz?

  Pergunto se você é realmente minha luz?

  Acredito que seja, pois sinto-me brilhar quando iluminado por seus olhos.

  Como o inferno pode ser treva se você diz que nele há fogo por toda sua extensão.

  Se o inferno é como você diz que ser, ele para mim é o paraíso.

  Não quero harpas e anjos loiros idiotas! Quero mistura racial e Rock’n Roll.

  Quem são vocês?

  Como vocês estão?

  Lembro da praça, lembro do dia, lembro da música, lembro da situação, lembro como se fosse hoje...

  Onde eu deixei você?

  Talvez agora perceba que eu não sou seu herói, tampouco dono da verdade suprema. Mas fui feliz naquela praça.

  As fases passam pela minha mente, mas nada fica, ninguém fica, tudo se vai, e sempre volto a realidade e pergunto-me constantemente: Para quem?

  Não é com você, acredite, voltamos nós dói a profetizar sobre as minhas novas loucuras destinadas a Erodes.

  Por favor, ajude-me...

  Não mais acho a saída, não mais sei como dizer o que sinto a você e a qualquer um que esteja disposto a ouvir. Não verá mais minhas lágrimas, porque desaprendi a chorar, digo que por isso sofro duplamente mais.

  Queria que vocês vissem o quanto minhas palavras são belas e o quanto tenho para dizer e o quão fascinante é me ouvir. Acredite não irá se arrepender.

  EU NÃO CONSIGO!

  Olhe que estou cada dia mais apto verbalmente, porém perdendo minha sensibilidade sentimental.

  EU NÃO CONSIGO!

  É como se eu estivesse embarcado em um ônibus mágico que levou-me para um lugar em que eu não possa ser o que eu sou. Não era para demorar tanto, precisava ter voltado alguns anos atrás, mas provavelmente eu me perdi, mas sei, sinto, tenho certeza que o ônibus não me deixou e que em algum lugar remoto ele está me esperando para novamente trazer-me ao mundo de qual eu pertenço.

  Você não merece-me! Porque eu não te mereço!

  Hoje luto com o tempo e tento combater a dor com a sorte, infelizmente ela não é confiável e quando menos esperar ela irá tirar tudo o que me resta e deixar-me mais miserável do que já estou.

  Por quê?
  Porque nada faço para mudar!

  Deveria, sei que sim. Mas eu vivo por outra pessoa, que não mais está vivendo por mim. Está acabando sinto, mas não há nada que eu possa fazer.

  O sonho talvez fosse uma prévia de algo que vou conquistar ou de que nunca terei, as inúmeras medalhas que estavam penduradas eram somente parte de um sonho,...”

Álvaro de Andrade
Soníferas apoteoses
Quinta-feira, 4 de julho de 2002

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