Bolo Familiar, bode estrelar!

Papai fez um bolinho em que eu mal sabia o que tinha na cozinha, todos se espantaram com o tamanho da anestesia que aplicaram na Sra. Elza, continha alta dose de Alcatrão e Enxofre.

Hoje tomo muito cuidado ao fazer 12 anos, pois já não mais sei fazer bolinho com Papai. Me deixaram calado e com doses exaustivas de febre, calei-me fui deitar.

Toda hora vinham bater na porta do meu banheiro pra perguntar-me se eu estava imaginando o que se passava nos encanamentos, logo pensei: Chicletes grudam e não se decompõem tão fácil assim.

Apaguei enfim a luz e caí no abismo em que não era tão fundo assim porém curti muita a descida, escalei com cuidado e me deliciei com os bolinhos que lá embaixo me esperavam.

Vi um homem de terno que dizia que eu estava no inferno e que os bolinho eram de cogumelo, soltei uma gargalhada e comecei pular corda excessivamente até que consegui abrir um portal. Imaginei que estaria mais saudável, mas esqueci o leite em pó na varanda.

Minha família se reunia pra comer o bolinho que papai fez e eu espirrava muito, pois estava com sintomas de fome, não mais importei-me com os risos de meus amigos a meu pequeno e gostoso bolinho.

Devorei-o com todos meus dentes e me deliciei com os lençóis puxados da minha cama.

Eu hoje acordei mal e me lembrando que meu primeiro filho nasceu sem cérebro porque não usamos fermento.

Hoje eu tenho mais sede do que nunca e não mais tiro os tijolos do forninho, pois sei que nele será assado mais um bolinho...

Fim
Álvaro Estereofônico


Pauta

Ser homem é esconder-se atrás de uma árvore e urinar sem dar conta que molha os pés.