Glória ao Sorriso
Do entorpecimento deixo a simpatia, de valores
gratifico a recordação de um sorriso único e raro. Único pela intensidade e
raro por ser alegre.
Quando a dor me surge e calo-me, nada sei o que fazer, porque de tanto
medo que tive da dor eu nunca a encarei. Faço de meu silêncio minha cura e
encontro no seu sorriso o refúgio para meu grito.
Minhas palavras não têm vida,
minha auto-estima se contraí e expresso o medo em forma de reflexão. Penso no
que fazer e faço o que não pensei, choro porque lembrei o que deveria
esquecer.
Hoje estive na cidade, preso na minha
cela, libertado perante um sorriso de um passageiro que somente pode observar e
não participar. Observou um leãozinho filho meu, moldado por quem ficou,
deixado por quem se foi, eu digo que quis voltar e não pude.
A cada nova canção uma velha
lembrança. Lembrança alegre e ofuscante de alguém que não mais poderá me
dar uma nova lembrança que a faz automaticamente torna-se triste e opaca. Mas
danço a cada canção.
De volta a selva, procuro quem não
quer me encontrar e choro por ainda acreditar, mas hoje senti um sorriso
contagiante que me fez novamente ter vontade de sonhar. Não sei se posso
possuir tamanho sorriso ou até mesmo fazer com que ele seja sempre o mesmo, mas
enquanto ele existir quero estar vivo para admira-lo e ser contagiado.
Desesperadamente eu procuro, nada
mais do que uma simples compreensão e uma companhia para todas as noites de dor
em que tento esquecer um velho amor.
Não sou culto, mas estou oculto,
gritando na madrugada, clamando somente incertezas de um ser que eu procuro. Ser
que se não pode fazer com que eu pare de chorar, chore comigo, pois sei que uma
hora iremos parar e perguntar o porque das lágrimas se temos um ao outro. Não
haverá mais dúvidas.
Não quero dinheiro, não quero
fama, não quero. Quero novamente o combustível em meu peito que faz se acender
a chamada do amor.
Estou em milhares de partículas,
perdido ao admirar seu olhar, esperando que a menina solitária que ele possuí
revele o caminho para chegar ao seu sorriso.
Troco todas minhas conquistas
materiais por um amigo real e leal, que tenha o sexto sentido e fique ao meu
lado antes do cair da tarde ou o derramar das lágrimas.
Não faço poemas, tampouco
poesias, odeio pieguices comerciais, mas hoje sinto-me melancólico e com o
intuito de escrever exatamente isso que estou escrevendo e lhe entregar em uma
nova oportunidade. Escrevi muitas coisas nesses 21 anos de Álvaro Henrique.
Grande parte eu escrevi para as pessoas que amo ou tenho uma ligação afetiva
forte. Mesmo sabendo que grande maioria leu por ler ou abandonou na gaveta do
armário eu ainda continuo insistindo em escrever, pois acredito que irei
encontrar alguém que leia e ao invés de reescrever agradecendo-me, abrace-me.
Hoje
o dia não poderia ser melhor, mas amanhã pode...
O
texto é só uma gratidão por seu sorriso ter mantido-me vivo.
Álvaro Henrique
01/05/03