Carniceira Rotina Escolar
Hoje levantei bem cedo, crédulo de que realizaria meu objetivo que recém tornara-se importante.
Os exercícios foram trocados por longas horas de descanso e a ocupação assalariada por idealizações como esta.
A certeza de que iria estar onde deveria estar era brevemente duvidosa, porém a vontade era maior que a incerteza e isso de certa forma estimulava-me a recusar a denúncia dos olhares infanto-juvenis.
Como se fosse 1º de maio eu coloquei a jaqueta de couro, calcei as botas, chequei minha face e partira para a luta com uma palavra obscena no peito que chocava...
Enquanto minhas vítimas obtinham conforto em seus transportes motorizados, eu caminhava com a certeza que sendo um rebelde não necessito mais de conforto e luxo, somente a certeza de que iria concluir meu objetivo.
Enquanto caminhava, sentia o suor escorrer minha face e nela franzia uma luz que era invejada e detestada, minha luz, minha revolta, meus sonhos, minha alma brilha!
Os poetas anarquistas sussurravam em minha mente e de idéias sentia-me farto, suspirava confiante e ao destino me aproximara.
No destino conquistado, os olhares de dúvida, o ferimento do diferente invadia seus olhares burgueses em uma repressão sincronizada de inveja e negação do inconvencional e comentários brandos surgiam sem que notasse que meu corpo já esperava tal ato e imaginava tal delito.
Um sorriso surgira em minha face, como um sarcasmo ao esperado que acontecerá. Fizeram o que imaginará, tolos são os previsíveis, tornam-se limitados e simples.
Caminhava adentrando no recinto, cercado cada vez mais pelos olhares infanto-juvenis e ali depositei-me e tornei a mirar com fulgor um a um dos que ali comentavam e sorriam diante de algo que não sabiam o que eram. De tantos acovardados temiam de uma certa forma inexplicável meu olhar ameaçador e sarcástico, ora olhavam, ora comentavam, sentia-me “arraizado” no meu posto perante tanto preconceito e mediocridade juvenil.
Em seus topetes cravejava a cópia e ausência de criatividade, em suas roupas novas e coloridas a sua capacidade aquisitiva de comprar o inútil para conquistar olhares de inveja e mostrar sua arrogância e imbecilidade propagando ”merchandising” sem nada ganhar...
Em seu calçado, a camurça marrom infestava-me de nojo o incrédulo de odiarem o comunismo e quererem ser todos iguais “sendo diferentes”.
Em seus aparelhos eletrônicos, a certeza de um barulho inútil para propiciar ainda mais o “status” e a grande babaquice de terem ganhado o “salve-idiota” e viver a brindar sua condição de massa-popular massacrada, porém massacrada com dignidade, pois possuem aparelhos celulares para pedirem ajudas quando defecarem nas calças e forem surrados pelo desconhecido.
Um anarco-ativista passa por vocês, um anarco ativista ri de todos vocês, um anarco ativista sonha em destruir sua não conscientização, um anarco ativista vai hoje a escola guerrear contra o preconceito e a imbecilidade de adolescentes hipócritas e funcionários públicos alienados.
Para viver não existe data, para morrer também não.
Feliz 20 anos Álvaro Henrique!
Álvaro Henrique 16/04/02
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