Religião Anarquista

Em um mundo em que os seres vivem perante imagens e objetos “sagrados” em que suas divindades foram mais do que provadas duvidosas surge o bem e o mal, o Céu e o Inferno.

Um inferno criado pelo medo e um céu criado pela esperança.

Medo de um povo castigado perder o que nunca teve, liberdade!

Esperança desse mesmo povo em ter paz e descanso, sem que tenha que “insoniar” pelos débitos dos impostos e indulgências cristãs.

A Religião Anarquista provém do que não existe, do que nunca existirá, provém do que as pessoas jamais sonham ou imaginam, uma religião em que o Deus e o herói são o  pagão, o Deus sou eu, é você, somos nós. Nesta religião a oração não existe, o pedido é execrado, o que existe é atitude e comunhão.

Não é necessário ofertar ou dizimar, pois não há em que gastar, e se o Deus é humilde, nossa religião será também, se os pagãos são pobres, comem restos e dormem nos chãos cobertos com papelão, nossa religião será ao ar livre sem ouro, imagem ou um ser supremo.

O pastor e o padre foram mortos e no seu lugar ergueu-se uma bandeira negra em que os dizerem não são em Latim, não são em Hebraico, são na linguagem que a religião Anarquista assim quer.

O nosso inferno não é amarelo e chamusquento, nosso inferno é cinza e fumacento.

O nosso céu não é azul e claro, nosso céu é verde e puro.

A Religião Anarquista condena o Deus e o Demônio das outras religiões. Já que o Deus e o Demônio são os mesmos e se disfarçaram de moeda.

Moeda essa que quando farta, trás benção, fartura, prazeres e abundâncias, logo é divina e bem aceita.

Moeda que quando escassa, trás maldição, fome, sofrimento, humilhação, medo e inveja dos que a tem farta, logo é amaldiçoada e de uma maneira incomum desejada e idolatrada.

Se o demônio o existe não será expulso com rezas, oferendas e preces, o demônio é o mal, é o mal capital, politicagem e ascensão, nós Religiosos Anárquicos combateremos o mal com a revolução.

Que o nosso Céu não seja esperado após a morte e sim em vida, e sim nessa vida.

Se o Cristo existiu e se ele foi um Deus, com certeza era um revolucionário e não esperava que a solução caísse do “Céu”, isso sendo um Deus, agia.

 

Moral: Sendo crente ou não, não esperes que os problemas resolvam por si próprio, tenha atitude, proteste, diga não, jamais se ajoelhe, levante sua cabeça, olhe nos olhos de seus superiores e os desafie. Não aceite sua condição, sendo ou não cristão, acredite que você e sua irmandade junto aos outros povos que acreditam ou não em um Deus são capazes de transformar esse inferno cinza em um Céu verde em que não é cultuado um Deus e sim a União. 

Álvaro Henrique 16/04/02
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