Terça-feira, 2 de julho de 2002
Papai
na terra das Sardinhas.
Quando o dia clarear quero recitar um poema que fará com que os pássaros
rastejem e que as montanhas flutuem.
Qual é sua geração?
Moscas estão em meus sapatos e formigas corroem minha mente, tenho tido
tanto tempo para pensar na tuberculose, que ontem me esqueci como é bom ser mamífero
e ter cirrose.
Como pode?
Tampouco acreditei que hoje seria o amanhã de um ontem que nunca foi,
mas será.
O que ervilhas verdes e amarelas mudaram em minha vida?
Vejo tantas crianças tornarem-se adultas, tantos velhos tornando-se
crianças, mas nunca vi papai Noel no necrotério.
Veja-me?
Toque-me, viva-me, sinta-me, isto é pra você, que não pode estar aqui,
que não pode chorar, que não pode acariciar, que não pode sentir dor.
Ferva-o?
Tampouco seremos chá, de amarguras e tormentos que caminharemos contra o
vento sem a fé. Sou feito de cal, bosta e cimento.
Os muros da sabedoria?
Burro como uma porta, isso que ele é, chupava manga sobre a goiabeira
para tapear os Orixás.
Inglaterra?
Quem sabe se eu fosse um “Iceberg” ou até mesmo uma foca, eu
escalaria sua casa de ponta-a-ponta e tomaria cerveja como se fosse o número um
em sua vida.
Angústia?
Querido diário, venho aqui hoje depor que não estou feliz por não ser
o primeiro dela, mas ela ser a primeira para mim.
Taumaturgia?
Hebe Camargo e Nei Gonçalves Dias pegando sabonete na Banheira do Gugu.
Cidade Preferida?
Ontem eu esqueci de dizer que minha família recebeu uma proposta para
viajar ao Atol de Mururoa.
Barba?
Ela cresce.
Cortadores de grama?
Cortam.
Liquidificadores?
A esses sim, que saudade do Dom Bosco, ele sabia o que era estar só,
arraigado de lembranças pré-históricas, hoje eu libertei meu canário e pela
primeira vez eu descobri que ele falava, pois me xingou de idiota.
Curumim?
Eu tive um dia a oportunidade de jogar-me do viaduto do chá. Ah tá, não
tinha Pão de Açúcar.
Filme?
Acredita se eu contar a você que esqueci o feijão no fogo?
Eu prefiro lentilha!
Sério mesmo?
Álvaro Krushev