O Andarilho Errante diz Adeus
Grande lagarto,
onde você está?
Enquanto
você dorme, eu grito com o fígado esperando por você.
Não somos tão iguais assim... Talvez só agora percebo que seu passado perturba-me e de nada é válido esse sentimento já que você diz ter mudado para mim.
Mas
sua loucura é vivenciada por mim pós-adolescente hoje.
Aprendi
muitas coisas e formulei meus ideais e pensamentos se comparado a nossos
contatos primordiais, porém ficamos limitados verbalmente e martirizados.
Gosto
de você, talvez até mais do que quando tudo era novo e sentia menos medo de
perder você.
Estou
carente e quase perdendo a batalha da vida. Sinto dor e não vou cura-las, elas
se alastram e me corroem.
A
saudade que sinto de você é tão intensa que causa dor na chegada e na
despedida, dores alegres, dores tristes, dores rajadas de lágrimas da distância
e da solidão hipócrita de duas pessoas que lutam para estarem juntas acima de
qualquer barreira, dor ou doença.
Estou
com medo de que você se canse, estou com o temor de esse sentimento dominar-me
e eu desistir agora, agora que estamos fortes e eu não tenho mais nada além de
você e a esperança de um futuro feliz ao seu lado que se distancia cada vez
mais.
O
álcool não é mais minha companhia nessas noites, só a dor, a solidão
noturna e a incerteza do amanhã.
Estou
com vergonha de viver, estou com vergonha de ser inútil e imprestável, logo
nada faço para mudar, além de lamentar-me e nunca tentar mudar. Meus dias estão
contados, pessoas como eu não duram muito, ainda mais nos dias de hoje, em que
uma cara feia é sinônimo de perder a vida.
Neguei
os deuses e valores espirituais, caso eles existam não terei o descanso eterno
que vocês humanos tanto pregam, somente mais tortura e dor, ou talvez não
terei nada, porque, quem sabe, não haja nada.
Juntos somos invencíveis, talvez por isso não deixam nós estarmos
juntos, não quero mais contar os dias longe de você, não para onde estou indo
ou até mesmo se irei, mas algo está para acontecer, palavras de profetização
da minha própria vida, essa vida alguém vai levar...
Quero
que saiba que você será sempre minha menina, que o brilho que vi nos seus
olhos quando te conheci jamais esquecerei e onde estiver ele brilhará na minha
mente e nunca cairá no esquecimento.
Aos meus amigos e amigas, irmão e irmãs, mesmo aqueles que preferem não mais falar conosco porque acharam irmãos melhores eu gosto de vocês mesmo quando os odeio. Sinto falta das minhas irmãs, o orgulho é maior, elas se foram por minha causa, mas não mais odeio, não mais direi que odeio-as, porque jamais as odiei de verdade...
Eu
sempre odiei pessoas que só vêem as coisas superficialmente meu amigo lagarto.
Sei
que poderia ter dado muito mais ao mundo do que esses míseros textos e lembranças
de alguém que nunca existiu de verdade, um dia foi Punkalvaro, um dia fui eu
mesmo, mas hoje estou perdido no esquecimento de mim próprio e isolado na ilha
da vergonha que eu mesmo criei.
Alguém
quer me fazer este favor de aliviar minha dor...
Que
as composições que eu criei jamais sejam tocadas e ouvidas pelos mortais, que
morra comigo. Que eu só quis que vocês soubessem como estou me sentindo e que
dissessem o que eu queria ouvir, não encontrei isso, não encontrei a paz
interior que vocês pregam, não acreditei mais na anarquia e decidi abdicar a
hipocrisia juvenil de querer mudar o mundo.
Fiquei
velho e não vivi...
“Toda
forma de acabar com o sofrimento é igual enterrar-se profundamente no
esquecimento.”
“Amo e
sinto-me amado, o que era para evoluir ficou parado, sou culpado, esteja onde
estiver estarei ao seu lado.”
Álvaro (o Henrique) 10/05/02