Nada

 Te domina, te cega, te instiga a cometer o maior delito de sua jornada. Não vi o significado, quando á deram pra mim, não veja agora, vou explodir, a revolução virá, ou não, mas irei explodir.
    Seu sentimentalismo barato, ou meras apologias norte americanas que são lixo que deságuam no meu peito e fazem brotar lágrimas, estas que se dissolvem e gotejam como sangue de minha face.
    Tudo era tão melhor quando não existia, o medo do que não se pode controlar, temo que ceda ao seu descontrole controlável. A posse, não lhe possuo realmente, mas talvez nem a mim mesmo eu possua, sou possuído? Talvez possuído por mim mesmo. Levante sua cabeça e diga para meu ego tudo o que diz que não posso ver, diga que seu maior inimigo é uma barricada de álcool, não finja mais, eu vejo o que as pessoas normais não conseguem ver, eu me vejo no espelho!     
  Falsidade e ideologias, manipulação e seres humanos, esses lutam todos para terem prestígio, para terem uma vida gloriosa, mas os que conseguem não lutam. Mãe, você tem certeza que planejou minha vinda a terra, ou sua orgia carnal juvenil não pensou que eu poderia surgir e roubar seu espaço de bajulamentos, você cresceu e eu também, então por que isso? Deixe-me em paz, não faça o que peço, não peça as outras pessoas o que eu peço a elas, caminhe com suas pernas, sua vida terá mais valor.  
   Sou novo, mas nem tanto, o que consegui são cacos, que não tenho capacidade de reergue-los, meu império de sucatas, tanta dedicação a vocês e acabam-se como a brisa matinal.  
  Ela se foi agora, eu o chamei, e você nada de mal fez, pra mim se tornou uma concorrência.
  Do que falo? Basta-me descer e buscar o livro de anotações que ficaram garranchos de um ex-apaixonado que hoje ama, que hoje chora, que nada se pode fazer a escrever, a contar letrinhas e escutar quem fala, mas não ouve.
    Desejei nunca mais sentir isso e devia ter queimado aquele livro na fogueira, ele me leva ao inferno se tocá-lo, não quero tocá-lo, seu passado me torturará, o seu também, não vivi em seu passado minha cara, mas ele me perturba. Por quê?
    Talvez pela posse, não vai entender absolutamente nada, mas eu escrevo sim e tudo que está mentalizando é isso mesmo, não virás me perguntar o porque disso tudo, não irei dizer, talvez por não querer e incitar sua investigação ou talvez não mais estarei fisicamente pra lhe dizer.

   “Os vermes não comerão minha carne, pois não haverá carne para os vermes”.
A. R.

    Sinto o gosto da angústia e a dor de um amanhã incerto, admirei a lua, hoje quero que ela caia e me queime, me queime com seu solo cintilante, com sua atmosfera fria e sensual.
    Um dia aparecerei em todos telejornais e vocês vão sorrir, esta é minha vida, este é meu sonho. Ainda te adoro Dna. Morte, mas agora eu evoluí, quero sim abraçar a senhora, mas quero que nosso abraço faça com que todos saibam que eu existi. Talvez isso aconteça, ou se perca como os kilômetros em meu odômetro.
    Não sei cantar, mas sei gritar, estou rouco, estou louco!
    Que estas palavras queimem comigo.

Álvaro Ramone     19/09/01