Junquilho
...mas as medalhas pareciam tão reais.”
Enclausurado
neste lugar relembro-me como era bom ter o que necessita, mesmo que a longo
prazo, porém o orgulho de não tolerar contravenções e desaforos foi maior e
decidi não ter mais o que necessito.
Hoje criei
duas imaginações, a que diz sempre não e a que nega tudo, resta-me saber qual
é a pessimista.
Perplexo
neste nojento 4 de julho peço que uma simples indagação surja neste dia e que
minha força seja maio do que anteontem.
Quando se está
sendo consumido por suas angústias, quando a incerteza começa surgir em algo
no qual era a estrutura de sua vida, surge inúmeras incógnitas. Será mesmo
que devo ir?
Será que tenho o que você diz, será que você é para
mim o que sou para você.
Incendiei seu
caminho e tracei uma rota, não consigo mais segui-la, tampouco sei onde ela está.
Para ter o que é banal para você preciso humilhar-me, algumas vezes a invejei.
Algumas vezes tentei formular uma saída pra essa vida, dupla e incerta.
Hoje quero
retomar o tempo que não tive e que você gozou aos montes antes da minha existência,
talvez tenha que passar por cima de ti, talvez não mais a tenha. Começo a
perceber que se não fizer não terei mais a mim mesmo e meus desejos.
Sim, eu olhei
para o lado, mas não enxerguei.
As luzes: que
surgem quando as trevas se vão e que se vão quando as trevas surgem.
Luzes que
piscam, que brilham e que dependem de outras luzes para ser o que é.
A essas luzes
que afastam a escuridão e trazem esperança.
Pergunto
porque as luzes se vão?
Pergunto
porque tenho que ficar sem luz?
Pergunto se
você é realmente minha luz?
Acredito que
seja, pois sinto-me brilhar quando iluminado por seus olhos.
Como o
inferno pode ser treva se você diz que nele há fogo por toda sua extensão.
Se o inferno
é como você diz que ser, ele para mim é o paraíso.
Não quero
harpas e anjos loiros idiotas! Quero mistura racial e Rock’n Roll.
Quem são vocês?
Como vocês
estão?
Lembro da praça,
lembro do dia, lembro da música, lembro da situação, lembro como se fosse
hoje...
Onde eu
deixei você?
Talvez agora
perceba que eu não sou seu herói, tampouco dono da verdade suprema. Mas fui
feliz naquela praça.
As fases
passam pela minha mente, mas nada fica, ninguém fica, tudo se vai, e sempre
volto a realidade e pergunto-me constantemente: Para quem?
Não é com
você, acredite, voltamos nós dói a profetizar sobre as minhas novas loucuras
destinadas a Erodes.
Por favor,
ajude-me...
Não mais
acho a saída, não mais sei como dizer o que sinto a você e a qualquer um que
esteja disposto a ouvir. Não verá mais minhas lágrimas, porque desaprendi a
chorar, digo que por isso sofro duplamente mais.
Queria que
vocês vissem o quanto minhas palavras são belas e o quanto tenho para dizer e
o quão fascinante é me ouvir. Acredite não irá se arrepender.
EU NÂO
CONSIGO!
Olhe que
estou cada dia mais apto verbalmente, porém perdendo minha sensibilidade
sentimental.
EU NÃO
CONSIGO!
É como se eu
estivesse embarcado em um ônibus mágico que levou-me para um lugar em que eu não
possa ser o que eu sou. Não era para demorar tanto, precisava ter voltado
alguns anos atrás, mas provavelmente eu me perdi, mas sei, sinto, tenho certeza
que o ônibus não me deixou e que em algum lugar remoto ele está me esperando
para novamente trazer-me ao mundo de qual eu pertenço.
Você não
merece-me! Porque eu não te mereço!
Hoje luto com
o tempo e tento combater a dor com a sorte, infelizmente ela não é confiável
e quando menos esperar ela irá tirar tudo o que me resta e deixar-me mais miserável
do que já estou.
Por quê?
Porque nada faço para mudar!
Deveria, sei
que sim. Mas eu vivo por outra pessoa, que não mais está vivendo por mim. Está
acabando sinto, mas não há nada que eu possa fazer.
O sonho
talvez fosse uma prévia de algo que vou conquistar ou de que nunca terei, as inúmeras
medalhas que estavam penduradas eram somente parte de um sonho,...”
Álvaro de
Andrade
Soníferas apoteoses
Quinta-feira, 4 de julho de 2002