O farsante que se fez passar pelo Quico
DIARINHO entrevista o bochechudo do Kiko
Será
que tem alguém que não conhece o personagem Kiko do seriado
Chaves, apresentado há mais de 10 anos no SBT? Pois é esta
figura encantadora e engraçada que está em Itajaí para um
show. Kiko foi entrevistado pela reportagem do DIARINHO ontem e
se apresenta no próximo dia 25, no ginásio Gabriel Colares, às
18 horas.
O Kiko chorão que ficou famoso nas travessuras com o Chaves e a
Chiquinha, sempre provocando mais uma surra no coitado do seu
Madruga, estará fazendo suas palhaçadas e divertindo as
crianças durante uma hora e meia. "Estarei o tempo todo
acompanhado do meu segurança, um anão, e temos várias
surpresas pra garotada," conta.
Os ingressos estão sendo vendidos a 5 reais e podem ser
comprados antecipadamente no Buffet Tenampa, na rua Hildo Silva,
325, atrás do posto Alfredo Weiss; na Banca S.O.S Comunicação,
no Dom Bosco e no Hiper Vitória central.
Personagens não morreram em acidente aéreo
Ao
contrário dos boatos que há anos rolam no Brasil, de que todos
os personagens do seriado teriam morrido com a queda de um
avião, a maioria da turma tá vivinha da silva. Somente três
atores morreram, mas por problemas de saúde. Seu Madruga morreu
vítima de cirrose hepática. A bruxa do 71 de enfisema pulmonar
e Jaiminho também de cirrose.
O Chaves e a dona Florida casaram e estão trabalhando ainda na
televisão mexicana. Já a Chiquinha faz show musical na
Argentina e o seu Barriga mora no México.
Kiko veio ao Brasil com o Circo do México e desde 1996 vive em
Portão, no Rio Grande do Sul.
Seriado continua rendendo
O
programa Chaves foi gravado durante quatro anos, de 1969 a 1973.
Foram mais de 1900 episódios, muitos deles ainda em exibição
pelo SBT.
Segundo Kiko, o seriado terminou quando o contrato com rede
televisiva do México chegou ao fim. "Não houve briga
alguma entre os personagens. Mesmo há mais de 20 anos sem ser
gravado, os episódios continuam sendo exibidos em 27
países," conta.
A partir do fim do programa, cada personagem seguiu seu caminho.
" A TV nos deu mais fama do que dinheiro. É claro que
ganhávamos um bom dinheir, mas muito mais fama, que é o que nos
ajuda a nos manter trabalhando até agora", contou Roberto.
Quem quiser rir um pouco mais com o autor da famosa:
"Gentalha, gentalha," que se adiante e compre a sua
entrada.
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O falso Chaves
Élcio Braga, jornal "O Dia"
Há
quase um mês soube por acaso que o Chaves se apresentaria em um
circo na Baixada Fluminense. A novidade me foi passada por um
amigo que faz produção de shows. Ele havia acertado a
participação do ator mexicano em seu circo, em Campo Grande. Na
redação do DIA, o pessoal gostou da história. Mas o
empresário do ator disse, na época, que Chaves teria viajado
para a Argentina e só retornaria dentro de um mês. Como só ele
possuía o contato com o artista, tivemos de aguardar. Umas três
semanas depois, voltei à carga. O mesmo amigo me informou que
soubera de um show de Chaves em
Engenheiro Pedreira. Fui no dia seguinte até lá e constatei que
de fato o show ocorrera. Consegui recolher alguns panfletos e fui
atrás do citado Chaves. Por um funcionário do Circo do Beto
Carrero, soube ainda que o tal Chaves, que chegou a freqüentar o
local, estava hospedado no apartamento de
uma amiga dele, na Rua do Santana, no Rio. Fui até lá com o
fotógrafo Wilton Júnior. Uma argentina, muito simpática,
atendeu-nos e nos deixou entrar. O falso Chaves chegou meia hora
depois. Ao ser informado que havia visita, Juan Carlos Avalos (o
falso Chaves) deu um passo para trás.
Levantei-me da poltrona e me apresentei, antes que ele pudesse
fugir. Ele entrou preocupado na sala e ficou nervoso ao saber que
se tratava de uma reportagem. Perguntei sobre a mulher dele, a
Dona Florinda: "Ela está bem, mas ficou no México."
Percebi que ele tremia muito, sobretudo quando a
farsa ia ficando caracterizada. Ele se levantou e pediu para ir
ao quarto. O fotógrafo imaginou que ele talvez fosse pegar uma
arma e nos pressionar para entregar o filme com suas fotos. Mas,
não. Ele apenas foi se refazer. Uns cinco minutos depois, Juan
retornou. Acabou confessando que não era
mesmo Roberto Boloños. Disse, porém, que possuía uma
autorização do comediante para representar o personagem. O
fotógrafo o convenceu a se caracterizar como Chaves e ser
fotografado na varanda, tendo ao fundo o relógio da Central do
Brasil. Voltei para a redação para escrever a história. Por
volta das 18h, uma hora antes do fechamento da edição,
reapareceu o empresário, desta vez se dizendo vítima. Alegou
que desconhecia que Juan não fosse o verdadeiro Chaves, em meio
a inúmeras contradições. Ele, porém apresentou documentos que
atestariam a história de Juan Carlos. Um deles, timbrado,
mostrava assinatura de Roberto Boloños de que Juan poderia
encarnar o personagem. Além de tudo, teria vencido um concurso
para substituir o original na Televisa e gravado 80 capítulos.
Por fax, enviei a documentação para o escritório de Roberto
Boloños. Tudo foi negado. Soube depois, o que ainda não
confirmei, que o falso Chaves já teria sido preso uma vez no Rio
Grande do Sul.
Jornal
"O DIA" - 24/06/2000 Enviado por Gustavo Berriel -
Denúncia Especial
"Foi sem querer querendo" O DIA descobre farsante que
se passar pelo famoso personagem Chaves em circos na Baixada e
Zona Oeste - Élcio Braga
Ninguém contava com a astúcia do mexicano Juan Carlos Alavos,
58. Ele tem se apresentado em pequenos e médios circos na Zona
Oeste do Rio e na Baixada Fluminense como Chaves, personagem do
comediante mexicano Roberto Gómez Bolaños, sucesso na TV
brasileira. Ao saber pela reportagem do DIA da farsa, Bolaños
prometeu em fax impedir que o show continue. "Tá bom mas
não se irrite", poderia dizer o falso Chaves, usando o
famoso bordão.
Chaves é um dos mais surpreendentes
sucessos na programação do SBT. Apesar da pobreza da
produção, com cenários de papelão e isopor, o quadro chegou a
44 pontos de audiência no Ibope, no horário do almoço. Bateu
várias vezes até o Mais Você, da milionária Ana Maria Braga,
na TV Globo.
"É falsidade ideológica",
criticou Ari Nunes, produtor do Circo Sarrazany, montado na
Avenida Santa Cruz, em Senador Camará. Ari conta que mandou
distribuir 30 mil panfletos anunciando o Show do Chaves nos dias
9, 10 e 11 de junho. Mas, achando o público inexpressivo, o
falso Chaves se negou a fazer o espetáculo. Ari conta que
conheceu o falso Chaves no Circo do Beto Carrero, armado na
Praça Onze, apresentado pelo empresário Victor Emanuel dos
Santos, ex-trapezista e que já trabalhou no Circo
DItália. Ao ser contactado pelo DIA, Victor se apresentou
inicialmente como o empresário de Roberto Bolaños e disse que
agendaria uma entrevista para julho, quando Chaves começaria uma
grande temporada. Por telefone, a assessora de imprensa de
Roberto Gómez Bolaños, Beatriz Leon, negou que o criador de
Chaves estivesse no Brasil. A última vez que Bolaños esteve no
País foi há 12 anos.
Em fax enviado à redação do DIA,
Chaves - o verdadeiro - informa estar se apresentando em grande
temporada pelo México. Há planos, porém, de algumas
apresentações no Chile e na Argentina. Não há, garantiu,
nenhuma possibilidade de vir ao Brasil.
O falso Chaves, porém, tem se
apresentado com desenvoltura na periferia. Ele esteve no Circo
Montreal, em Japeri, e em Engenheiro Pedreira, na Baixada. O
público deixou o show desconfiado de que o personagem não era o
verdadeiro Chaves, embora os ingressos o apresentassem como tal.
Para melhorar a audiência, o falso
Chaves procurou a produtora e atriz Sônia Barbosa. Propôs uma
história mirabolante para explicar como Chaves teria parado no
Brasil. "Ele teria escapado do terremoto no México e vindo
com o seu barril em um caminhão. Aqui, ele encontraria
personagens parecidos com os que viviam na vila mexicana",
conta Sônia, que ao descobrir a farsa desistiu na empreitada.
Até o verdadeiro choraria: "Pipipipipipipi..."
Sósia diz ter autorização para se apresentar como Chaves
Ao chegar ontem ao apartamento em que está hospedado no Centro
do Rio, o ator Juan Carlos Alavos, 58, assustou-se ao encontrar a
equipe do DIA. De início trêmulo, apresentou-se como o
verdadeiro Chaves. Não deixou de falar da mulher do Chaves
original, Florinda Meza García, a Dona Florinda. "Ela está
bem. Ficou no México", disse ele, desconfiado.
Explicou que fugia de qualquer
publicidade porque fazia apenas algumas apresentações para
ajudar amigos, donos de circo, em dificuldade financeira.
"As pessoas não acreditavam que era eu mesmo por estar me
apresentando em pequenos circos. Imagina", disse ele. Ao ser
informado que a Televisa e o Roberto Bolaños o desmentiram, Juan
Carlos mudou o discurso: "Quem criou o personagem foi
Bolaños. Mas tenho autorização dele para me apresentar. Ganhei
um concurso para substitui-lo na Televisa. Ele estava velho e com
câncer na garganta. Fiz os últimos 80 capítulos", disse.
Mais uma vez, Roberto Bolaños, hoje com 71 anos, nega tudo.
Ninguém tem autorização para se apresentar como Chaves. O
empresário Victor Emanuel dos Santos, 47, negou que fosse o
responsável pelos shows.
"Não tem nada assinado", disse. "Só quis
ajudar, contrariando afirmações dos produtores dos circos
em que o falsário se apresentou.
Victor, porém, é apontado pelos que
contrataram o falsário como quem negociou o espetáculo. O
produtor Ari Nunes, por exemplo, disse que o acordo era dividir
meio a meio a renda da bilheteria no Circo Sarrazany. Como os
espetáculos foram cancelados por falta de público, o produtor
levou prejuízos apenas com a divulgação. Juan Carlos se
defende. "O pessoal acha que o Chaves morreu num acidente
aéreo. Ninguém acha que é ele que está ali", explica.
Parece que, como alardeia o personagem, ninguém tem paciência
com ele.
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