Cinema americano = manipulação

        De tempos em tempos, somos ofendidos pela indústria do entretenimento, com filmes que são verdadeiros atentados à nossa inteligência. O mais recente desses lixos "hollywoodianos" é o imoral "Pearl Harbor", que narra a história do ataque japonês à base aérea estadunidense (sim, estadunidense, pois americano é quem nasce no continente chamado América) homônima ao filme. O ataque, como todos sabem, fez com que o Tio Sam entrasse na 2º Guerra Mundial. Bom, "narrar a história" é bondade minha, pois o que a película faz é manipular o fato, contar uma versão mentirosa e totalmente irreal do ocorrido no Havaí em dezembro de 1941.
       A história verdadeira, que não pode ser encontrada no filme, é a seguinte: no início da década de 40, o Japão invade a Coréia, dando continuidade aos seus planos imperialistas na Ásia, que já haviam atingido a China anos antes. Os Estados Unidos, sentindo que estavam perdendo espaço no continente, dão um ultimato ao Império do Sol Nascente, ordenando a desocupação do território coreano. Os japoneses, é claro, dão risada dos EUA, fazendo com que o governo ianque boicotasse comercialmente o país. Como os japoneses não estavam interessados em brigar com o país mais poderoso do mundo em plena guerra mundial, enviam uma comissão diplomática a Washington, com a missão de solucionar a crise. Durante os 15 dias em que os japoneses estiveram na capital dos Estados Unidos, inúmeras reuniões foram desmarcadas pelos anfitriões: era impossível negociar com o Presidente Roosevelt. O motivo do desinteresse estadunidense? Simples: a CIA (polícia secreta daquele país) havia decifrado o código utilizado pela comissão japonesa em suas comunicações com Tóquio. Assim, Tio Sam sabia exatamente todos os passos dos japoneses, tudo o que seria discutido e negociado. Sabia inclusive da última ordem enviada por Tóquio aos diplomatas em Washington: devido ao insucesso das negociações, eles deveriam retornar ao Japão, e como a saída diplomática havia fracassado, seria adotada a saída militar: aproximadamente às sete horas da manhã de setes de dezembro de 1941, a base aérea de Pearl Harbor, no Havaí, seria bombardeada por aviões japoneses.
        Aos que duvidam da veracidade do relatado acima, e preferem acreditar nas mentiras estadunidenses, como explicar que no dia seis de dezembro, portanto um dia antes do bombardeio, o Presidente Roosevelt ordenou que dois porta-aviões, os armamentos mais caros estacionados na base, deixassem imediatamente Pearl Harbor? Sim, o tão querido ocupante da Casa Branca preferiu salvar seus milhões de dólares do que a vida de dois mil soldados e seus familiares, vitimados pelos aviões japoneses. Por que Franklin Delano Roosevelt, o segundo Presidente mais amado pelos eleitores daquele país, agiu dessa forma? Bem, os Estados Unidos estavam vendo sua hegemonia ser ameaçada por países como a Alemanha e a União Soviética e ainda sofria com as marcas deixadas pelo "Crash" de 29. Precisava, portanto, de algo que reafirmasse seu poder sobre os demais países, impedisse o avanço dos concorrentes e ainda desse nova força à economia. Nada mais conveniente que uma Guerra Mundial (basta lembrar que com a 1ª Guerra, os EUA se tornaram a maior potência do mundo, já que a Europa fora destruída). E o ataque japonês serviu direitinho: criou a desculpa que eles queriam para entrar na guerra e ainda os transformou em vítimas, colocando-os como os "bonzinhos" da história.
        Mas por que eles continuam mentindo para o resto do mundo, e principalmente, por que eles voltam a contar a mesma história absurda 60 anos depois? O cinema, assim como todas as artes e o esporte, é usado pelas superpotências imperialistas como forma de pregar sua ideologia. "Pearl Harbor" tem uma função mais urgente ainda: convencer a população de que o escudo antimísseis defendido pelo atual Presidente Bush é extremamente necessário. Quem sai da sala de cinema, pensa: "Ora, se já fomos atacados uma vez, isso pode acontecer de novo! Temos que nos proteger, o Presidente Bush está certo! Viva a Guerra nas Estrelas!". Assim, o filme tem a terrível missão de assustar os espectadores com os horrores de uma guerra, para que a revolta popular acabe gerando mais guerras lucrativas aos EUA.
        É torpe, mas é a realidade. Este é o ponto mais baixo a que se pode chegar, mas os Estados Unidos da América chegaram lá. E você, cidadão brasileiro explorado que ainda se sujeitou a ver esta porcaria, saiba que foi feito de idiota. Chamaram-te de cretino e de imbecil, e você ainda saiu do cinema chorando com a historinha de amor e torcendo pelos Estados Unidos. Você foi usado, como é usado todos os dias, para que a ordem capitalista e imperialista sobreviva. O sistema sobrevive às suas custas, às custas de sua desinformação. Enquanto houver espectadores para filmes como "Pearl Harbor", haverá gente morrendo de fome nas ruas, crianças morrendo logo ao nascer. Acredite: você, que paga para ser manipulado, é diretamente culpado por tudo isso.

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