Jornal
"O Globo" 13 de maio de 2001
"Humor Pastelão faz sucesso entre crianças e adultos"
No
ar há 16 anos, "Chaves" é um trunfo do SBT. Apesar
das inúmeras mudanças de horário e das reprises, o seriado
mexicano é sempre acompanhado por um público fiel, que garante
médias de até 15 pontos de audiência. Atualmente, passa de
segunda a sábado, às 14h15min. A emissora possui 180 episódios
inéditos e promete exibi-los a partir de junho, ou agosto (mês
de aniversário do SBT), com o título de "Clube do
Chaves" e uma hora de duração.
Chama-se "Chespirito" e tem vários personagens novos,
além de antigos como o próprio Chaves, o Chapolim e o Pancada.
Acredito numa renovação do público - aposta Mauro Lissoni,
diretor de programação do SBT.
E o executivo tem lá suas razões. Uma pesquisa encomendada
recentemente pela emissora mostrou que 52% dos espectadores
estão na faixa etária dos 4 aos 17 anos; 36% têm entre 18 e
49; e 12%, acima dos 50. O estudante carioca Daniel Resende, de
14 anos, faz parte de um novo público. Ele não perde um só
episódio do seriado:
- O Chaves pega o jeito de pensar das crrianças e faz piadas com
isso. Não há malícia. O cenário também tem graça. Quando
alguém bate a porta, às vezes a parede balança.
Com humor pastelão e produção mambembe, o seriado foi gravado
de 73 a 83 e faz sucesso em 26 países. Chaves, interpretado pelo
ator mexicano Roberto Bolaños, é um menino que mora num barril
e se mete em confusão com os moradores de uma vila, como Seu
Madruga, Chiquinha, Quico e Dona Florinda.
- Eles são ridículos, mas não fazem mal a ninguém. É melhor
do que os seriados de super-heróis japoneses com monstros de
borracha - diz o universitário André Batista, de 19 anos, que
se diverte com os bordões de Chaves como "Foi sem querer
querendo", "Tá bom, mas não se irrite" e
"Isso, isso, isso!".
O ator José de Abreu, o Eriberto de "Porto dos
Milagres", já confessou que assiste ao enlatado mexicano
com o filho. Outro admirador de "Chaves" é o cantor e
compositor paulista Zé Rodrix:
- O seriado lida com valores reais e nãoo faz cópia de adulto.
Tudo tem começo, meio e fim. É um humor ingênuo. Não tem
preconceito nem apelo erótico.
Para Mauro Lissoni, não há chances de o SBT perder o seriado
para outra emissora:
- Ele é um coringa da programação. Além disso, não pede
aumento nem faz leilão.
"O
seriado lida com valores reais e não faz cópia de adulto. Tudo
tem começo, meio e fim. É um humor ingênuo. Não tem
preconceito nem apelo erótico" - Zé Rodrix, cantor e
compositor
"Os personagens são ridículos, mas não fazem mal a
ninguém. Não há violência. É melhor do que os seriados de
super-heróis japoneses com mostrengos de borracha" - André
Batista, estudante.
TV
Crítica - Quarta, 5 de novembro de 1997.
Saudade dos Trapalhões
Nada
deveria surpreender uma espectadora brasileira. Só que ainda
causa espanto o CD das Chiquititas estar entre os mais vendidos
no país. Essa trilha é tão pavorosa quanto a novela de que faz
parte. Nada ali é ingênuo e, sim, imbecilizado. Dos personagens
mirins aos adultos. No entanto, a audiência da novela é
razoável e suas pífias musiquetas fazem indiscutível sucesso.
Temos que respeitar as escolhas populares mas, seguidamente, elas
andam difíceis de entender e agüentar.
Caso bem diferente é o de Tiririca, na Manchete. Outra vez uma
emissora da televisão brasileira aposta em uma pessoa que teve
alguns minutos de sucesso, mas sem condições de repetir o feito
indefinidamente. Para piorar, em outra surpesa desagradável, a
emissora arruma para o primitivo palhaço um programa que em tudo
copia a velha e abominável atração do SBT, também
supostamente dirigida às crianças.
Lógico, estou escrevendo a respeito das desventuras de Chaves e
Chapolin. O resultado, porém, foi positivo: traço de audiência
e nenhum aumento de prestígio. A comédia para infantes, por
aqui, só teve um imenso e duradouro sucesso quando protagonizada
pelos Trapalhões. Nenhum mistério. Basta verificar, nas
reprises da Globo, a qualidade dos atores desse quarteto.
Qualquer besteira parece engraçada na interpretação de Renato
Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias. O contrário disso é
o que agora se passa no canal seis. Só com as reprises dos
antigos 210 episódios, com visual anos 70 e produção
desleixada da Televisa, o SBT já ameaçava a audiência do Mais
Você. Chaves chegou a ultrapassar três vezes o programa
feminino, com 17 pontos de audiência medidos pelo Ibope minuto a
minuto. A Ana Maria Braga ganha na média. Enquanto Chaves
está no ar, o SBT ultrapassa, só fica para trás quando muda a
atração, garante o analista de programação do SBT, John
Ramagi. Quando não está à frente do Mais Você, perde por 1 ou
2 pontos de audiência.
Os episódios de As Novas Aventuras de Chaves mostram o ator
Roberto Bolaños mais velho e com caracterizações diferentes,
sem perder o ar patético. A turma também ganha novos nomes para
os personagens. Seu Barriga, por exemplo, virou Seu Botijão.
Dona Florinda, a parceira constante de Chaves, que é
interpretada pela própria esposa de Bolaños, a atriz Florinda
Menza, ganhou figurinos remodelados. Entre outros tipos
tresloucados, o protagonista aparecerá de detetive, de médico
bem velhinho e atrapalhado, além de malandro, estilo Irmãos
Metralha, sempre envolvido em confusões e sendo levado para a
delegacia.
A primeira leva de episódios se passava entre 77 e 83. O
ator ainda se vestia como uma criança. Já os novos foram
gravados no final da década de 80 e ele vive um adulto,
conta John
Ramagi. Atualmente, o ator Roberto Bolaños tem 73 anos e se
dedica ao teatro.
Do total de episódios, 72 são de Chaves e os outros 108 estão
divididos entre Chapolin, Chapatim e Chispirito. Esse último já
foi exibido pela TV Gazeta, apenas em São Paulo, mas não
agradou. O SBT tem empatia com o público infantil, 90% da
nossa grade estão voltados para essa faixa. O público já sabe
onde assistir ao Chaves, explica John Ramagi, que garante
que a emissora não tem muita preocupação com a
caracterização dos personagens, cenários e texto, desde que
tenham o estilo Chaves.
O seriado é exibido pelo SBT desde 1984, com pequenas
interrupções, e já teve seu horário alterado diversas vezes,
mas sempre manteve uma boa média de audiência. Atualmente,
Chaves entra no ar logo após as trapalhadas de Chapolin, às
13h45, com meia hora de duração, e é reprisado um pouco mais
tarde, às 17h45.
Dor
de cabeça - Quinta, 25 de novembro de 1999.
SBT estuda mudança de horário do Chaves para tirar
ainda mais audiência de Ana Maria Braga
A
dor de cabeça da Globo pode ficar ainda maior. Como está dando
certo no horário e roubando audiência da Globo, o SBT não
descarta a possibilidade de alterar sua grade de programação
para que o velho seriado mexicano Chaves ocupe o mesmo tempo do
concorrente Mais Você, conduzido por Ana Maria Braga.
Concorrência é assim mesmo. Desde o começo eu já tinha
falado que o programa da Ana é muito curto e ela fica sem tempo
para desenvolvê-lo e fazer suas brincadeiras como era de
costume, analisa Eduardo Lafond, diretor artístico do SBT,
que dirigia Ana Maria Braga no tempo em que ambos trabalhavam na
Record.
Atualmente, Chaves entra no ar no mesmo horário do Mais Você,
às 13h45 (logo depois de Chapolin), e termina meia hora depois.
A atração da Globo só sai do ar às 14h50.
Nas últimas duas semanas, enquanto os dois programas estão
concorrendo a vantagem tem sido do SBT. Entre os dias 10 e 17
desse mês, na média total do minuto a minuto do Ibope, o SBT
superou a Globo três vezes. Nos dias em que perdeu, a diferença
foi de apenas um ou dois pontos. Mesmo com a derrota, não
deixa de ser uma vitória, neste caso, por causa da diferença de
custos. O Chaves é muito mais barato que o Mais Você,
continua Lafon.
O seriado mexicano Chaves é exibido desde 84 pelo SBT e já
mudou de horário inúmeras vezes, sempre mantendo bons índices
de audiência: O Chaves agrada gente de 8 a 80 anos. É
popular, ainda que medíocre. Enfim, um besteirol que não
agride, completa Lafond.
Não deixa de ser curioso que o Mais Você, feito com toda a
tecnologia moderna, seja derrotado justamente pelo programa
criado pelo astro mexicano Roberto Bolaños, o Chaves, há mais
de 20 anos. A série foi ao ar pela primeira vez no México em
1973, sendo exibida até 83. O encerramento aconteceu após a
morte de Ramón Váldez, intérprete do Sr. Madruga, e da saída
de Carlos Villagrán, o Quico. A série então perdeu força no
país de origem, mas não no Brasil, onde as reprises sempre
deram audiência ao SBT.
Roberto Bolaños tem hoje 73 anos e se dedica a escrever para
teatro e TV, sempre trabalhando ao lado de Florinda Menza, sua
esposa, que interpreta a Dona Florinda.
Crônica
é show - Terça, 30 de novembro de 1999.
Joyce - cantora e compositora
Como
diria Fred Astaire, "that's entertainment". Não pude
acreditar no que meus olhos viram, semana passada, diante da TV:
acabada a conferência dos chefes de Estado, no Caribe, o
presidente da Venezuela, Hugo Chávez, com sua inconfundível
cara de índio, metido num uniforme de beisebol, luva, bola e
tudo o mais, correndo e incentivando os companheiros, com gestos
largos. Do outro lado do campo, o imprevisível Fidel Castro,
bonezinho na cabeça, igualmente gesticulava, dando instruções
ao time adversário. Cuba e Venezuela disputavam uma animada
partida de beisebol, onde os dois líderes atuavam,
respectivamente, como lançador e técnico de suas equipes. Só
faltou o papa, como líder de torcida.
Confesso que tal cena me remeteu imediatamente aos Trapalhões,
embora não querendo ser injusta com o querido Didi Mocó e sua
inequívoca elegância moral. Mas também fez com que eu me
lembrasse de uma teoria do nosso filósofo alternativo Jorge
Mautner, apresentada por ele, anos atrás, numa daquelas
reuniões entre artistas e políticos deixando entre os
participantes, como se diz, "um branco no salão".
Segundo a teoria do Mautner, existiria uma conspiração
planetária pela idiotização da humanidade, parte da qual
consiste em gradativamente substituir os líderes políticos por
pessoas do show business. Estávamos saindo da era Reagan, nos
Estados Unidos, e entrando na era Collor, aqui no Brasil. Pra
mim, na ocasião, fez sentido. Se Collor ainda fosse nosso
presidente (esconjuro, cruzes!), não tenho a menor dúvida de
que ele estaria naquela partida, bastão na mão, rebatendo as
bolas lançadas pelo Chapolin Colorado, digo, Chávez.
Já FH participa do show planetário a seu modo, um pouco como
Fernanda Montenegro na festa do Oscar: uma figuração chique
entre as grandes estrelas, sabendo que, na hora H, o troféu vai
mesmo é para o Primeiro Mundo.
Longa história - Quinta, 2 de dezembro de 1999.
Chaves
é um atrapalhado e esfomeado menino de rua, que convive com
moradores de uma vila e tornou-se conhecido pelos bordões
Ninguém tem paciência comigo e Foi sem querer
querendo. A série, criada e estrelada pelo ator Roberto
Bolaños, o Chespirito, começou a ser exibida na TV mexicana no
início da década de 70, mas não sobreviveu aos anos 80, com a
morte de Ramón Valdez, o Seu Madruga, e a saída de Carlos
Villagrán, o Quico.
O SBT exibe programas fartamente reprisados, já que o criador da
série hoje dedica-se ao teatro. Bolanõs, que tem 72 anos, está
em cartaz no México com a peça 11 e 12, atuando ao lado da
esposa, Florinda Meza, que em Chaves é Dona Florinda. O casal
tem planos de excursionar com a comédia pela Argentina e Chile,
e a Televisa está preparando um especial sobre a vida e obra de
Chespirito para exibir no ano que vem.
Outros atores de Chaves, como María de Las Nieves, a Chiquinha,
e Villagrán, o Quico, ressuscitam em espetáculos circenses os
personagens da série que os tornaram famosos.
Além de Chaves, Bolaños pai de seis filhos e ator e
diretor de cinema também no Brasil criou o herói
Chapolin.
Vila cheia de brincadeiras - Domingo, 16 de janeiro de 2000.
História
- Miguelito é o protagonista da históriaa, que conta ainda com
mais sete personagens que vivem numa vila. Assim como em Chaves,
todas as crianças são interpretadas por adultos: Lilica (Ana
Andreatta), Marquinhos (Davi Taiu) e Bolão (David Fantazzinni).
Proposta - A série promete muito humor, mas a emissora também
quer mostrar mensagens sociais através do personagem de
Miguelito. Vamos falar sobre o problema do menor
abandonado, avisa o supervisor Homero Salles.
Originalidade - Eduardo Estrela jura que nunca assistiu a Chaves.
Só soube o que era Chapolin após a morte dos Mamonas
Assassinas, garante o ator. Nem depois que foi selecionado
para o papel ele se animou a espiar o programa da concorrência.
Não quero ver para não ficar na minha memória,
justifica.
Perfil - Miguelito é um garoto de rua, amigo de todas as
crianças da vila e que adora seu Flodoaldo (Luiz Baccelli), um
vizinho mais velho. Apesar da idade, Eduardo Estrela diz que não
teve o menor problema em interpretar um garotinho. Já fiz
criança no teatro. Estou acostumado, diz ele que subiu
pela primeira vez ao palco com 29 anos.
Ingenuidade - Segundo o ator, a série vai mostrar as crianças
como antigamente. Eles brincam o tempo todo, sem
erotização, diz.
Quem surpreende - Sexta, 4 de fevereiro de 2000.
O ator mexicano Roberto Bolaños, intérprete do Chaves e Chapolim, vai ganhar uma homenagem da emissora Televisa.Aos 70 anos de idade, Bolaños gravará um grande especial reunindo os atores das duas séries e muitas participações especiais. Os programas, gravados de 1970 a 1995, são líderes de audiência na América Latina, Espanha e China.
Reforço
mexicano ameaça Mais Você - Quinta, 10 de fevereiro
de 2000.
SBT exibe a partir de março As Novas Aventuras de
Chaves, no mesmo horário de Ana Maria Braga
A apresentadora Ana Maria Braga e Louro José não imaginam o perigo que vem pela frente. O SBT aumentou seu acervo do seriado mexicano Chaves com mais 180 episódios, quase o dobro do que exibiu nos últimos 15 anos. Além de se vestir de Chapolin e de se apresentar com o personagem tradicional, o ator mexicano Roberto Bolaños interpreta mais oito tipos nos episódios de As Novas Aventuras de Chaves, que entram no ar no horário do Mais Você a partir de março. Todos na mesma linha de besteirol e com cenários idênticos aos atuais.
VipVupt - Sábado, 1 de abril de 2000.
Roberto Bolaños, aos 71 anos, será homenageado hoje com programação especial, durante todo o dia, na rede mexicana Televisa. Para quem não associou o nome à pessoa, trata-se do Chaves, do Não contavam com minha astúcia.
Chaves e Dona Florinda revivem início do romance no Chile
Os atores mexicanos Roberto Gómez Bolaños e Florinda Meza,
respectivamente os personagens Chaves e Dona Florinda da série
mexicana de maior sucesso no mundo, reviveram o romance em sua
recente visita ao Chile. Em entrevista naquele país, os dois
garantiram que se apaixonaram em um passeio ao Chile em 1978. A
mulher do protagonista de Chaves foi mais além, afirmando que
eles trabalham juntos desde 1971 e que sempre foi cortejada por
Roberto, mas resistiu. Segundo ela, Roberto teve uma paciência
incrível, de cinco anos. "Decidimos ficar juntos num hotel,
em Santiago", revelou a atriz mexicana.
O clima de nostalgia romântica não parou por aí.
Florinda acrescentou que, apesar de "passados 23 anos de
muitas alegrias e alguns contratempos, não acredito que alguém
tenha tido mais felicidade que nós dois". Exemplo de amor
duradouro é isso aí.