Muzzarelas
Os
Muzzarelas nasceram por volta de março de 1991, quando Daniel
(vulgo ET), que já tinha uma banda com Stênio (vulgo Nióla) e
Marcelo (vulgo Bata), encontrou-se por acaso com Alexandre (vulgo
Alexvideo) em um boteco de Campinas, interior de São Paulo.
Tinham vários interesses em comum: tocar músicas dos Ramones e
se divertir muito, numa banda que não dissesse pra ninguém o
que fazer nem como viver sua vida.
Poucos ensaios característicos (vizinha xingando etc.) depois,
Flávio (vulgo Fofs) unia-se ao grupo, trazendo consigo o eterno
roadie Luis (vulgo Carioca). Assim começaram a criar as
primeiras músicas.
O cenário da época favorecia o aparecimento de novas bandas,
com muitos espaços sendo criados e o público receptivo devido a
onda de rock pesado que acontecia no país, existindo até
estações de rádio exclusivas para o estilo. Foi assim que,
menos de 2 meses após sua formação, a banda lotou duas boates
da região em 3 shows de estréia, para uma média de público de
800 pessoas. Era um bom começo, mas por motivos obscuros (cada
um diz uma coisa) resolveram apresentar-se como Ramones Cover
nesses primeiros meses de existência.
Em junho do mesmo ano Alexvideo precisou ausentar-se, sendo
substituído por Junião (vulgo Bola). Pouco tempo depois no
entanto, ET e Niola resolveram assumir os vocais. Bata então
decidiu que não queria mais levar aquela vida de carros velozes,
mulheres peitudas e rock ´n roll, entrando em seu lugar Edson
(vulgo Naka). Com a volta de Alexvideo no começo de 1992 estava
concretizada a formação Muzzarela que perdura inalterada até
os dias de hoje: Alexvideo (vocais), Niola (guitarra), Flávio
(guitarra), ET (baixo) e Naka (bateria).
Ainda em 92, tocando incansavelmente aonde quer que eram
chamados, entraram no estúdio e gravaram ALL COLORED STARS, com
as três primeiras músicas da banda. Assim começou o
relacionamento com o estúdio Arenna e Caio (vulgo cabelo), que
geraria pouco tempo depois a segunda demo, WATCHING THE BIRDS
SHIT ON MY HEAD, com gravações dentre as melhores que a banda
já realizou, e que podem ser encontradas hoje no cd DELLMONICUS.
Foi também neste ano que os Muzzarelas foram adotados pelo bar
Illustrada e vice versa. Os shows eram quase semanais, e a fama
de garantia de diversão e pandemônio começava a ser criada.
Pode-se dizer que este bar foi o CBGB na vida dos Muzzas. Depois
de alguns meses no entanto o Illustrada fechou suas portas, e a
banda passou a se apresentar no SoHo, uma época inesquecível
para muitos, já que o palco do SoHo presenciou alguns dos shows
mais furiosos da banda.
A saída do grupo de Campinas aconteceu quando foram convidados
pela banda Volkanas a abrir um show em Santo André, em um bar
chamado Moves, após terem tocado com elas na Chácara Selvagem.
A partir de então os Muzzas passariam a tocar por todo o estado
e depois por todo o Brasil, com a exceção das regiões Norte e
Nordeste, que infelizmente permanecem intocadas até hoje. Em
1993 participaram da primeira versão do Junta Tribo, entre
outros festivais. O bar Hitchcock, em Santa Bárbara D´Oeste,
rendeu tantas boas lembranças que a banda imortalizou a cidade
na música Born to Lose in SBO em 1999, e que deverá aparecer no
próximo trabalho. Hoje em dia, quando se apresentam em Campinas,
o bar OZZ é a "casa".
A presença da banda na mídia era tímida, consistindo de
críticas positivas sobre a segunda fita demo, matérias em
jornais da cidade e entrevistas para canais regionais. Ontem e
hoje, foram os fanzines que sempre deram a maior força à banda,
e que merecem todo o agradecimento.
Os Muzzarelas nunca, ou quase nunca, recusaram um show. Não
importando o tamanho ou as condições do lugar, nem a distância
a ser percorrida, a banda estará lá, invariavelmente atrasada,
mas estará. Tendo tocado desde festivais cobertos de poeira
vermelha a caçambas de caminhonetes ou carrocerias de caminhão,
de trios elétricos a um simples chão de terra, com
"amplificadores de pamonheiro" ou o melhor dos
equipamentos, muitas vezes não ganhando nem o que gastaram para
chegar até lá, o objetivo continua o mesmo: tocar o som que
gostam e se divertir.
E assim o tempo foi passando, até que abriram um show para a
banda Ratos de Porão em Campinas. João Gordo gostou dos Muzzas,
e não só arrumou o primeiro contrato de gravação, para uma
coletânea e um cd, mas produziu os trabalhos pessoalmente. E
assim foram gravadas as músicas para Fun, Milk And Destroy, em
vinil, e o cd JUMENTOR, no estúdio Soft Sinc em São Paulo com
RH Jackson, pela Devil Discos. Apesar de toda alegria e
animação, ambos projetos sofreram com o imenso atraso e falta
de divulgação por parte da gravadora, além da incompetência
da gráfica que imprimiu os encartes, que ficaram ilegíveis, e
os nomes das músicas completamente errados na face do cd. Quando
este finalmente saiu, já era o ano de 95, começo de 96...
Oportunidades foram surgindo e a banda abriu vários shows para
bandas de fora, como Sick of it All, Fugazi, e o ídolo Marky
Ramone. O sonho de abrir para os Ramones, no entando, ficou no
sonho... Entre as bandas conterrâneas, os Muzzas tocaram com
Golpe de Estado, Garotos Podres, Okotô, e R.D.P. entre muitas
outras.
Muitas coletâneas contendo uma ou mais músicas da banda foram
surgindo, a maioria no Brasil e algumas no exterior. A gravadora
Fast ´N Loud de Portugal lançou Jumentor por lá, além de
outras duas coletâneas. A versão Muzza de Macho Man, com letras
devidamente alteradas, apareceu em No Major Babes, e também no
cd/ep Roça Hits vol.II (junto com o cover Now I Wanna Sniff Some
Glue, entre outras) e um selo americano lançou uma única
música da banda na coletânea Someone´s Gonna Get It. Aqui no
Brasil, mais recentemente, a banda colaborou com Juventude
Perdida para o cd Traidô, um tributo ao R.D.P., a música Oh
Yeah no tributo aos Pinheads, e sua versão de Commando em um
ainda não lançado tributo aos Ramones.
Em 1998 Naka decidiu criar o selo Marreco Records, através do
qual a banda gravou, produziu e divulgou o segundo cd.
GORGONZZULAH!, gravado no estúdio Piranha em Campinas com
Armando nos controles, mostra uma banda com um som mais próprio,
porém não fugindo de suas influências regadas ao som de muito
Ramones e Misfits. A distribuição tem sido feita pela banda em
shows e através de trocas com amigos de outras bandas.
E assim chegamos ao presente. Apesar de serem muitas as
histórias, esta é a trajetória resumida dos Muzzarelas. Muito
pouco mudou, a presença na mídia continua tímida, os
Muzzarelas não são uma banda famosa, aparecendo aqui e ali em
jornais de Campinas, tendo suas músicas executadas em algumas
poucas rádios, raramente participando de algum programa de João
Gordo. A banda pode ser encontrada na internet, nos sites do mp3
e fishthemusic, entre outros. Apesar de terem sido ótimas as
apresentações no programa Brasileiros e Brasileiras, da rádio
Brasil 2000, rendendo inclusive gravações ao vivo, que também
se encontram no cd DELLMONICUS, a verdade é que nada disso
importa. Os shows continuam, nos finais de semana, pois como todo
mundo os Muzzas trabalham para viver. E vivem pra fazer bagunça,
com a banda que sempre quiseram ter, e um bando de amigos na
platéia...
Este site é dedicado a todos aqueles que de alguma forma deram
uma força para que cinco queijos chegassem tão longe, e à
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