Negociação de Mensalidades

CARI "Barão do Rio Branco"

Ao final do ano de 2000, a Reitoria decidiu que aumentaria alguns cursos da PUC-SP, entre eles o nosso. No caso, sofremos um aumento de aproximadamente 9,5%, como muitos estudantes devem ter percebido ao receber o boleto de pagamento ou uma carta da Reitoria comunicando o aumento. A manifestação de anteontem (13/03), realizada e planejada por alguns Centros Acadêmicos apenas deste Campus (sem alcançar a totalidade sequer neste Campus) , da qual não participou o C.A.R.I. “Barão do Rio Branco”, teve como escusa tal aumento e sua óbvia necessidade de redução, não atingindo nenhum objetivo semelhante ao que se propunha. O C.A.R.I. “Barão do Rio Branco”, atendendo a seu dever como representante dos estudantes de Relações Internacionais da PUC-SP, informa a todos os seus membros (a supracitada totalidade dos estudantes de Relações Internacionais da PUC-SP) que está plenamente engajado com o esforço para redução de nossa mensalidade, uma das mais afetadas pelo aumento diferenciado, desde o final do ano passado (2000), não tendo participado do ato do dia 13, devido à sua comprovada ineficácia na presente situação. Deve-se ressaltar que o C.A.R.I. “Barão do Rio Branco” jamais se furtou ao diálogo com todos os centros acadêmicos nem com qualquer outra instância relacionada; apenas decidiu adotar estratégia mais séria e pragmática, assim como outros Centros Acadêmicos também o fizeram.

A globalização econômica e a autonomia das novas técnicas, irmãs siamesas, em cujo sangue circulam a tecnologia da informação, a automação radical e a engenharia genética, espelham bem o acirramento dessa tensão. Já temos todas as evidências de que os mercados globais e a concentração econômica, além das vantagens do brutal aumento da eficiência produtiva que realimenta a dinâmica capitalista, aumentam as desigualdades entre os países -e entre as pessoas de um país-, aumentam o trabalho precário e agravam a pobreza.

Tal decisão apóia-se nos fundamentos éticos, democráticos e de transparência que vem marcando a atuação desse Centro Acadêmico desde a sua fundação, e que esperamos que sejam sempre a sua marca maior, o mesmo podendo-se dizer da sua preocupação com o desenvolvimento acadêmico dos seus membros, não sendo a palavra “acadêmico” mero adorno utilizado na sua denominação. Tendo em vista tais princípios, furtamo-nos a manifestações festivas no presente caso, que servissem apenas como expressão eleitoreira, sem qualquer efeito prático na questão real: o aumento das mensalidades. Portanto, a política adotada pelo C.A.R.I. “Barão do Rio Branco” fundamenta-se nos seguintes princípios gerais, todos interdependentes:

  1. Juntar dados inflacionários, buscando com urgência uma negociação à respeito do aumento, a fim de compatibilizar os custos com a mensalidade com os estudantes e o aumento de gastos que esses tem com o referido aumento.

  2. Exigir da reitoria uma planilha detalhada de custos e proventos no ano fiscal de 2000, submetendo-a a análise profissional, e tornando-a pública em nosso Centro Acadêmico.

  3. Buscar alternativas à diferenciação de mensalidades como forma de manter a universalidade do saber, pois entendemos que a diferenciação encaixa-se na analogia de “cobrir a cabeça, descobrindo os pés”: cursos de baixa demanda tornam-se “mercadologicamente” viáveis, enquanto cursos com alta demanda, como o nosso, são economicamente elitizados, e academicamente prejudicados, haja visto o alto custo de atividades extra-sala ( viagens, congressos, eventos, modelos, pesquisas, etc...) que são parte fundamental e intríseca da formação do bacharelando em Relações Internacionais.

  4. A opção pela transparência e lealdade em detrimento de um alarde festivo que sirva apenas para encobrir a inação. O C.A.R.I. “Barão do Rio Branco” tem o firme compromisso de estar aberto à consulta e participação de todos os seus membros (que, vale lembrar, estatutariamente são todos os estudantes da graduação em Relações Internacionais da PUC-SP). Assim, o tema é abordado em todas as Reuniões Gerais quinzenais do Centro Acadêmico, abertas a todos os membros. Em tais reuniões, o Departamento de Política presta relatório de todas as suas atividades e responsabilidades em relação a este tema e outros de sua alçada (o mesmo se dizendo dos demais departamentos) e define-se a estratégia a ser adotada. Ademais, todos os Diretores de Departamento e demais estudantes ligados à administração do Centro Acadêmico reafirmam que estão abertos a dúvidas, consultas ou sugestões ligadas a esta ou qualquer outra questão relativa ao C.A.R.I. “Barão do Rio Branco”. Assim, jamais será tomada uma atitude sem o conhecimento dos membros ou que prejudique seu rendimento acadêmico, inclusive economicamente (como é o caso atual).

Excelência é ação, não palavras soltas ao sabor dos ventos.
Participe também da construção do seu Centro Acadêmico.

São Paulo, março de 2001.
Alessandra Gaspar Costa - Presidente
Luiz Renato Strauss - 1º Vice-Presidente
André Chaves - Diretor do Depto. de Política

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