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BAHIA - UMA POLÍTICA PARA O PRÓXIMO MILÊNIO CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Bahia nas últimas duas décadas tem procurado consolidar o seu processo de desenvolvimento industrial. O governo Estadual vem tentando definir segmentos industriais estratégicos para a economia do estado e promover programas de fomento com base em estímulos locacionais, infra-estruturais, creditícios, fiscais e financeiros. Entretanto a década de 80, com a crise do petróleo e a elevação das taxas de juros mundiais, configurou-se como um período de extrema dificuldade para praticamente todos os setores econômicos nacionais. E dessa forma o fluxo de investimentos foi praticamente interrompido, paralisando quase todos os novos projetos industriais ou suas ampliações. Não obstante a essa retração de investimentos, o Governo Estadual mobilizou-se na articulação e estruturação de mecanismos de apoio ao fomento à atividade industrial no estado. Deve-se ressaltar a participação neste processo dos agentes DESENBANCO / PROPAR, CDI, DIC, BANEB, CEDIN dentre outros que compõem o aparato institucional de fomento à atividade econômica do Estado. Entretanto, todo o processo de desenvolvimento econômico vivenciado até a década de 80 difere profundamente da atual situação que se apresenta neste final de milênio. O processo de industrialização na Bahia deverá buscar novas vertentes para o seu desenvolvimento. As características e padrões da economia nacional e mundial alteram-se rapidamente e um novo contexto de um mercado globalizado se apresenta. É necessário que o Estado tenha um rápido poder de adaptação às novas circunstâncias, pois as regiões que não dispuserem de vantagens realmente competitivas para alavancar seu desenvolvimento ficarão em segundo plano. Algumas dessa mudanças do cenário mundial já podem ser sentidas e analisadas, outras apontam apenas como tendências ainda não totalmente descortinadas aos agentes econômicos. Dentre as novas vertentes econômicas deve-se ressaltar : - GLOBALIZAÇÃO DE MERCADOS - O comércio exterior passa por profundas alterações, a competição entre empresas desloca-se do âmbito regional ou nacional para o mundial. Uma empresa instalada no centro-oeste baiano competirá por mercados com uma outra empresa instalada em Hong Kong . SISTEMA FINANCEIRO - O sistema financeiro mundial está modificando suas políticas de fomento ( empréstimos ) aos países emergentes. O fluxo de investimentos não voláteis nos mercados está cada vez mais seletivo e os recursos são aplicados mediante criteriosa avaliação das potencialidades da das regiões. Paralelamente, os investimentos especulativos tornam os sistemas financeiros internos frágeis e inapropriados para o fomento das atividades econômicas de médio e longo prazos. GERAÇÃO DE EMPREGOS - A geração de empregos está sendo uma dificuldade enfrentada por todos os países no mundo. As taxas de desemprego são crescentes na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, na Ásia e na América Latina. Este fenômeno globalizado sinaliza o esgotamento do modelo de desenvolvimento econômico mundial, não sendo capaz de gerar crescimento suficiente para absorver o excedente de mão-de-obra. Este importante aspecto, deve constituir um dos mais sérios problemas na virada do século XXI. O modelo de desenvolvimento econômico baseado no setor secundário, especificamente o setor industrial, tem sido a mola propulsora da economia mundial desde a época da revolução industrial no início do século. Porém, com toda a evolução sofrida em quase cem anos de utilização, o modelo mostrou-se insuficiente para compatibilizar os problemas econômicos com os problemas sociais advindos ou não do processo de desenvolvimento mundial. Durante várias décadas o modelo de desenvolvimento econômico ajustou-se pela simples transferência do ônus do processo para os países do terceiro mundo. Entretanto, exauriu-se essa capacidade de transferência e o próprio processo de globalização de mercados - com o intuito precípuo de ganhar mercados consumidores, tende a globalizar os problemas mundiais de fome, miséria, falta de educação, violência e falta de emprego. Essas são as principais características que despontam como novos elementos intervenientes do no processo de desenvolvimento. O estado da Bahia não deve permanecer néscio à esse novo quadro mundial e deve adiantar-se à esses fatores com a elaboração uma política de desenvolvimento econômico com estratégias alternativas que possam ser capitalizadas como vantagens competitivas do Estado. O desenvolvimento industrial como é conhecido não será capaz de absorver a mão-de-obra disponível na região. Os conceitos de indústria deverão ser atualizados, ampliados e todos os potenciais regionais explorados ( indústria do turismo, indústria pesqueira, agroindústria, biotecnologia, etc ... ). Novos mecanismos como concessões, parcerias e atividades de P & D deverão ser utilizados para fomentar novos fluxos de investimentos para o Estado. O conhecimento Científico e Tecnológico terá um papel indispensável na atuação de políticas de desenvolvimento econômico e modelos de agências de fomento nos moldes da Irlanda devem ser analisadas como possíveis instrumentos de captação não só de conhecimentos tecnológicos, como de recursos financeiros. Entretanto, não são apenas esses elementos, que são plenamente conhecidos dos agentes econômicos e das regiões nacionais e estrangeiras, que disputam lado a lado por oportunidades de crescimento, que irão compor o novo cenário mundial. Outros elementos que ainda começam a despontar em nível nacional e mundial deverão também compor esse cenário de virada de século. Elementos como uma re-leitura da participação do Estado nas atividades essenciais da sociedade; a formação de blocos econômicos ( União Européia, Mercosul, Nafta e Alca ) e os possíveis desdobramentos sociais; as novas formas de organizações que não serão mais nacionais ou multinacionais, e sim, " Global Players ". Todos esses elementos e outros ainda não vislumbrados, exigirão uma capacidade de reação e adaptação extremamente rápida e eficiente. Ë neste sentido que o Governo do Estado deve direcionar seus esforços na elaboração de uma estrutura moderna que reflita genuinamente as tendências globais. Neste esforço, vale salientar a o papel preponderante do conhecimento como base fundamental para erigir todas as demais ações e mecanismos estruturais, pois a sociedade do terceiro milênio será, inequivocamente, a sociedade do conhecimento.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

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