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EDUCAR É PRECISO

É inexorável a correlação entre Tecnologia e Educação. Esta estreita aproximação constitui-se um dos pilares para o desenvolvimento de uma nação. Vale observar, que essa proximidade entre Educação e Tecnologia acontece não apenas no âmbito do desenvolvimento tecnológico industrial enfocado neste trabalho, mas em qualquer área que alicerce o desenvolvimento de uma nação, seja ela uma atividade agrícola, industrial ou de serviços. É neste contexto que, utilizando uma linguagem metafórica do meio educacional, o país leva " bomba ". Os números revelam uma triste realidade que tornam a população brasileira uma das mais penalizadas pela falta de educação escolar. Os dados são alarmantes. O nível de escolaridade do trabalhador brasileiro é de apenas 3,8 anos, um dos mais baixos do mundo, equiparando-se ao do trabalhador do Haiti e de Honduras (quadro 05), enquanto o dos países desenvolvidos fica em torno de 12 anos.

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Esta situação coloca o país em uma posição de extrema desvantagem competitiva entre as nações desenvolvidas e emergentes, pois nas economias modernas e globalizadas, o capital humano, ou seja, trabalhadores que estejam capacitados para ofertar uma mão de obra qualificada, será fator decisivo para um desenvolvimento sustentado. Pesquisas recentes evidenciam que os países que mais cresceram nas últimas décadas foram aqueles que investiram maciçamente em educação básica. Entretanto, vale ressaltar que apenas o investimento de verbas governamentais não garantem o equacionamento dos problemas educacionais. É indispensável tornar os gastos com educação mais eficientes. O país investe atualmente cerca de 4,5 % do PIB ( Produto Interno Bruto ) no seu sistema educacional, porém de forma inapropriada para a situação do quadro educacional vigente. Para retratar a real situação, dados recentemente levantados apontam que o Brasil possui cerca de 16 milhões de analfabetos e aproximadamente 17 % dos trabalhadores brasileiros não sabem ler nem escrever. O país, ainda investe 18,2 % dos recursos destinados à educação nas universidades federais públicas, entretanto o ensino superior no país representa apenas 1,8 % dos 35 milhões de alunos no ensino público. Verifica-se que o enfoque das diretrizes da educação e a estrutura do ensino brasileiro estão distorcidos. Não se trata apenas de investir recursos, é necessário uma definição de prioridades e o estabelecimento de políticas para a área educacional. Somente com uma grande reforma no ensino o país poderá reverter essa situação e consolidar seu desenvolvimento econômico. Segundo o economista americano Gary Becker, professor da universidade de Chicago e ganhador do prêmio Nobel de economia, o Brasil deve enfocar o ensino básico entre as suas prioridades governamentais. Tal preocupação é fundamentada principalmente nas seguintes premissas : O Brasil conta com aproximadamente 71 milhões de trabalhadores, entretanto o contingente de analfabetos funcionais ( pessoas que não oferecem condições de apreender novas tecnologias de trabalho ) está aumentando a cada dia; cerca de 2,7 milhões de crianças entre 07 e 14 anos estão fora da escola; de cada 100 crianças que ingressam na escola básica apenas 5 conseguem chegar à universidade; segundo o pesquisador Lawrence Lau, da universidade de Berkeley, o crescimento de 1 % no tempo de escolaridade da força de trabalho pode representar o acréscimo de 0,4 % na produtividade em apenas um ano. Se apenas essas premissas não forem suficientes para consubstanciar o posicionamento em favor de um enfoque no ensino básico ( fundamental ), pode-se, ainda, analisar o exemplo da Coréia do Sul. O caso da Coréia ilustra como a ênfase no ensino fundamental ajudou a modificar uma nação. A pouco menos de 4 décadas, a Coréia era um país em que apenas 13 % de sua população era alfabetizada e sua economia não tinha a menor expressão no contexto mundial. A renda per capta do país era aproximadamente de U$ 100 contra cerca de U$ 8.220 atuais. Após um enorme esforço governamental a Coréia do Sul conseguiu reverter essa situação. Hoje o país asiático possui uma taxa de analfabetismo inferior a 2 % e uma população concientizada da importância do ensino para o desenvolvimento econômico social. Podemos ainda salientar a questão do custo benefício, para o qual as taxas de retorno dos cursos primário e secundário são bem mais elevadas do que as do nível superior em si tratando do investimento necessário. Hoje um aluno dos cursos primário e secundário custam entre U$ 100 a U$1.000 por ano aos cofres públicos, já o aluno superior tem seu custo estimado entre U$ 5.000 e U$ 10.000 por ano. Não obstante a esse quadro precário em que se encontra a educação no país, o Brasil tem obtido significativos progressos. Segundo dados do IBGE, a taxa de analfabetismo está decrescente nos últimos anos. O número de alunos matriculados tem aumentado significativamente tanto no primeiro como no segundo grau nos últimos 5 anos. E o principal aspecto a ser considerado é que a sociedade brasileira começa a tomar consciência que a educação é fundamental para que a nação desenvolva de modo sustentado. A questão da educação no estado da Bahia, como não poderia deixar de ser, não se afasta muito do quadro nacional. O nível de escolaridade do trabalhador baiano na indústria tem melhorado muito lentamente nos últimos anos ( tabela 06 ). Entretanto, o Estado, seguindo uma política coerente com a situação precária do ensino público, começa a investir maciçamente no setor educacional. O problema da evasão escolar inerente a todo o território nacional também assola o Estado, principalmente nas áreas rurais, onde a mão de obra infantil ainda é bastante utilizada. O governo estadual, entretanto, ciente do problema, tenta desenvolver mecanismos que solucionem tanto a questão da educação no meio rural, quanto o problema de renda familiar. O governo combate ainda o problema de repetência escolar e da qualidade do ensino público


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Esse esforço estadual com enfoque no ensino fundamental deve, em um médio espaço de tempo, colher seus frutos. Entrementes, é fundamental que outras medidas sejam tomadas a fim de que essa política tenha uma abrangência maior e que possa contribuir efetivamente para o desenvolvimento estadual. É mister que o Estado desenvolva escolas de nível médio e/ou técnico voltadas para as economias locais ( principalmente no interior do Estado ), como é visto no estado de São Paulo onde existem mais de 100 escolas técnicas estaduais de 2o grau e 5 faculdades de tecnologia. O desenvolvimento industrial do estado baiano, como nas áreas de serviços e agropecuária, somente trará benefícios em termos de empregabilidade da população e de uma melhor distribuição de rendas, se o capital humano utilizado for regional e estiver planamente capacitado. Essa constatação advém da análise de alguns fatores de atração que as novas empresas que investem no Estado, esperam encontrar : Uma infra estrutura em estradas, o fornecimento de energia elétrica, a proximidade de portos e a mão de obra capacitada. Será, então, função do governo estadual conduzir esse processo de educação e capacitação da mão de obra. Esse aspecto é decorrente das expectativas de geração de empregos criadas por esse novo surto industrial no Estado. Caso o Estado não consiga capacitar a mão de obra local, ela certamente virá de fora, não gerando empregos, nem refluxos financeiros. As opções de estratégias e os exemplos a seguir são bastante variados. O governo baiano pode buscar alternativas para a educação em outros estados como Minas Gerais, Ceará e São Paulo, que já desenvolvem programas educacionais eficientes, ou em outros países emergentes como Cingapura , Coréia do Sul e Hong Kong que conseguiram, em um espaço médio de tempo, oferecer uma educação de qualidade a sua população, alicerçando o seu desenvolvimento econômico e diminuindo as diferenças sociais profundas. Tais exemplos não devem ser meramente copiados, mas podem ser analisados a luz dos aspectos culturais que diferenciam cada país e seus povos. Com relação ao ensino de nível superior, a situação também necessita de especial atenção Uma recente pesquisa efetivada pelo CNPq revela que para cada 10.000 brasileiros existe apenas 2 pesquisadores ou técnicos envolvidos na área de Ciência & Tecnologia. A situação do Nordeste é ainda pior, com apenas 0,73 para cada 10.000. Reforça-se, então, a idéia de que também deverá fazer parte da política estadual de ensino o fomento às parcerias entre as empresas que aqui estão ou serão instaladas e as universidades estadual e federal no desenvolvimento de novas tecnologias e na capacitação de mão de obra especializada. A formação de uma Política de desenvolvimento industrial não pode passar ao largo de uma política educacional. Ambas congruem para um desenvolvimento econômico sustentável e socialmente equânime. E é este o dever principal dos governos.



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