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A BAHIA NO CONTEXTO NACIONAL

ANesses quase 45 anos de processo de industrialização do estado da Bahia, as diretrizes assumidas quase sempre foram centradas na transposição dos problemas e restrições da região Nordeste. O processo industrial baiano teve como característica, os padrões da economia do estado da Bahia e do Nordeste. Características como a baixa dotação de recursos, a escala incipiente de mercado, a infra estrutura de portos, estradas e energia disponíveis, dentre outros, direcionaram e tornaram frágeis as políticas industriais regionais. Cabe ainda observar que a economia do Estado esteve atrelada por vários anos às transformações da economia brasileira e às deficiências da região Nordeste. Neste aspecto é válido ressaltar 3 componentes advindos desse estado de sujeição. O primeiro deles diz respeito à aceitação, sem críticas e modificações, de uma política global que beneficiava claramente os estados do sul do país; o segundo componente caracteriza-se pela falta de capacidade de interpretação e seleção por parte da elite das melhores alternativas dentro do processo de industrialização nacional ( excluída a oportunidade identificada na evolução do setor petrolífero e químico no Brasil ); e o terceiro define-se pelo caráter dissociativo da política industrial baiana com os aspectos de fomento tecnológico. Não obstante a esse quadro inicial, verifica-se que o estado da Bahia tem conseguido reverter este modelo centralizador de industrialização, ( tabela 5 ) e, modificar as expectativas frente aos novos rumos traçados pelo Estado.

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A Bahia tem, a despeito do processo histórico de centralização econômica no sudeste do país, assumido nos últimos anos um papel de maior destaque no cenário nacional. Inicialmente, com uma economia voltada para o setor agropecuário, o Estado começou a fomentar o seu processo de industrialização na década de 70 com a instalação do Pólo Petroquímico de Camaçari. Podem, ainda, ser consideradas duas etapas anteriores à década de 70, que compreendem os períodos de ( 1956 a 1962 ) e ( 1963 a 1970 ). No primeiro período foram esboçados os primeiros passos rumo a um planejamento genérico do setor industrial, já o segundo período foi caracterizado pela organização dos fatores intervenientes no processo de industrialização do Estado ( I PLANDEB ) e uso dos recursos institucionais e financeiros - Banco do Nordeste e SUDENE. A Bahia, no entanto, apenas passaria por seu primeiro surto de crescimento industrial sustentado, com a vinda da Petrobrás e posterior implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari. Hoje após sua completa instalação e diversas ampliações sofridas, o Pólo Petroquímico ainda é destaque na economia baiana sendo responsável por aproximadamente 25% do PIB ( Produto Interno Bruto ) e 30 % da pauta de exportações do Estado ( quadro 01 ) . Esta importância evidencia-se, também, quando verifica-se a lista das 10 maiores empresas do Estado, onde 04 das fazem parte do setor químico e petroquímico ( ver quadro 02 ).


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É também inegável o esforço de atração de novos investimentos que o estado da Bahia vem tentando realizar, entretanto é necessário avaliar a relação custo / benefício de todo esse esforço, principalmente quanto a renúncia fiscal oferecida para a entrada de novas indústrias no Estado. Tecnicamente uma das maneiras de avaliar tal benefício, reside em contabilizar o número de empregos diretos e indiretos gerados e as atividades paralelas que a implantação de uma indústria acarreta. O setor automobilístico traz recentemente exemplos apropriados para essa reflexão. A fábrica da Wolkswagen, instalada em Resende ( RJ , previa a criação de 1300 empregos diretos e aproximadamente 50.000 indiretos; entretanto, apenas 900 colocações diretas foram criadas e certamente um número de indiretos inferior aos 50.000 prometidos. Já o caso da instalação do Pólo automobilístico de Betim ( MG ), após um período de amadurecimento, a atividade econômica desenvolvida na região resultou, em 1996, 28.000 empregos diretos e aproximadamente 100.000 indiretos. Essas colocações refletem como a temática é controvertida e podem apontar diferentes soluções ou caminhos a seguir. No entanto, algumas colocações devem ser analisadas. Primeiro : A competição global que as empresas enfrentam tem modificado substancialmente o desenvolvimento industrial e seu fluxo de investimentos. Empresas realmente competitivas, as " Global Players " - empresas que competem em mercados globais, buscam elementos chaves que coadunem com suas estratégias empresariais tais como uma infra estrutura básica ( telefonia, portos, rodovias, ferrovias, eletricidade, saneamento básico, etc... ), como recursos humanos capacitados e de relações políticos sociais estáveis. Esses estão sendo os elementos precípuos que devem fazer parte do novo processo de industrialização até o ano 2000. Não obstante a concentração que existiu na área química e petroquímica no primeiro fluxo de investimento industrial no Estado, o novo fluxo industrial começa a modificar essa expressiva participação do Pólo Petroquímico na economia do Estado. Outras industrias começam a desenvolver importantes projetos, transformando, assim, o Estado da Bahia em um importante pólo de desenvolvimento industrial. Com cerca de 10 distritos industriais espalhados por todo o Estado, o governo baiano vem tentando nos últimos anos descentralizar o processo industrial do Estado, aproveitando o potencial de recursos naturais, humanos e geográficos das micro-regiões do Estado. Esse processo de expansão pode ser notado através dos investimentos previstos na área industrial. Além da área química e petroquímica, as indústrias das áreas de Celulose, Papel, Embalagens, Mineração, Automotiva e Calçados, conjuntamente com o setor público, devem investir mais de US$ 3 Bilhões na economia, o que reforçará o novo ciclo de desenvolvimento no Estado. Esse fluxo de investimentos sustentável melhorará ainda mais a posição do Estado no contexto nacional. A Bahia , com uma economia que movimenta US$ 34 Bilhões, é o Estado de maior PIB do nordeste e o 6o do país, com participação de 5 a 6 % do PIB nacional. Ao contrário do prognóstico estabelecido nos últimos anos, que defende a tese de um novo ciclo de desenvolvimento estar centrado nas regiões centro-sul devido ao suporte técnico e à proximidade do Mercosul, a Bahia consegue demonstrar vantagens competitivas ( econômicas, sociais e geográficas ) que poucos Estados conseguem oferecer. A expansão do PIB baiano mostra-se superior a evolução do PIB nacional ( quadro 03 ), dobrando de valor nos últimos 20 anos. E sua distribuição entre os setores da economia indica uma equidade nos fatores produtivos globais que proporcionam uma segurança para os investidores externos ( quadro 04 ).


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É neste direcionamento que o estado da Bahia vem tecendo esforços para rever suas estratégias de atração e com isso alavancar a entrada de novos investimentos no estado. Os números relativos ao desenvolvimento industrial no Estado são pujantes e delineiam a nova corrente de fluxo de investimentos. Neste sentido, vale destacar o papel da indústria de calçados oriunda do sul do país que planeja investimentos acima de US$ 100 milhões. Empresas como a Ramarim ( Jequié ), Azaléia ( Itapetinga ), Bibi ( Cruz das Almas ), Kildare ( Itabuna ), Reichert Calçados, Schimidt & Irmãos, Calçados Reifer ( Serrinha ) Calçados Piccadilly do Nordeste ( Juazeiro ) FCC - Fornecedora de Componentes para Calçados Ltda. ( Feira de Santana ) e Sisa ( Simões Filho ) estão com seus projetos em fase de estudos e implementação ou já em operação. Essas empresas devem gerar um receita global em torno de US$ 500 milhões. Vale salientar que a economia baiana possui ainda outros tentáculos que não o industrial, como fortes pilares para o desenvolvimento do Estado. Devem ser citados os relevantes papéis da indústria do turismo e da agroindústria que também apresentam taxas de crescimento acima da média nacional. Hoje, no oeste do estado, onde a agricultura baiana desponta nacionalmente na produção de grãos, existe a maior concentração do Brasil de pivôs centrais de irrigação - cerca de 400 instalados. A fruticultura também consolida-se como um importante segmento produtivo nacional, respondendo por cerca de 80 % das exportações brasileiras em produtos como uvas e manga. Já o setor de turismo configura-se, também, como forte fator de alavancagem do desenvolvimento do estado, que espera obter um fluxo anual de 4 milhões de visitantes até o final do ano 2000. Os indicadores nacionais deste setor são bastante animadores, segundo dados da ABIH ( Associação Brasileira da Indústria de Hotéis ) a indústria hoteleira nacional emprega aproximadamente 180.000 postos diretos e 540.000 indiretos, existindo atualmente cerca de 12 mil hotéis cadastrados que são responsáveis por uma movimentação de 152,2 milhões de pessoas por ano entre hóspedes e funcionários, e que anualmente investem em torno de 15 bilhões de dólares na modernização das instalações na melhoria da qualidade de serviços e no aumento de sua capacidade instalada. Hoje o estado da Bahia possui mais de 75.000 leitos em seus mais de 1500 hotéis espalhados em oito grandes zonas turísticas. Não obstante, esses dados ainda não refletem todo o potencial inexplorado que o turismo dispõe no Estado, devendo ainda em um curto espaço de tempo consolidar-se o turismo ecológico e o turismo náutico. A indústria baiana do turismo gera receitas acima dos US$ 500 milhões com um impacto de US$ 1 Bilhão de dólares no PIB estadual.



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