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A INDÚSTRIA E O AVANÇO TECNOLÓGICO

A sociedade industrial moderna evoluiu no seu modo de pensar novos métodos e técnicas industriais, entretanto, carregou consigo nas últimas décadas, mazelas sociais que se agravaram com o desenvolvimento tecnológico. Hoje, as discrepâncias sociais são enormes e evoluem com extrema rapidez. As nações desenvolvidas acumulam riquezas enquanto países inteiros morrem de fome. Urge a necessidade de um maior equilíbrio social entre os povos, para que os frutos do avanço tecnológico alcançado sejam repartidos de forma equânime. Para exemplificar o aumento do desequilíbrio social no mundo, pode-se analisar a distribuição das riquezas mundiais que atualmente concentra-se em poucos países, espalhando fome e miséria pelo resto do globo (gráfico 01 / tabela 02 e 03 ). Segundo dados de 1996 relatados pelo The Economics, os dez países mais ricos do mundo concentram aproximadamente 75 % das riquezas mundiais.

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Verifica-se através das tabelas que existe uma enorme concentração de rendas entre os países. É valido salientar que com essa estrutura distributiva de riquezas, também, o processo de criação e disseminação de tecnológica tende a concentrar-se, beneficiando apenas uma parcela reduzida da população mundial. É de aceitação geral, por parte da comunidade científica, que o desenvolvimento científico e o avanço tecnológico têm como premissas básicas os valores sociais e humanitários, devendo seus resultados contribuir para o desenvolvimento da humanidade; entretanto, os governos utilizam o conhecimento científico e tecnológico como sendo propriedades privadas e de uso restrito. O acesso a informação e a tecnologia tornam-se " commodities " de um mercado mercenário e globalizado, néscio das necessidade humanas, sejam elas básicas ou não. Esse perverso processo pôde ser claramente observado no desenvolvimento industrial ocorrido na América Latina nas décadas de 50, 60 e 70. Segundo o pesquisador Jorge M. Katz, através da análise dos processos de desenvolvimento industrial ocorridos na América Latina, pôde-se observar que nos casos da Argentina México e Brasil, os processos de industrialização e transferência tecnológica estiveram centrados em dois pilares principais : O poder de negociação dos agentes econômicos e a capacidade de criação e difusão tecnológica dos países em desenvolvimento. Em sua análise, o pesquisador coloca dentre outros aspectos, que o poder de negociação dos agentes econômicos para adquirir tecnologia externa favorece amplamente as empresas multinacionais detentoras do conhecimento tecnológico e recursos financeiros. Esse desequilíbrio nas relações caracteriza-se por circunstâncias como a falta de informação por parte do poder público das tecnologias disponíveis, enfraquecendo sua capacidade negociadora; a ausência de alternativas regionais baseadas em empresas de origem interna com capacidade tecnológica e recursos financeiros; e fundamentalmente por um sistema oligopolista no mercado de tecnologia. Esses pontos tendem fortemente a favorecer e a centralizar o poder de negociação nas mãos dos agentes externos que, apenas oferecem como fatores de negociação a disponibilização de capital operativo, tecnologia industrial, métodos e técnicas de organização e comercialização, dentre outros. O autor ainda prossegue analisando o fato do setor público, como ente de intermediação entre a sociedade local e as fontes internacionais de tecnologia industrial - encarregado de formular uma política tecnológica global que propicie o desenvolvimento regional, assume uma postura completamente desarticulada e sem informação, desequilibrando ainda mais as relações de negociação entre as partes. O segundo pilar estaria centrado na capacidade de criação, difusão e aprendizagem tecnológica de cada país. No Brasil, segundo análise do Prof. Linaldo Cavancanti de Albuquerque - Secretário executivo da ABIPTI ( Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica ) a causas do atraso tecnológico estariam ainda centradas no seguinte tripé :


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Concernente ao caso brasileiro, a descontinuidade das políticas industriais no âmbito dos estados e da federação, favorece o agravamento do quadro de desequilíbrio no desenvolvimento econômico nacional. Uma das respostas para a melhoria desse quadro, ainda segundo o pesquisador Jorge M. Katz, estaria na fundamentação de que o desenvolvimento industrial deve observar dois aspectos básicos : O primeiro, o desenho de uma estratégia ótima de intervenção no mercado de tecnologia industrial, obtendo-se com isso um poder de negociação superior aos demais países e adquirindo uma vantagem competitiva importante para atração de novas tecnologia e investimentos. Segundo, incentivar o processo de criação de novos conhecimentos por meio de incentivos diversos ao setor privado e fomento para a pesquisa básica e aplicada desenvolvidas por universidades e empresas do estado. Nesta vertente também advoga o professor Linaldo, colocando que os sistemas estaduais de fomento a Ciência & Tecnologia podem amenizar a situação do desenvolvimento industrial e tecnológico regional. Esta colocação ganhou maior impulso após a promulgação da constituição federal de 1988 pois, as constituições estaduais poderam contemplar a questão da Ciência e Tecnologia permitindo maior flexibilidade para definir políticas próprias junto às secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia. A Bahia, após o Fórum Nacional dos Secretários Estaduais para Desenvolvimento de Ciência e Tecnologia em 1987 e ,também, após a promulgação de sua constituição em 1989, determina a destinação de recursos específicos para o desenvolvimento de Ciência e Tecnologia ( tabela 04 ). Entretanto esses recursos nunca alcançaram o patamar previsto, e, até mesmo a criação da Secretaria de Ciência e Tecnologia conjunta com a do Planejamento reflete a atenção despendida pelo governo para o assunto.

Um outro aspecto, que fora abordado por estudos anteriores relativos ao processo de industrialização no estado da Bahia e que será, inequivocamente, tema para discussões e revisões nos próximos anos diz respeito as implicações e desdobramentos econômicos e sociais do processo de industrialização. Trata-se das limitações e incongruências dos mecanismos avaliadores do desenvolvimento industrial de uma determinada região. Cifras globais da produção dos estabelecimento industriais, índices de produtividade, capacidade total de produção, valores brutos de transformação, dentre outros, não refletem o processo de desenvolvimento econômico de uma determinada região ou mesmo de uma indústria ( segmento produtivo ). Outras abordagens endógenas e exógenas do setor industrial devem ser consideradas também como indicadores da atividade produtiva. Questões relativas ao tamanho e à forma da organização das empresas; os problemas de financiamento da atividade industrial; comercialização e mercados; os problemas de eficiência de cada fábrica e cada segmento industrial, são fatores endógenos do setor que devem ser analisados para determinação e avaliação de desempenho de uma política de desenvolvimento industrial. Deve-se salientar ainda, as implicações sociais correlatas ao processo de desenvolvimento industrial. Os indicadores da atividade econômica, amplamente utilizados pelo poder público, podem esconder uma grande falácia da análise industrial. No mundo moderno não é mais aceito desenvolvimento industrial dissociado da melhoria da qualidade de vida da população. Os novos mecanismos de avaliação do desempenho econômico de uma região contemplará irrefutavelmente indicadores sociais. Questões como educação, saúde, moradia, renda familiar mínima estarão atreladas ao novo processo de industrialização em todo mundo.



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