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Tiago Tranjan |
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Às vezes eu me sinto como um cão
que traz na boca um brinquedo
uma bola
um pequeno animal
perdido
e chacoalha, sacode
estrebucha
em todas as direções,
com violência –
às vezes eu me sinto como esse
cão:
e o que trago na boca são as pessoas
que mais amo.
Penduro pedaços de memória
ao meu redor
como frutos em árvores
invisíveis
estilhaços de vidro espelho
partido, sem peso –
e caminho
e não como
e vejo amadurecer.
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